Incêndio grava DVD e CPM22 dá show com muita energia no último dia de Maio Musical em Indaiatuba


Texto e fotos: Ricardo Vitorino

Ninguém do público sabia, mas os indaiatubanos da Incêndio gravaram o show de domingo no Maio Musical, a ser postado no YouTube em breve; o evento seguiu com a euforia dos paulistas do CPM22

Com 30 anos de tradição, o evento Maio Musical em Indaiatuba tem o objetivo de incentivar e divulgar a música, principalmente a municipal. Após um mês recheado de atrações alto nível, como Os Paralamas do Sucesso, Melim e Kiko Zambianchi, além das atrações locais, como Panapaná, a Orquestra Jovem de Indaiatuba e Hutal, no último dia de evento, os indaiatubanos da Incêndio e os paulistas do CPM22 foram responsáveis pelo remate.

Na ensolarada tarde do último domingo, 29, saí da minha casinha na saudosa Elias Fausto e fui até Indaiatuba de ônibus, trajeto que já fiz mil vezes, mas dessa vez foi mais especial… Minha primeira cobertura de show, que, apesar do nervosismo, foi uma experiência única; descobri o meu novo lugar favorito para se assistir um show: o pit. E falando do diabo, vamos aos detalhes!

 

Já pela introdução do show, um interlúdio e “solo” de bateria de Yuri Gavira, o público vai ao delírio; isso mostra um terço da fidelidade de seus fãs. Começando pontualmente às 18 horas, a banda entrou com os dois pés no peito, começando com o single “Até Breve”, que teve a parte hardcore cantada por Jhowzinho, o guitarrista de apenas 19 anos, com muita presença de palco, com momentos até dele deixando a guitarra e correndo pelo palco, colocando para fora toda a energia que a Incêndio passa, até mesmo para os próprios integrantes.


E os shows da Incêndio são todos sobre isso: energia; estar com quem você ama e se importa, curtindo boa música com danças catárticas. Agora que estou vivenciando isso, é bem difícil falar sobre um show da Incêndio, mesmo já tendo visto várias apresentações da banda, o divisor de águas deste aconteceu no meio do show um anúncio arrebatador: tudo aquilo estava sendo gravado por Adriano Ferreira, do Boomer Studio, a ser lançado no YouTube na íntegra, na melhor qualidade possível, ainda sem data de lançamento prevista. No futuro, poderemos assistir a energia da Incêndio em qualquer lugar do mundo; ou melhor, presenciar a história entalhada e carimbada na cena underground.


Esse foi o 25° show da Incêndio desde outubro, passando por cidades como Salto, São Bernardo do Campo, São Paulo… porém esse dia em específico teve cada detalhe ensaiado: desde a entrada dos membros, com identidade visual preta e vermelha – destacando aqui a jaqueta, no
 estilo DIY do vocalista Guilherme Barboti, feita pela artista Stefany Rosa – até os giroscópios do baixista Lucas Nagahiro e Jhowzinho, que pulavam e agitavam muito; presença de palco é o sobrenome da banda! Momentos de participação do público foram memoráveis, como na música “Mais Um Trago”, que Guilherme pediu para todos erguerem celulares com flash ligado; dedicou a música para seu amor, Gabriela.



 

Foi um show “padrão Incêndio”, que só quem já viu sabe como é, mas a novidade mesmo foi uma música inédita, descrita no setlist como “Pepsi”, com mensagens positivas e motivacionais na letra, mas que tem um breakdown… Meu pai, achei que não ia aguentar na hora, que peso! Estar lá foi, no mínimo, maravilhoso, vocês poderão ver por si mesmos em breve que eu estou falando muito sério.


Foto: @belavary

Logo após a foto acima, os roadies do CPM já entraram em ação, preparando as guitarras, baixo e bateria. Marcado para as 19 horas, a banda começou a tocar só 19:30, devido a montagem do palco e prefeito de Indaiatuba e cia, que organizaram o evento. Mesmo antes disso, quando um roadie simplesmente pegou o microfone de Fernando Badauí, antes dele subir no palco, os fãs já vibravam incessantemente; “Uh, é CPM!” repetiam os espectadores.

Provavelmente o maior nome do hardcore nacional e com mais de 25 anos de carreira, naturais de Barueri-SP, o CPM22 fechou o domingo com um show híper enérgico, um setlist de 24 músicas, que rolou até as 21:10, aproximadamente, todos ligados no 220. Começaram com o single “Escravos”, gravado já com a nova formação, estabelecida desde a saída de Japinha e Fernando Sanches, baterista e baixista, em junho de 2020, substituídos por 
Daniel Siqueira e Ali Zaher respectivamente.

Apesar de Badauí espirrar um spray para garganta a cada duas músicas, este possível problema do vocalista não atrapalhou em nada o show, com uma performance de alto nível, sem arregar! Só a guitarra do Phil que parou duas vezes no começo do show, mas tudo rapidamente solucionado pela equipe técnica.

A verdadeira cara do show foi o baterista Daniel Siqueira, tocando bem forte e muito preciso, além de continuidade impecável: com a mesma força que tocava a caixa na primeira música, tocava na mesma intensidade na última. Completando a cozinha, o baixista Ali Zaher entende muito bem o papel do baixo na banda, também ótimo músico, agregando suas lindas melodias, junto da harmonia, para as canções do grupo paulista.


Depois do sucesso “Dias Atrás”, rogado aos berros por muitas pessoas na primeira fila, Badauí apresenta a próxima música como um ska e fala que “o som é bom para curtir com os amigos” e fez o famoso gesto de pinça até a boca. Se não bastasse isso, Luciano Garcia, guitarrista, puxou um trecho da canção “Mantenha o Respeito”, do grupo carioca Planet Hemp; Badauí também discursou sobre a legalização da erva de Jah. 



Foi o primeiro show da banda que eu assisti e me surpreendeu demais, mesmo com a idade avançada dos membros com mais tempo de banda, nada afetou na energia que passaram para o público, pulando de um lado para o outro do palco, chamando os fãs, puxando coro na plateia… A presença de palco está em dia, atitude
 hardcore da banda continua muito viva! E o público incansável, mesmo a galera que viu a Incêndio, continuou aplaudindo todas as 24 músicas do CPM, como se fosse a primeira e gritando nos clássicos.

Apesar da banda não tocar o meu gênero musical favorito, ainda sim é muito prazeroso ver o CPM no palco, bons músicos fazem toda a diferença e isso eles têm de sobra! O fiz pouco, mas também é legal demais olhar para trás e ver a galera se emocionando e cantando cada trecho de letra com o resto das forças que tem. Duas bandas que não tem tanto a ver uma com a outra, falando de musicalidade, mas que se encontram no final: a fidelidade na base de fãs.

SETLIST:



COMPILADO SHOWS (por Elio Sant'Anna):




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