Bangers Open Air encerra edição de 2026 com celebração de legados


Foto: Diego Padilha/MHermes Arts
Texto: Lênin Zanovelli

Se o sábado foi o dia da explosão e do impacto inicial, o domingo no Bangers Open Air 2026 foi reservado para a celebração e a consagração de legados. Logo na entrada, a identidade visual do dia já estava definida: era impossível olhar para qualquer direção e não ver uma camiseta do Angra. O Memorial da América Latina continuava absurdamente cheio, embora com uma circulação sutilmente mais fluida se comparada à densidade humana recorde do dia anterior.

Mesmo com a energia lá no alto, o clima de “saideira” trouxe aquele gosto amargo de despedida. À medida que as bandas desfilavam seus clássicos, a ficha começava a cair. É aquele vazio existencial que só quem vive a intensidade de um festival entende — a vontade de que o tempo parasse ali.

Para a nossa sorte, e alívio do coração, a organização não perdeu tempo e já confirmou que, em 2027, o Bangers estará de volta.

Que venha 2027!


Foto: @raphagarcia/MHermes Arts

Project46
Se o domingo do Bangers Open Air precisava de um despertar violento e técnico, o Project46 entregou exatamente isso. A apresentação foi a prova de que o metal brasileiro não apenas joga de igual para igual com as atrações internacionais, mas muitas vezes as supera em termos de entrega e conexão. Com uma formação que exala entrosamento, o grupo subiu ao palco para um dos shows mais pesados de todo o festival.

A formação atual, contando com a precisão de Vini Castelari nas guitarras e a base sólida de Baffo Neto no baixo, mostrou uma coesão impressionante. Mas o grande motor dessa nova fase é, sem dúvida, Pedro Carvalho (Japa Drummer). O que ele faz atrás das baquetas é de uma agressividade técnica que mantém a pressão sonora no máximo o tempo todo, garantindo que o “groove” característico do 46 soasse ainda mais massivo.

No entanto, o centro gravitacional do espetáculo é Caio MacBeserra. É difícil encontrar um adjetivo que faça justiça à sua performance vocal, que pode ser definida simplesmente como matadora. Caio domina o palco com uma autoridade assustadora, alternando entre guturais e berros rasgados sem nunca perder o controle ou a afinação. Sua voz é um verdadeiro instrumento de destruição em massa.

O repertório foi uma sucessão de golpes certeiros. Desde a abertura com "Dor" até hinos como "Erro +55" e "Pode pá", o público respondeu com uma fúria à altura da banda. Um dos momentos mais celebrados foi o tradicional coro de "Foda-se", que serviu de combustível para a finalização do show com "Acorda pra vida".

O Project46 saiu do palco consagrado e ovacionado.

Setlist:
1. Dor
2. Impunidade
3. Violência Gratuita
4. 4six
5. Rédeas
6. Na vala
7. Erro +55
8. Pode pá
9. Foda-se (Se depender de nós)
10. Acorda pra vida


Foto: Diego Padilha/MHermes Arts


Primal Fear
O Primal Fear trouxe para o palco do Bangers Open Air a essência pura do power metal alemão, mas com uma configuração que misturava superação e renovação. Um dos pontos mais comentados antes mesmo do show foi a ausência do pilar da banda, Mat Sinner. Devido a um corte sério na perna, que exigiu repouso para recuperação, o baixista não pôde vir ao Brasil. No entanto, a banda escalou um substituto à altura: Dirk Schlächter, do Gamma Ray, que assumiu as cordas com a maestria e a autoridade de quem conhece o gênero como poucos, garantindo que o peso do Primal Fear permanecesse intacto.

A formação atual, que conta com a voz inabalável de Ralf Scheepers, as guitarras de Magnus Karlsson e a bateria poderosa de André Hilgers, ganhou um brilho especial com a chegada de Thalìa Bellazecca. A guitarrista (ex-Frozen Crown) foi, sem sombra de dúvidas, uma das grandes estrelas da tarde. Thalìa é simplesmente incrível: domina o instrumento com técnica refinada e presença de palco magnética, disparando solos e riffs com uma energia que revigorou o som do grupo. Ver uma musicista desse calibre entregando uma performance tão impecável e carismática em um palco desse tamanho foi um dos pontos altos de todo o domingo.


Foto: Diego Padilha/MHermes Arts

Musicalmente, o show foi uma sucessão de clássicos que mostram por que o Primal Fear é uma referência. Desde a abertura agressiva com "Destroyer" até hinos como "Seven Seals" e "Nuclear Fire", a banda operou em sua potência máxima. Ralf Scheepers continua desafiando as leis da natureza com seus agudos ensurdecedores, provando ser um dos vocalistas mais potentes da história do metal.

No entanto, ficou uma sensação agridoce no ar: o setlist foi, infelizmente, curto demais. Para quem não pôde comparecer à pré-party de sexta-feira e teve apenas o domingo para vê-los, a apresentação deixou um nítido “gosto de quero mais”, já que a qualidade da performance pedia pelo menos mais alguns hinos no repertório.

O encerramento com "Chainbreaker" e a obrigatória "Metal Is Forever" selou o pacto com o público em um momento de celebração total. Mesmo com o tempo reduzido e a ausência de Mat Sinner, o Primal Fear entregou uma verdadeira aula de heavy metal.

Setlist:
1. We Walk Without Fear (Snippet)
2. Destroyer
3. I Am the Primal Fear
4. Nuclear Fire
5. Seven Seals
6. The Hunter
7. King of Madness
8. The End Is Near
9. Chainbreaker
10. Metal Is Forever


Foto: @guiurban/MHermes Arts

Roy Khan
Se o domingo do Bangers Open Air reservava momentos de pura nostalgia e técnica, a subida de Roy Khan ao palco Sun Stage foi o ápice emocional para muitos veteranos do metal melódico. Ver o lendário cantor do Kamelot de volta ao Brasil, em plena forma, foi como testemunhar um capítulo vivo da história do gênero. Khan não veio sozinho: trouxe consigo a competência técnica dos integrantes do Seven Spires como banda de apoio, além de um toque especial de prestígio nacional. Os brasileiros Fabio Caldeira e Juliana Rossi brilharam nos backing vocals, entregando as camadas necessárias para que as composições soassem tão grandiosas quanto nos discos.

Diferente do que muitos poderiam esperar de um set solo, Roy Khan deu ao público exatamente o que as almas presentes clamavam: um mergulho profundo e exclusivo nos clássicos de sua ex-banda, o Kamelot. O que se viu no Sun Stage foi uma celebração da era de ouro do power metal sinfônico. Khan continua sendo um mestre da interpretação; seu timbre aveludado e sua capacidade de transmitir melancolia e poder simultaneamente permanecem intactos, provando que ele é um dos poucos vocalistas capazes de transformar um show de festival em uma experiência quase espiritual.


Foto: @guiurban/MHermes Arts

A sequência de abertura com "When the Lights Are Down" e "Soul Society" imediatamente transportou o público para meados dos anos 2000. O entrosamento com os músicos do Seven Spires foi impressionante, mas a química vocal com Fabio, Juliana e Adrienne Cowan foi o que realmente elevou o patamar da apresentação, especialmente em faixas complexas como "The Haunting (Somewhere in Time)". Houve um respeito mútuo no palco que transparecia para a plateia, criando uma atmosfera de reverência e celebração.

Momentos épicos como "Memento Mori" e a obrigatória "Forever", com o tradicional coro uníssono do público brasileiro, foram de arrepiar. Khan domina o palco com uma elegância contida, focando na entrega emocional de cada nota. O encerramento com a sombria e teatral "March of Mephisto" selou um dos shows mais impecáveis do domingo. Roy Khan não apenas revisitou seu passado; ele reafirmou sua soberania vocal perante uma legião de fãs que esperou anos para ouvir essas canções com sua voz original mais uma vez.

Setlist:
1. When the Lights Are Down (Kamelot song)
2. Soul Society (Kamelot song)
3. Rule the World (Kamelot song)
4. Center of the Universe (Kamelot song)
5. The Haunting (Somewhere in Time) (Kamelot song)
6. Memento Mori (Kamelot song)
7. Forever (Kamelot song)
8. Ghost Opera (Kamelot song)
9. March of Mephisto (Kamelot song)


Foto: @raphagarcia/MHermes Arts

Amaranthe
O Amaranthe trouxe para o Bangers Open Air 2026 sua fusão única de modernidade e peso, sob o olhar atento de uma bandeira gigante do álbum The Catalyst, que dominava o fundo do palco. No entanto, o show deste domingo foi um exercício de superação diante do clima: o calor sufocante de São Paulo parecia testar os limites de todos, e isso refletiu diretamente na dinâmica da banda.

A performance vocal de Elize Ryd permaneceu, como sempre, tecnicamente impecável. Sua voz cristalina cortava o ar com precisão impressionante, provando que ela continua sendo uma das vocalistas mais talentosas do gênero. Por outro lado, sua presença de palco estava visivelmente mais contida; o calor intenso pareceu comprometer seu fôlego e sua disposição física, deixando-a com um semblante de quem não estava totalmente à vontade com as temperaturas extremas da capital paulista.


Foto: @raphagarcia/MHermes Arts

Diante dessa retração de Elize, os outros dois vocalistas assumiram o protagonismo com uma garra admirável. O rosnado de Mikael Sehlin e a presença magnética de Nils Molin serviram como o motor que manteve a energia do público lá no alto. Nils, em especial, reafirmou por que é considerado um dos grandes vocalistas do metal atual. Sua entrega foi total, alcançando notas altíssimas com facilidade e funcionando como âncora melódica do show, compensando a atmosfera pesada do clima com uma performance vibrante e cheia de autoridade.

Um dos momentos mais marcantes do set foi a execução de "Strong". A música, que carrega uma mensagem resiliente, ressoou de forma especial sob o sol escaldante, criando uma conexão genuína entre banda e fãs. Outros destaques, como a faixa-título "The Catalyst" e o encerramento com "Drop Dead Cynical", evidenciaram a força do instrumental de Olof Mörck e companhia, garantindo que a proposta moderna da banda fosse entregue com o vigor necessário.


Foto: @raphagarcia/MHermes Arts

Mesmo com o clima jogando contra, o Amaranthe apresentou um espetáculo de alto nível técnico. A capacidade dos vocalistas de sustentar o show nos momentos em que a fadiga de Elize se tornava perceptível foi a prova de um entrosamento sólido, uma banda que sabe ler o palco e proteger seus integrantes, garantindo que o público saísse satisfeito com uma verdadeira aula de modern metal.

Setlist:
1. Fearless
2. Viral
3. Digital World
4. Damnation Flame
5. Maximize
6. Strong
7. PvP
8. The Catalyst
9. Chaos Theory
10. Amaranthine
11. The Nexus
12. Call Out My Name
13. Archangel
14. That Song
15. Drop Dead Cynical

Foto: Bianca Tatamiya_

Malvada
Se o Bangers Open Air é conhecido pela grandiosidade de seus palcos principais, o Waves Stage provou que “distância” não é barreira quando o talento é magnético. Localizado dentro do Auditório Simón Bolívar, o palco ofereceu ao público a melhor experiência acústica de todo o festival, com um som cristalino e encorpado. Foi nesse cenário privilegiado que a Malvada mostrou por que é uma das bandas mais requisitadas do cenário nacional atual, entregando o show mais cheio e vibrante do Waves Stage.

As meninas não apenas tocaram, elas tomaram conta do auditório. A energia que o quarteto emana é contagiante. Com uma trajetória que já soma mais de 150 apresentações, incluindo passagens pelo Rock in Rio e Best of Blues, a Malvada subiu ao palco com a confiança de quem sabe exatamente como conduzir uma multidão. O entrosamento entre Bruna Tsuruda (guitarra), Rafaela Reoli (baixo) e Juliana Salgado (bateria) é uma engrenagem perfeita que sustenta um som pesado, moderno e cheio de groove.


Foto: Bianca Tatamiya_

No centro desse furacão está Indira Castilho. A vocalista é a personificação do estilo e do domínio cênico. Com técnica vocal impecável e um timbre que transborda personalidade, Indira comandou o público com facilidade invejável. Ela possui aquela aura de frontwoman clássica, que hipnotiza a plateia não apenas pelo que canta, mas pela forma como se apresenta no palco, entregando cada verso com uma carga de atitude que é a marca registrada da banda.

Um dos grandes destaques do set foi a música "Aversão", faixa do álbum homônimo lançado no início de 2025. Ao vivo, a canção ganhou uma força descomunal, com riffs que evidenciam a evolução técnica e composicional do grupo. A Malvada deixou o Waves Stage sob ovação, deixando claro que o futuro do rock nacional passa, obrigatoriamente, por elas.


Foto: @guiurban/MHermes Arts

Smith/Kotzen
A estreia do projeto Smith/Kotzen em solo brasileiro foi, para muitos, o momento de maior refinamento técnico de todo o domingo. Quando dois dos maiores guitarristas do planeta decidem dividir os holofotes, o risco de um “duelo de egos” é grande, mas o que se viu no palco foi o oposto: um entrosamento absurdo e uma química orgânica que transformaram o show em uma celebração do hard rock e do blues com muita elegância.

A dinâmica entre Adrian Smith e Richie Kotzen transcende. No Bangers Open Air, ficou claro que a parceria funciona porque ambos são, além de virtuosos, bons vocalistas. Enquanto Kotzen traz aquela entrega passional e soul em seu timbre, Smith oferece um contraponto mais ríspido e tipicamente britânico. Em faixas como "Taking My Chances" e "Black Light", as harmonias vocais e as trocas de solos fluíram com uma naturalidade impressionante, provando que a amizade entre os dois é o combustível que faz o projeto soar como uma banda de verdade, e não apenas um encontro casual de estrelas.


Foto: Marcos Hermes

Instrumentalmente, o show foi um deleite para os amantes da guitarra. Richie Kotzen, com sua técnica de fingerpicking (tocando sem palheta) de outro mundo, e Adrian Smith, com suas frases melódicas icônicas, criaram uma parede sonora rica em texturas. Músicas como "Scars" e "White Noise" mostraram que o repertório autoral da dupla já nasceu com “cara de clássico”, mantendo a atenção do público do início ao fim.

O ponto alto, como não poderia deixar de ser, aconteceu no encerramento. Quando os primeiros acordes de "Wasted Years" ecoaram, o festival inteiro se uniu em um coro ensurdecedor. Ver Adrian Smith executando um dos maiores hinos do Iron Maiden em um formato mais solto e acompanhado por um músico do calibre de Kotzen foi um momento histórico. Foi a finalização perfeita para uma apresentação que priorizou a musicalidade.

Setlist:
1. Life Unchained
2. Black Light
3. Wraith
4. Blindsided
5. Taking My Chances
6. Darkside
7. Got a Hold on Me
8. White Noise
9. Scars
10. Running
11. Wasted Years (Iron Maiden cover)


Foto: @guiurban/MHermes Arts

Within Temptation
Quando as luzes do palco principal se acenderam para o Within Temptation, ficou claro que estávamos diante do espetáculo visual mais impressionante de todo o Bangers Open Air 2026. O grupo holandês não trouxe apenas um show, mas uma verdadeira experiência cinematográfica, com o melhor jogo de luzes do festival, criando uma atmosfera que oscilava entre o épico e o etéreo. Mesmo que se apresentassem várias noites seguidas, o público provavelmente continuaria lá, hipnotizado. É uma banda que parece incapaz de cansar sua plateia.

No centro desse turbilhão visual e sonoro, a voz de Sharon den Adel provou ser, mais uma vez, algo de outro mundo. Classificá-la como “angelical” ainda parece pouco para descrever a carga emocional que ela coloca em cada nota. Sharon não apenas canta, ela flutua sobre as composições mais pesadas, entregando uma performance emocionante e tecnicamente impecável, capaz de arrepiar até o fã mais exigente. Sua presença de palco é magnética, equilibrando força e delicadeza com a naturalidade de quem sente cada palavra que interpreta.



Foto: @guiurban/MHermes Arts

Mesmo com um set relativamente curto, de cerca de 1h15, os veteranos souberam administrar o tempo com maestria. O repertório trouxe um equilíbrio entre a fase mais recente, marcada pelo peso e pela abordagem mais política do álbum Bleed Out, e os clássicos que ajudaram a construir a trajetória da banda. Momentos como "Faster" e a intensa "Lost" figuraram entre os pontos altos da apresentação, estabelecendo uma conexão profunda com o público.

Além dos sucessos mais conhecidos, o Within Temptation ainda presenteou os fãs com raridades que há anos não apareciam ao vivo, como "The Howling", "The Heart of Everything" e a surpreendente "Forsaken", ausente dos palcos desde 2008. Essa escolha de repertório, aliada à entrega total da banda, consolidou o show não apenas como um dos destaques do domingo, mas como um dos momentos mais marcantes de toda a edição do festival.

Setlist:
1. We Go to War
2. The Howling (primeira vez desde 2016)
3. Stand My Ground
4. Bleed Out
5. Ritual
6. In the Middle of the Night
7. The Heart of Everything (primeira vez desde 2019)
8. Faster
9. Wireless
10. Lost
11. Forsaken (primeira vez em público desde 2008)
12. Paradise (What About Us?)
13. Don't Pray for Me
14. Ice Queen
15. Mother Earth


Foto: Marcos Hermes

O início do show do Angra
O encerramento do Bangers com seu principal headliner não foi apenas um show; foi um evento de proporções históricas para o metal brasileiro. O Memorial da América Latina estava completamente tomado por um “mar de camisetas do Angra”, um sinal visual claro da grandiosidade do que estava por vir. A reunião “Nova Era” atraiu fãs de todos os cantos do país, como o caso de um rapaz que viajou de Brasília exclusivamente para ver a banda, sem sequer conhecer o restante do lineup, um testemunho do impacto cultural e da fidelidade que o Angra desperta.

Para quem esperava uma ordem cronológica óbvia de vocalistas, o grupo surpreendeu logo de cara, subvertendo qualquer previsão. O início foi uma celebração emocionante da história: um telão exibindo fotos de todas as formações e integrantes que já passaram pela banda, servindo como um tributo visual a cada capítulo dessa trajetória. Após uma abertura explosiva, com fogos que iluminaram o céu do Memorial, o show começou com o atual vocalista Alirio Netto assumindo a linha de frente em dois clássicos absolutos: "Nothing to Say" e "Angels Cry".


Foto: Marcos Hermes

Alirio subiu ao palco com uma autoridade admirável, deixando claro que sua missão não era mimetizar o passado, mas honrá-lo com sua própria identidade. Ele entregou uma performance marcante, imprimindo sua personalidade e mostrando que não busca copiar nenhum dos vocalistas anteriores. Sua interpretação trouxe novas nuances a trechos icônicos, alterando entonações características de forma corajosa e técnica, provando ser o nome certo para conduzir a banda neste momento de renovação.

A terceira música marcou a primeira grande transição emocional da noite: Fabio Lione assumiu o microfone para a suave e progressiva "Tide of Changes - Part I". O clima era de reverência absoluta; o público, ciente de que aquele seria o último show de Lione com o Angra, retribuiu cada nota com um carinho palpável. Foi um início que deixou claro que a grandeza da banda reside justamente na soma de todas as suas fases, unindo gerações de fãs em um espetáculo que, logo em seus primeiros minutos, já se mostrava inesquecível.


Foto: @guiurban/MHermes Arts

Dirkschneider
Ao mesmo tempo em que rolava Angra, estávamos conferindo o encerramento do Sun Stage, sendo uma verdadeira aula de heavy metal tradicional. Udo Dirkschneider subiu ao palco para provar que o tempo pode passar, mas o aço permanece inoxidável. O que se viu foi uma celebração absoluta, com a “velha guarda” do metal marcando presença em peso e lotando cada centímetro do espaço para ovacionar um dos maiores e mais respeitados ícones da história do gênero.

O grande atrativo da noite era a execução na íntegra do álbum Balls to the Wall, um dos pilares do metal mundial. Ver o clássico ser apresentado faixa a faixa, desde a música-título, que gerou um dos coros mais ensurdecedores do festival, até pérolas como "London Leatherboys" e a melancólica "Winterdreams", foi um privilégio histórico. A voz de Udo continua com aquele timbre de “lixa” inconfundível, atravessando o tempo com a mesma força de décadas atrás.


Foto: @guiurban/MHermes Arts

A banda que acompanha o mestre é uma unidade de precisão germânica. O som estava pesado, seco e direto, exatamente como o Accept clássico pede. A abertura com "Fast as a Shark" já havia colocado o Sun Stage em ponto de ebulição, mas foi a sequência do álbum que manteve o clima de reverência. O público old school, em sua maioria, via em Udo não apenas um cantor, mas a personificação de um legado que segue vivo e relevante.

Para fechar com chave de ouro, o bis trouxe hinos imortais. "Princess of the Dawn" transformou o Memorial em um coro hipnótico e sombrio, seguida pela explosiva "Burning", que selou a noite de forma grandiosa. Dirkschneider entregou o show mais “puro” do domingo, uma aula de resistência e de heavy metal.

Setlist:
1. Fast as a Shark
2. Living for Tonite
3. Midnight Mover
4. Balls to the Wall
5. London Leatherboys
6. Fight It Back
7. Head Over Heels
8. Losing More Than You've Ever Had
9. Love Child
10. Turn Me On
11. Losers and Winners
12. Guardian of the Night
13. Winterdreams
14. Princess of the Dawn
15. Burning 

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