Recentemente tivemos a oportunidade de conferir WILL: Follow the Light, jogo publicado/desenvolvido pela TomorrowHead Studio e que está disponível desde o último dia 7 para PC, PS5 e Xbox Series.
INTRODUÇÃO
Sendo um jogo narrativo de aventura em primeira pessoa, a experiência acompanha Will, um faroleiro solitário que vive isolado no Ártico e tem sua rotina completamente transformada após receber uma mensagem de rádio revelando que um desastre atingiu sua cidade natal. Em meio às informações confusas transmitidas pelo rádio, ele descobre que seu filho está desaparecido, dando início a uma jornada marcada por sobrevivência, exploração e forte carga emocional.
A partir desse acontecimento, o protagonista embarca numa travessia perigosa pelos mares gelados da região ártica, enfrentando tempestades violentas, ventos extremos e os desafios constantes impostos pela própria natureza. Toda a narrativa se desenvolve em torno dessa busca desesperada, enquanto o jogador precisa navegar à vela por águas hostis e explorar diferentes locais em busca de respostas.
Além da atmosfera contemplativa e melancólica, o jogo também constrói boa parte da experiência por meio de puzzles ambientais e sistemas ligados à operação da embarcação. Durante a jornada, precisamos interpretar sinais de rádio, reparar equipamentos, analisar condições climáticas, administrar recursos e resolver quebra-cabeças que ajudam tanto na progressão da gameplay quanto na revelação gradual da história.
Mais do que apenas uma aventura de sobrevivência, o título utiliza sua ambientação isolada e o clima constante de tensão para desenvolver temas ligados à perda, traumas familiares, culpa e reconstrução emocional. Conforme avançamos pela exploração, a narrativa passa a equilibrar momentos de silêncio contemplativo com situações de perigo, criando uma experiência bastante imersiva e emocional ao longo da campanha.
MENU E INÍCIO
Abrindo o jogo de forma bastante direta e intuitiva, o jogador já é levado imediatamente para uma série de configurações iniciais antes mesmo de mergulhar na experiência principal. Entre as opções disponíveis, estão os idiomas de exibição da interface, permitindo escolher entre Alemão, Chinês (simplificado), Chinês (tradicional), Coreano, Espanhol, Francês (França), Inglês, Italiano, Japonês, Polonês, Português (Brasil), Russo e Turco. Um detalhe interessante é que o próprio jogo identifica automaticamente o idioma configurado no console e já deixa essa opção previamente selecionada, tornando o processo mais prático logo nos primeiros minutos.
Além da parte de localização, o menu inicial também oferece ajustes importantes relacionados à jogabilidade e conforto visual. É possível alterar configurações de câmera, personalizar aspectos ligados ao movimento dos personagens, modificar a transparência da vela presente na interface e ajustar a sensibilidade do controle de acordo com a preferência de cada jogador. Mesmo sendo um conjunto simples de opções, tudo aparece organizado de maneira clara, transmitindo a sensação de que o jogo se preocupa em permitir uma experiência mais confortável e personalizada desde o começo.
GAMEPLAY
Iniciando a jogatina, o jogo surpreende por ir direto ao ponto. Não existe uma cena de abertura tradicional ou algum vídeo introdutório explicando a narrativa. Assim que tudo começa, já assumimos imediatamente o controle das velas do barco em meio a uma tempestade intensa, com ondas violentas e ventos fortes, criando uma sensação constante de urgência. O clima caótico funciona como um primeiro teste rápido das mecânicas básicas de navegação, até que acabamos sendo derrubados pelo mar agitado.
Após esse momento inicial, somos levados para um ponto de controle, onde começa de fato a introdução prática das mecânicas principais. Nesse local, o personagem precisa sincronizar uma torre de transmissão, recebendo dali as primeiras instruções sobre como sobreviver e operar dentro daquele universo. Aos poucos, o jogo apresenta elementos como leitura da velocidade do vento, análise da densidade da água, reparos na própria torre de transmissão e outros sistemas ligados à exploração e resolução de quebra-cabeças ambientais.
Desenvolvido na Unreal Engine 5, o jogo mistura elementos de simulador de caminhada com uma operação relativamente realista de um barco à vela em águas perigosas. Em diversos momentos, somos obrigados a tomar decisões rápidas em situações tensas, especialmente durante tempestades ou quando obstáculos aparecem repentinamente no caminho. Ao mesmo tempo, existe uma forte presença de tarefas mais lentas e cotidianas, ligadas à manutenção da embarcação e à sobrevivência em alto-mar.
Durante a exploração, precisamos lidar constantemente com condições climáticas extremas, testar equipamentos de rádio, administrar geradores de energia, interpretar dados relacionados às tempestades, ajustar velas, calcular rotas de navegação e evitar colisões capazes de comprometer seriamente o barco. Além disso, o jogo também aposta bastante na interação manual com objetos espalhados pelo cenário. Recolher mantimentos, mover caixas para encontrar combustível escondido, acionar âncoras e reorganizar equipamentos fazem parte da rotina da gameplay, com praticamente cada item manipulado contribuindo tanto para os quebra-cabeças quanto para a construção da narrativa.
Outro ponto interessante é que o jogo evita seguir o formato de “filme interativo”, algo bastante comum em experiências narrativas modernas. Em vez disso, ele aposta numa imersão mais orgânica, deixando o jogador descobrir informações por meio da exploração e das próprias ações realizadas ao longo da jornada. Toda a experiência gira em torno da busca pelo filho desaparecido do protagonista, motivação que conduz a exploração do mapa e dá peso emocional às descobertas feitas durante a aventura.
VISUAL E CENÁRIO
Com uma atmosfera fortemente cinematográfica, a experiência constrói desde os primeiros minutos uma sensação constante de isolamento, mistério e urgência. A jornada começa em cenários dominados por faróis, postos meteorológicos e estruturas afastadas no meio do Ártico, locais silenciosos e castigados pelo clima extremo que ajudam a reforçar o peso emocional da narrativa e a solidão enfrentada pelo protagonista.
Conforme avançamos, o jogo expande sua ambientação para vastas áreas marítimas, colocando o jogador diante de águas extensas e imprevisíveis. A navegação se torna um dos grandes destaques da experiência, principalmente pela forma como a física do oceano reage de maneira bastante convincente. O movimento das ondas, a força do vento, a chuva intensa e a neblina espessa trabalham juntos para criar uma sensação constante de vulnerabilidade no mar aberto.
Visualmente, a água impressiona em diversos momentos, especialmente durante tempestades, quando a iluminação dinâmica, os reflexos e o comportamento do oceano ajudam a elevar ainda mais a imersão. Os relâmpagos cortando o céu escuro, o balanço agressivo do barco e a visibilidade reduzida pela chuva fazem com que várias sequências transmitam uma tensão genuína durante a navegação.
Mais adiante, a aventura também leva o jogador para regiões cobertas por neve e áreas completamente inóspitas, ampliando ainda mais a variedade visual da campanha. Em determinados momentos, a exploração abandona temporariamente o barco e introduz travessias em meio a nevascas, utilizando trenós puxados por cães, algo que reforça ainda mais o clima de sobrevivência extrema presente em toda a jornada.
Além da direção artística, a iluminação possui um papel importante não apenas visualmente, mas também nas próprias mecânicas do jogo. A lanterna carregada pelo protagonista funciona como uma ferramenta essencial durante a exploração, principalmente em ambientes tomados pela escuridão e pela neblina intensa. O equipamento ainda pode receber filtros coloridos capazes de revelar símbolos escondidos, derreter camadas de gelo ou até interagir com elementos específicos do cenário, transformando a luz em parte central da resolução dos puzzles.
Esses efeitos também contribuem para alguns dos momentos visualmente mais bonitos da experiência, especialmente quando o jogo utiliza auroras boreais para criar cenas contemplativas em meio ao caos climático. Em vários trechos, a narrativa desacelera propositalmente para permitir que o jogador apenas observe o ambiente, reforçando o tom melancólico e introspectivo da aventura.
Os efeitos climáticos, por sua vez, ajudam diretamente a definir o ritmo da gameplay. O jogo alterna momentos de calmaria quase silenciosa no oceano com tempestades extremamente agressivas, utilizando elementos visuais como ondas violentas, vento intenso, mudanças bruscas de iluminação e impacto da chuva sobre o cenário para transmitir a sensação de perigo constante. Essa combinação entre ambientação, clima e exploração acaba sendo um dos pilares mais fortes da experiência ao longo da campanha.
TROFÉUS
Com 35 troféus ao todo, incluindo a platina, WILL: Follow the Light apresenta objetivos ligados tanto à progressão da narrativa quanto aos elementos de sobrevivência e exploração. Entre eles, estão completar o prólogo, preparar o farol para a chegada de uma tempestade, iluminar estruturas importantes ao longo da campanha e atravessar regiões congeladas utilizando trenós puxados por cães.
A lista também traz diversos desafios envolvendo colecionáveis espalhados pelo mapa, incentivando a exploração minuciosa dos cenários. Será possível encontrar coleções de fitas, desenhos, latas de chá, modelos de barcos em miniatura e outros itens opcionais, além de troféus secretos relacionados à observação ambiental, descoberta de áreas escondidas e interação com elementos específicos do cenário.
Já os troféus voltados à gameplay e sobrevivência adicionam desafios extras para os jogadores mais dedicados. Entre eles, estão concluir determinados trechos sem utilizar lanternas, finalizar toda a campanha em menos de cinco horas, completar a jornada sem causar danos ao barco e sobreviver a encontros perigosos com animais selvagens, incluindo baleias e ursos polares.
Confira toda a lista de troféus para PS5 e seus objetivos AQUI!!
CONCLUSÃO
WILL: Follow the Light entrega uma experiência narrativa bastante imersiva, utilizando sua ambientação no Ártico para construir uma jornada marcada por sobrevivência, exploração e forte carga emocional. Misturando navegação, puzzles ambientais e mecânicas de manutenção do barco, o jogo consegue criar uma experiência diferenciada dentro do gênero, apostando mais na atmosfera e na contemplação do que em ação constante.
Visualmente, o trabalho na Unreal Engine 5 ajuda a reforçar ainda mais o clima de isolamento, com destaque para os efeitos climáticos, a física do oceano e as paisagens congeladas. Ao mesmo tempo, a narrativa mantém o jogador envolvido ao transformar a busca pelo filho desaparecido do protagonista no centro emocional da aventura.
Mesmo com um ritmo mais lento e focado na exploração, WILL: Follow the Light se destaca justamente pela forma como utiliza silêncio, tensão e ambientação para construir uma experiência envolvente e cinematográfica do início ao fim.
A cópia digital do jogo foi disponibilizada para fins de review, feito diretamente do PlayStation 5 e ele está disponível para PC por R$ 74,20, PS5 por R$ 142,50 e Xbox Series por R$ 121,95. Valores da data em que essa análise foi publicada.





