Free Guy é um divertido e original ode aos gamers e geeks

 

Quando se fala em filmes de games, logo pensamos em um blockbuster cheio de ação e explosões, um elenco de peso e é claro, uma adaptação. Porém ainda em 2018, Spielberg nos mostrou que não é preciso depender de uma adaptação para fazer um filme de game. Agora é a vez do veterano Shawn Levy beber da mesma fonte. Dono de um currículo cinematográfico de respeito que é basicamente constituído de comédia e ação, Free Guy, o mais novo longa do diretor, é uma mistura divertida e na dose certa desses dois elementos.

Free Guy conta a história de Guy (Ryan Reynolds), um NPC que vive dentro de um jogo de vídeo game de mundo aberto chamado Free City e sua única função é ser um figurante no meio toda a ação que acontece à sua volta. Até que um dia ele começa a sonhar com a ideia de que há mais na vida do que apenas ser uma vítima. Quando ele consegue por as mãos em um par de óculos que lhe faz enxergar itens como vida e acessórios do jogo sua vida se transforma.

A partir dessa premissa, seria fácil num primeiro momento dizer que essa é só mais uma comédia digna da Sessão da Tarde. Mas a originalidade do roteiro surpreende. Fora do jogo, uma empresa controla o game e planeja lançar uma sequencia às pressas visando apenas o lucro e negligenciando a qualidade do game. Aí já vemos uma crítica à indústria milionária dos games, e que por acaso lembra muito o caso da CD Projekt, empresa responsável pelo game Cyberpunk 2077 que acabou sendo o maior fiasco da história dos games. Detalhe: o filme foi produzido muito antes do ocorrido.

Para quem ama cinema e vídeo games, como é o caso deste redator que voz fala, Free Guy é uma experiência única. De itens espalhados pelo cenário à situações de “morrer e ressuscitar” constantemente, quase como um Dia da Marmota, Shawn Levy não economiza em rechear o longa de elementos típicos, clássicos e até clichês de games. Tudo resultando num filme que quase parece um simulador de realidade virtual.

O roteiro ainda encontra espaço para acompanharmos Keys. Um jovem programador que trabalha na empresa e sua amiga que são de fato os responsáveis pelo jogo original e tiveram suas ideias vendidas e usadas incorretamente. Com tanta coisa acontecendo, o longa ainda passa uma mensagem sobre a importância de vencermos o medo e ter a liberdade para escolher fazermos o que nos faz feliz nessa vida. Uma metáfora sobre quebrarmos as barreiras que nos são impostas e que não somos obrigados a seguir uma “programação” das expectativas que são colocadas sobre nós.

Além disso, se tratando de um filme de games é claro que não poderia deixar de faltar uma chuva de referências não só à diversos games, mas de toda a cultura pop em geral. Um prato cheio para os gamers e geeks em geral. Shawn Levy mais uma vez mostra que conhece o território da comédia e da ação e que ainda sabe juntar isso à ótimas referências, piadas e agradar o seu público de forma simples, porém criativa. Ryan Reynolds é um ator carismático que sabe fazer comédia, entende seu timing e nunca deixa a desejar.

Em nenhum momento, o filme tenta ser mais do que se propõe, tendo plena consciência de que é uma comédia com classificação indicativa de 12 anos. E nem por isso Levy se subestima ou subestima seu público. Ok, pode não ser o filme do ano, mas também não “cai” na categoria de Sessão da Tarde. Free Guy é divertido, criativo, inteligente, estimulante, engraçado, passa sua mensagem e cumpre com as expectativas.

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