O domingo do Lollapalooza que sempre carrega aquela energia de despedida intensa, como se todo mundo quisesse viver os três dias em um só. Mas esse ano teremos um ingrediente diferente: a expectativa absurda para o show do Turnstile.
E não é exagero.
O Turnstile vive a fase mais interessante da história da própria banda. Depois de explodirem com Glow On, eles deixaram de ser "apenas" uma banda de hardcore para se tornar um fenômeno cultural que atravessa as chamadas bolhas. Eles continuam pesados, intensos e com aquela energia caótica de Baltimore, mas agora com melodias mais abertas, refrões ensolarados e uma atmosfera que mistura catarse e celebração. É o hardcore que abraça, que dança, que emociona.
Essa fase atual é bem menos sobre provar algo e muito mais sobre ocupar espaço. Eles já provaram tudo.
E aí que entra o contraste mais simbólico que poderiamos ter: a recente apresentação no NPR Tiny Desk Concert.
Tiny Desk Concert sempre Foi um território de sutileza, intimismo, arranjos contidos. E o Turnstile fez o impensável: transformou aquele escritório em um ambiente coletivo. Teve roda, teve energia transbordando e, pela primeira vez na história do programa, rolou mosh pit, algo quase que inacreditável para o formato do programa. E mais: o primeiro table dive já registrado lá.
Hardcore dentro do escritório da NPR, quem imaginaria?
Mesa de madeira virando palco de salto.
Catárse em formato compacto.
Aquilo não foi só uma performance, foi um manifesto! O Turnstile não teve que se diminuir para caber no espaço. Eles expandem o espaço até caber a intensidade deles.
E é exatamente por isso que o domingo do Lolla promete ser histórico.
Se no Tiny Desk eles transformaram uma sala apertada em explosão coletiva, imagina o que podem fazer com um mar de gente no Autódromo de Interlagos? O mosh não vai ser detalhe, vai ser linguagem. O coro não vai ser apoio, vai ser protagonista. Vai ter caos, mas vai ter sorriso. Vai ter empurrão, mas vai ter abraço depois.
Porque o Turnstile hoje é isso: peso com luz acesa.
Para quem gosta de música intensa, de banda que vive o palco e de momento que vira memória, esse show tem tudo para ser aquele tipo de apresentação que você vai contar daqui a anos dizendo: “eu tava lá”.
E domingo, no meio da poeira, do suor e dos gritos em uma só voz, talvez a gente veja algo raro: uma banda no auge encontrando um público pronto para explodir junto.




