50 anos de “IV”: uma jornada enigmática, experimental e bem-sucedida do Led Zeppelin

Texto por Eduardo dos Santos Silva
                            
Como se fosse ontem, lembro do primeiro impacto ao tomar este disco em mãos, no alto de meus 10 anos de idade. Sem nada que pudesse identificá-lo verbalmente, contei com a recomendação assertiva da minha mãe, dona do LP que, ao perceber minhas inclinações ao rock, enxergou nele mais um elemento a ser somado no meu repertório. Nesta toada, Led Zeppelin IV chega em 2021 completando 20 anos na minha vida e 50 anos na História. O chiado e os ruídos que precedem “Black Dog” e inauguram as oito faixas são fundamentais como suspense, antes mesmo das cortinas sonoras se abrirem aos seus ouvidos. Como marinheiro de primeira viagem, você espera por um acorde de guitarra ou por um discurso inaugural de bateria. Porém, ao entrar a voz de Robert Plant, vem o susto: o verso é um tiro no escuro, que não explicita compasso, forma, nem o destino do conteúdo. De repente, a banda chega destrambelhada, sem aviso prévio, como se estivessem em um trator desgovernado que passa por cima de qualquer expectativa ou obviedade. A partir daí, um misto de ambição, ousadia e provocação dá o tom de uma jornada experimental que acompanhou a banda por muitos anos. De um aceno aos anos 50 com “Rock ‘n Roll” às interlocuções espirituais de “Stairway to Heaven”, de uma contemplação hippie com “Going to California” às reverberações polifônicas e sisudas de “When the Levee Breaks”, o disco nos leva para várias dimensões, em uma espécie de síntese de tudo que era produzido naquela virada de década turbulenta, perdida na dissolução de utopias e nas alças de um mercado assustadoramente promissor. Há 50 anos, Led Zeppelin IV
é comentado, presenciado e vivido por um mundo que se esfacela e se reconstrói sobre os mesmos alicerces, sem perder seus aspectos fundamentais de contemporaneidade. Que assim siga, por mais 50, 100 ou 500 anos: absolutamente incapaz de envelhecer!

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