COBERTURA: RANCORE, R.Sigma e a catarse coletiva que tomou conta do Carioca Club

Há praticamente 10 anos, presenciávamos o que era, até então, o último show do RANCORE em São Paulo. A turnê #VOLTARANCORE levou a banda ao Tropical Butantã e marcou o retorno após três anos longe dos palcos. Com clima de despedida definitiva, o anúncio da tour causou um verdadeiro alvoroço, tanto nas redes sociais quanto nos sites de venda, que travaram rapidamente e registraram sold-out em diversas datas, incluindo três apresentações na capital paulista.

Cinco anos depois, Teco reacendeu a energia dos fãs ao tocar músicas do Rancore em uma das festas do Bloco Emo. A experiência se repetiria no ano seguinte, no Agulha Sounds, mas acabou tomando proporções muito maiores quando, já com os ingressos esgotados, veio o anúncio de que aquela noite marcaria a primeira apresentação da formação original do Rancore desde 2017.

O que inicialmente seria apenas um show acabou se transformando em duas noites no Oxigênio Festival, dando origem à “Turnê Relâmpago”, realizada em parceria com a Balaclava Records e passando por diferentes cidades do Brasil entre Março e Junho de 2024, incluindo uma apresentação no Lollapalooza.

Toda essa sequência de apresentações serviu como combustível para a banda voltar a compor, gravar e seguir ativa nos palcos. Desde então, o Rancore abriu o show do Forfun no Allianz Parque, passou por festivais como Kapivara Fest, Arena Hardcore e Cura Fest, além de realizar apresentações especiais tocando os álbuns “LIBERTA” e “SEIVA” na íntegra. Houve ainda um show surpresa com músicas inéditas, que funcionou como aquecimento para o lançamento de “BRIO”, divulgado há menos de um mês e responsável por encerrar um hiato de 15 anos sem um álbum de estúdio.

Dentro de todo esse contexto, chegamos a uma data especial: a festa oficial de lançamento de “BRIO”, com ingressos esgotados e a participação do R.Sigma, que saiu do hiato após nove anos e voltou a se apresentar ao lado do Rancore pela primeira vez desde 2014 (na época, esse foi o último show antes do hiato).

Marcado para abrir o Carioca Club às 17h, por volta das 18h R. Sigma surgiu no palco, para um público esperava eles ansiosamente. Esse sentimento era mútuo e refletiu tanto na performance marcante da banda, com sonoridade pesada, elementos de experimentação, momentos melódicos e uma energia vibrante não somente deles, mas também de quem estava assistindo, seja batendo palmas, gritando ou mostrando conhecer cada uma das músicas, cantando elas do início ao fim. 

Provando que não eram somente uma banda de abertura, mas sim outra atração principal, numa parceria duradoura com o RANCORE, eles se apresentaram por cerca de 1h, trafegando por músicas do álbum "Reflita-se" de 2009, além do EP de 2011', proporcionando momentos de grande emoção e intensidade. 


Para um Carioca Club ainda mais lotado (algo que parecia impossível), o RANCORE, formado por Teco Martins (vocal), Candinho Uba (guitarra), Gustavo Teixeira (guitarra), Rodrigo Caggegi (baixo) e Ale Iafelice (bateria), subiu ao palco por volta das 19h40, já com o telão pedindo para a galera abrir a roda. 'Unhas e Dentes' deu início à apresentação com a energia no máximo, seguida sem pausa por 'Expansão', enquanto as rodas se multiplicavam pela pista e os stage dives começavam a tomar conta do lugar, com direito até a celular na mão no meio do caos. Quando 'Hoje eu Quero Viver' começou, o público inteiro já cantava em uníssono, algo que se manteve em 'Teoria do Caos' e 'Preciosas Cores', mantendo a intensidade sem dar espaço para respiro.

Após alguns segundos de silêncio, as músicas novas deram lugar à atemporal 'Jeito Livre'. Teco chamou todas as tribos não apenas para cantar junto, mas para aumentar ainda mais a roda e os stage dives, algo que explodiu de vez em 'Escravo Espiritual'. 'Samba' foi outro clássico absoluto, berrado do começo ao fim pela casa inteira.


Voltando ao repertório do novo álbum, 'Pelejar' colocou todo o Carioca Club para bater palmas, enquanto grande parte do público parecia hipnotizada pela presença de palco única de Teco e pela entrega da banda. Mesmo assim, ninguém economizou voz no refrão e no trecho final da música. Em 'Cara de Louco', o clima seguiu intenso, tanto pela atmosfera criada no palco quanto pela letra reflexiva sobre como a sociedade rotula quem questiona padrões.

Dessa vez com uma pausa um pouco maior, Teco relembrou que a banda lançou o primeiro disco em 2005 e que, há 12 anos, fazia justamente no Carioca Club aquele que parecia ser o último show do Rancore.


Agradecendo a presença de todos, ele pediu para o público se abraçar, de braços abertos, criando um dos momentos mais bonitos da noite em 'Mãe', com pista e camarote pulando e cantando juntos. Depois de 'Quando Você Vem", foi a vez de  'A Nascente', Teco sentou na caixa de retorno enquanto conduzia o público em coro na faixa que marcou a divulgação do álbum "BRIO".

Vestindo seu tradicional short de Kung Fu e camiseta regata, Teco puxou uma sequência que, para muitos, reúne três dos maiores hinos da banda. 'Ritual', 'Liberta' e 'Respeito É a Lei' transformaram o Carioca Club em um verdadeiro caos organizado: palmas, coro coletivo e stage dives simultâneos tomaram conta da pista.


Os mergulhos na plateia continuaram em 'Temporário', enquanto 'Valsa do Imprevisível', com sua atmosfera mais calma, permitiu um raro momento de respiro, sensação que se manteve em 'Sexo Selvagem'.

Entrando na reta final do show, 'Transa' colocou novamente a casa inteira para cantar como uma só voz. Em 'Cicatrizes', as rodas voltaram com força total, acompanhadas por stage dives incessantes, numa sintonia perfeita entre banda e público, ambos igualmente incansáveis.


Depois de 'Cordão de Ouro', veio 'Quarto Escuro', anunciada como a última música da noite. Mas isso não desanimou ninguém. Pelo contrário: o público cantou ainda mais alto, como quem sabia que não podia acabar ali.

E não acabou.

'Yoga, Stress e Cafeína' foi escolhida para encerrar a apresentação, com Teco realizando seu tradicional stage dive e literalmente flutuando sobre a pista do Carioca Club após cerca de 1h20 de um show intenso, catártico e sem um segundo de entrega morna.


Por algumas horas, o Rancore fez todo mundo esquecer o peso da rotina, do caos e da correria de São Paulo. Cada pessoa ali pulou, gritou até perder a voz e transformou aquela noite em uma espécie de purificação coletiva.

Se o show de 2014 representou um fim, o de 2026 simbolizou um renascimento.

Com turnê em andamento, disco novo nas ruas e uma conexão que parece ainda mais forte do que antes, ficou impossível sair dali sem pensar em uma coisa:

O RANCORE VIVE.

Rancore Setlist Carioca Club, São Paulo, Brazil 2026

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