Praticamente 18 anos depois de sua única passagem pelo Brasil, My Chemical Romance se apresentou para um Allianz Parque lotado


19 de Fevereiro de 2008, essa foi a data do último show do My Chemical Romance em São Paulo, pela turnê do álbum "The Black Parade", lançado dois anos antes. Além de São Paulo, eles também passaram pelo Rio de Janeiro e Curitiba.

Cinco anos depois, em 2013, eles entraram num hiato durou até 2019, quando alteraram sua identidade visual, após dois meses, se apresentaram em Los Angeles e em 2022 revelaram uma faixa inédita. Desde então, a mensagem de todos (seja no Brasil ou toda a América do Sul) era de "come to...", tendo desde boatos para performance no Lollapalooza até jornalista divulgando mês de show em 2023, algo que acabou não acontecendo, mas se converteu num anúncio oficial em Junho de 2025, com uma data esgotada rapidamente e, no início de Julho/25, a tão esperada segunda data.

Os meses foram se passando, o ano virou, a ansiedade foi aumentando e o My Chemical Romance "come to... America Latina", se apresentando no Peru, Chile (2x) e Argentina antes de chegar no Brasil e sua dose-dupla em São Paulo.

Sendo nossa primeira cobertura do ano, podemos desembarcar em São Paulo com nossa companheira Aerotour, podendo acompanhar toda a expectativa do público no entorno e na fila, antes dos portões terem aberto por volta das 16h.


Após o público ter preenchido os setores do estádio, algo que faz com que fiquemos cada vez mais ansiosos pela atração principal, a (também estrelada) banda de abertura entrou no palco pontualmente às 19h30.

The Hives, antes da pandemia, havia feito show por aqui em 2014, como banda de abertura do Arctic Monkeys, mas, depois da volta aos shows, estiveram por aqui em 2023, 2024 e em 2025 para compromissos promocionais, marcando presença em solo brasileiro pelo quarto ano consecutivo.

Liderada por Pelle Almqvist, que continua mostrando uma enorme presença de palco, seja interagindo com o público, falando "boa noite, paulistas", "gostoso, não?", "senhoras e senhores", entre outros, enquanto convidava o público a gritar cada vez mais alto ou pedindo para cantar juntos, sempre em português, além ir com a galera da grade, chamar todos para bater palmas, girando microfone em alguns momentos e não parando por nenhum segundo por aproximadamente 50min, a banda formada (e apresentada durante 'Tick Tick Boom' e um gole de cerveja) por Nicholaus Arson (guitarra), Vigilante Carlstroem (guitarra), Chris Dangerous (bateria) e The Johan and Only (baixo) apresentou faixas presentes em praticamente todos os álbuns compostos durante seus quase 30 anos de estrada, indo desde " Veni Vidi Vicious" (2000), "Tyrannosaurus Hives" (2004), passando por "Lex Hives" (2012) e "The Hives Forever Forever the Hives" (2025), seu álbum mais recente (confira trechos do show aqui). 

Mesmo com uma performance digna de ser atração principal, o público certamente estava ansioso (acho que já escrevi isso aqui antes), pela atração principal (algo se era notado com os momentos mais intensos de palmas sendo quando Pete pediu elas para o MCR) que, após os ajustes de palco, apareceram para um Allianz Parque lotado antes mesmo do previsto (21h).

 
Depois de quase 18 anos exatos, o My Chemical Romance subiu no palco formado por Gerard Way (vocais), Ray Toro (guitarra), Frank Iero (guitarra), Mikey Way (baixo) e Jarrod Alexander (bateria), com ele sendo a única mudança em comparaçao com 2008, quando o baterista era Bob Bryar (que saiu da banda em 2010 e faleceu em 2024). 

Fazendo parte da tour que comemora 20 anos do álbum "The Black Parade", ela foi iniciada em Julho e, até Setembro, passou pelos Estados Unidos e Canadá, chegando agora na América do Sul e México, antes de ir para os Estados Unidos novamente.


Sendo uma apresentação dividida em duas partes, a primeira delas é focada no álbum "The Black Parade", com ele sendo tocado na íntegra e contendo um alto teor cenográfico, incluindo atores que contam a narrativa do disco.

Tendo uma trama passando em Draag, um local governado por uma ditadura que influencia a maneira com que a história vai desenrolando no palco ao longo do show, numa atmosfera que vai se tornando mais imersiva com cenografia temática, personagens presentes em todos os shows, imagens e vídeos que ilustram o domínio extremo do ditador sobre o povo de Draag, mesmo que não entendemos imediatamente, por conta de ser em Keposhka, um idioma próprio desse mundo fictício (confira algumas mensagens exibidas no telão e que foram traduzidas aqui). 

Passando num hospital psiquiátrico dentro desse mundo fictício, os membros da banda estão trajados como se fossem pacientes rodeados de  enfermeiras e ajudantes que também são da banda de apoio, performando com seus instrumentos quando não estão atuando como personagens presentes na narrativa em questão. 

Ao decorrer da história o personagem de Gerard  entra em conflito com os interesses do hospital, até resultar numa encenação com The Clerk, personagem da trama, sendo esfaqueado pelo vocalista Gerard Way exibindo as vísceras da sua vítima para a plateia, servindo como uma crítica para todas as violências políticas e regimes autoritários. 


Com as projeções já citadas, iluminação e, obviamente, a cenografia dando mais poder ainda para a atuação e sua estética teatral, eles conseguiram, com maestria, mesclar a experiência narrativa imersiva sem deixar lado o ponto principal que é a música, resultando num espetáculo à parte para todo o público presente no estádio. 

Tendo também novos arranjos (como quando a cantora de ópera Charlotte Kelso assumiu o papel feito nos estúdios por Liza Minelli em 'Mama', além da performance ser dominada por uma pirotecnia digna de esquentar a pista Premium), um trecho teatral com a faixa 'The Eye' (enquanto um olho gigante se movimentava, nos vigiando constante, enquanto também era uma das referências ao livro "1984"), o instrumental 'The Big Sky', 'Famous Last Words' com a pirotecnia ainda mais bem elaborada, e as reprises de 'Welcome to the Black Parade' (que anteriormente já havia sido entoada pelo estádio como se fosse uma só voz em êxtase, algo que aconteceu com mais destaque também em 'Teenagers', dois dos maiores hits do álbum), 'The End' e a encenação citada anteriormente, a primeira parte do show contou com 14 músicas.


Depois de tocar "The Black Parade" inteiro, o restante do show foi com músicas de seus outros álbuns, incluindo hits que fizeram o estádio ir abaixo, cantando em uníssono obras como 'Helena', 'I'm Not Okay (I Promisse)' e 'Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)', mas sem a banda esquecer de performas alguns B-Sides que completam o restante do repertório. 

Agora sem atuações ou trajes especiais, mas sim uma alegria espontânea e emoção genuína de estar diante dos brasileiros tanto tempo depois, se apresentando agora com roupas normais como jaqueta, camiseta e calça jeans, para muitos espectadores estando sim trajados de looks icônicos da banda, enquanto cantavam juntos, choravam, se divertiam e aproveitavam cada momento de uma parte do show mesclada entre hits e faixas que não se repetem quando comparadas ao dia anterior, como 'Our Lady of Sorrows', 'Bury me in Black', 'SING', 'Planetary (GO!) (pedida pelo Ray Toro),' To the End' (executada pela segunda vez em 20 anos), 'DESTROYA' e 'The Foundations of Decay', faixa lançada depois que retornaram do hiato e que foi tocada pela primeira vez como de encerramento. 

Confira trechos do show aqui

Fazendo valer os quase 20 anos de espera e com uma química tão grande quanto no seu auge, essa foi uma noite que certamente ficou para a história, seja para a cena de shows internacionais no Brasil, para o Allianz Parque ou para cada um dos que vivenciaram intensamente toda a atmosfera, seja antes (no entorno do estádio ou até chegar nele), durante o espetáculo ou depois (já torcendo por uma enigmática volta). 

My Chemical Romance Setlist Allianz Parque, São Paulo, Brazil, The Black Parade 2026

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