Durante uma transmissão ao vivo no TikTok, Paul McCartney refletiu sobre a evolução da indústria musical, comentou a longevidade da música dos The Beatles e revelou diversos detalhes sobre seu novo álbum, The Boys of Dungeon Lane. Em um bate-papo descontraído, o músico também falou sobre descanso criativo, sua relação com o streaming, memórias envolvendo George Harrison e os diferentes projetos que segue desenvolvendo mesmo após décadas de carreira.
Logo no início da live, McCartney apareceu em clima descontraído ao lado do apresentador Ross, brincando enquanto preparavam a transmissão. Questionado sobre seu estado de espírito, respondeu que estava feliz por conta da chegada do novo álbum e pelo raro dia ensolarado em Londres. Em seguida, participou de uma série de perguntas rápidas enviadas pelos fãs, revelando que azul provavelmente é sua cor favorita, embora também goste de verde por lembrar sua mãe e as origens irlandesas da família.
O músico também comentou sobre hábitos do cotidiano, dizendo que atualmente prefere sapatos sem cadarço por conta da praticidade em aeroportos. Já ao descrever o novo disco em apenas três palavras, escolheu “memórias, família e amor”, estabelecendo uma conexão direta com temas pessoais que atravessam o projeto.
Em outro momento da transmissão, McCartney foi questionado sobre qual faixa do álbum John Lennon provavelmente escolheria. Segundo ele, a música “Days We Left Behind” talvez fosse a favorita do antigo parceiro justamente por carregar referências ligadas à história dos Beatles.
A live também contou com uma participação especial do produtor Andrew Watt, que enviou uma pergunta bem-humorada perguntando por que McCartney continua tão bonito. Em resposta, o músico brincou sobre uma estátua inspirada em seu rosto que Andrew encontrou durante uma viagem à Itália e acabou levando para o próprio jardim.
Durante a transmissão, McCartney ainda apresentou detalhes físicos da edição de The Boys of Dungeon Lane, fazendo uma espécie de unboxing ao vivo do vinil. O músico explicou que o material gráfico foi desenvolvido em parceria com David Lane, utilizando fotografias antigas tiradas por sua filha, Mary McCartney, além de colagens em silk screen produzidas pela artista Kate. Segundo Paul, a intenção era criar uma capa rica em detalhes, semelhante à experiência visual que ele buscava quando lançou Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, permitindo que os fãs passassem longos períodos observando cada elemento da arte.
As imagens presentes no encarte incluem registros da infância de McCartney, fotografias do irmão Mike, amigos próximos, além de referências a John Lennon e George Harrison. O músico também comentou que diversas fotos remetem às viagens de carona feitas por ele e George durante a juventude, especialmente aquelas que inspiraram a faixa “Down South”.
Ao explicar o conceito do título The Boys of Dungeon Lane, McCartney contou que “Dungeon Lane” era uma estrada próxima ao conjunto habitacional onde viveu em Speke, Liverpool. Segundo ele, bastava caminhar um pouco além das casas para encontrar áreas rurais e paisagens completamente diferentes da cidade. Foi nesse período que surgiu seu interesse por pássaros, tema que acabou influenciando diretamente a estética visual do disco.
McCartney revelou que carregava consigo um pequeno guia chamado The Observer’s Book of Birds, utilizado para identificar espécies encontradas nos campos próximos ao Rio Mersey. Entre as lembranças mais marcantes, destacou a visão de uma cotovia subindo verticalmente no céu enquanto cantava, descrevendo a cena como uma das imagens mais bonitas da juventude. Por isso, os pássaros aparecem de maneira recorrente na arte do álbum.
Ao comentar o processo criativo do disco, McCartney afirmou que raramente inicia um projeto com uma visão totalmente definida. O músico relembrou uma conversa com Jeff Lynne sobre o fato de muitos artistas da chamada “invasão britânica” nunca terem aprendido teoria musical formal. Segundo ele, tanto os Beatles quanto diversos músicos da época simplesmente “inventavam tudo”, aprendendo acordes de forma prática e compartilhando conhecimento entre amigos.
McCartney contou uma história curiosa dos primeiros anos da banda, quando ele e os colegas descobriram a existência de um rapaz em Liverpool que sabia tocar o acorde B7. Segundo o músico, eles chegaram a pegar um ônibus apenas para aprender o acorde com ele, algo que descreveu como parte fundamental do processo de descoberta musical dos Beatles.
O artista também revelou como nasceu a faixa de abertura do disco, “As You Lie There”. Segundo ele, tudo começou durante uma conversa casual com Andrew Watt, quando passou a experimentar acordes aleatórios no violão. Um desses acordes “estranhos”, que McCartney afirma até hoje não saber identificar tecnicamente, acabou servindo de ponto de partida para a composição.
Além das declarações sobre carreira e criatividade, a live também serviu como prévia inédita do novo álbum. Durante a transmissão, foram divulgados cerca de 30 segundos de “As You Lie There”, faixa de abertura de The Boys of Dungeon Lane. A música chamou a atenção dos fãs pela atmosfera intimista e melancólica apresentada no pequeno trecho revelado ao público.
Outra canção tocada durante a live foi “Down South”, sexta faixa do disco, apresentada logo após McCartney relembrar histórias envolvendo George Harrison. O músico contou que a faixa foi inspirada nas viagens de carona feitas pelos dois durante a juventude, incluindo um episódio curioso em que George acabou sofrendo uma queimadura ao encostar o zíper da calça na bateria de um pequeno veículo elétrico utilizado por um leiteiro no País de Gales.
Segundo McCartney, anos depois, ao conversar com Olivia Harrison, percebeu como as memórias podem mudar com o tempo. Olivia acreditava que havia sido Paul quem se machucara no episódio, enquanto o músico insistia que o acidente aconteceu com George Harrison.
Já nos momentos finais da transmissão, McCartney também revelou um trecho de “Come Inside”, oitava música do álbum, oferecendo aos fãs mais um vislumbre da diversidade sonora presente no projeto. Durante a votação realizada no chat da live, os espectadores escolheram ouvir “Come Inside” em vez de “Salesman Saint”.
Outro tema abordado durante a conversa foi a permanência da obra dos Beatles ao longo das gerações. McCartney afirmou que, quando a banda começou, acreditava que tudo duraria apenas alguns anos, algo comum para artistas da época. No entanto, a trajetória atravessou décadas e continua alcançando filhos e netos de antigos fãs. Para ele, o fato de crianças gostarem espontaneamente das músicas da banda representa um dos maiores sinais da força atemporal do catálogo dos Beatles.
Ao comentar as transformações no consumo de música, McCartney relembrou ter vivido todas as grandes mudanças da indústria, passando pelos compactos em vinil, LPs, fitas cassete e CDs até chegar ao streaming. Segundo ele, o formato pouco importa, desde que as pessoas continuem ouvindo música. O artista destacou como plataformas digitais facilitaram o acesso imediato a diferentes estilos musicais ao redor do mundo, citando gêneros como bossa nova, rock and roll e música africana.
McCartney também revelou utilizar o Spotify no dia a dia e afirmou admirar a facilidade de encontrar qualquer tipo de música instantaneamente. Para ele, o fato de um lançamento chegar globalmente no mesmo dia torna tudo ainda maior e mais conectado.
Questionado sobre criatividade e rotina, McCartney explicou que procura equilibrar períodos intensos de trabalho com momentos de descanso absoluto. O cantor contou que, após compromissos recentes nos Estados Unidos — incluindo participações no Saturday Night Live e no The Late Show with Stephen Colbert — decidiu retornar à Inglaterra para passar alguns dias no litoral e se desconectar completamente da música. Segundo ele, esse afastamento temporário faz com que a vontade de tocar guitarra ou piano volte naturalmente, sem pressão criativa.
Durante a conversa, McCartney ainda comentou que alternar entre diferentes linguagens artísticas ajuda a evitar desgaste criativo. Além da música, citou trabalhos recentes na televisão, humor e até o interesse por pintura, embora tenha admitido não encontrar muito tempo livre atualmente devido à quantidade de projetos em andamento.
A transmissão também abriu espaço para perguntas mais pessoais. Ao ser questionado sobre qual profissão teria seguido caso não tivesse entrado para os Beatles, McCartney respondeu que provavelmente teria se tornado professor de inglês, disciplina pela qual sempre demonstrou interesse na escola.
Em outro momento, o músico falou sobre o álbum Ram, explicando que o título surgiu durante o período em que viveu na Escócia ao lado de Linda McCartney. Segundo ele, os dois decidiram se afastar temporariamente do mundo dos negócios e passaram a viver em uma fazenda cercada por ovelhas, experiência que influenciou diretamente o conceito do disco.
Questionado sobre o contato com Ringo Starr, McCartney afirmou que os dois continuam conversando frequentemente por FaceTime. O músico aproveitou para elogiar a fase atual de Ringo na música country, dizendo que o ex-companheiro sempre foi o integrante dos Beatles mais conectado ao gênero.
Ao receber uma pergunta sobre qual conselho daria para si mesmo aos 20 anos, McCartney respondeu que diria para acreditar que tudo é possível e continuar praticando constantemente. Segundo ele, a confiança cresce naturalmente conforme a dedicação aumenta.
Encerrando a transmissão, o músico aproveitou para promover oficialmente "The Boys of Dungeon Lane". Segundo McCartney, o disco reúne músicas bastante diferentes entre si, reforçando justamente essa variedade artística que ele considera essencial para continuar inspirado após tantos anos de carreira.





