Lucas Inutilismo captura o peso do arrependimento no videoclipe 'E Se?'


'E Se?' é o quarto single do EP "Abatido Mas Não Derrotado" (2025) do músico LVCAS, projeto de rock do youtuber Lucas Inutilismo. A faixa autoral aborda a pergunta existencial que paralisa e assombra, explorando o peso do arrependimento. O lançamento entra em rotação, acompanhado de videoclipe, sendo o quarto dos cinco singles do EP a ganhar representação visual. A faixa restante ainda aguarda seu clipe correspondente.

'E Se?' é a composição mais melódica e introspectiva do “AMND”, funcionando como ponto de inflexão dentro do projeto. O trabalho transita por subgêneros do rock pesado, do trap metal ao metalcore melódico, com influências do hard rock e heavy metal dos anos 70 e 80. O clipe traz estética onírica, com imagens caóticas, de quem fica preso naquela pergunta, em plano aéreo envolto em névoa noturna. A mudança de temperatura visual acompanha fielmente a proposta emocional da música.

O recurso mais marcante do clipe é a triplicação: três versões de LVCAS cantando simultaneamente, representando os "eus" alternativos e as vidas paralelas que nunca existiram. A produção utilizou um modelo de câmera cinebot com controle automatizado de movimentos, tecnologia presente em grandes produções audiovisuais. A direção não oferece redenção, terminando imersa na mesma escuridão do início. O verso central fala de cansar de viver uma miragem e sofrer porque a verdade dilacera. A escolha estética reforça a coerência entre forma e conteúdo da faixa.

"Essa música fala de uma dor universal que todo mundo conhece mas ninguém sabe nomear direito e o peso das escolhas que não foram tomadas”, contextualiza o artista. O arrependimento existencial é tema árido, e o mérito da faixa está em traduzi-lo em linguagem acessível sem abrir mão do peso do rock. Guitarra e bateria funcionam como catarse, não como ornamento. É rock que serve à emoção, não ao virtuosismo.

Em paralelo ao single, LVCAS estreia no circuito dos grandes festivais com o Rock in Rio 2026, no dia 5 de setembro, no Palco Supernova. O espaço é dedicado à nova geração da música brasileira e reconhecido termômetro de artistas que já extrapolaram o rótulo de promessa. A presença no festival representa o reconhecimento institucional de uma carreira construída fora dos canais tradicionais da indústria. Com mais de 12 milhões de seguidores e 560 milhões de streamings, o artista chega ao RiR com base sólida. “Levar isso pro palco de um festival como o Rock in Rio é quase fechar um ciclo e abrir outro ao mesmo tempo", explica o artista.

O momento de LVCAS em 2026 é o mais estruturado de uma carreira com origem no YouTube. Antes da música autoral, ele se popularizou pelas séries "ANO em uma Música" (2019–2023), peças que condensam em formato audiovisual próprio a leitura do cancioneiro popular de cada ano, um ritual da internet que acumula mais de 65 milhões de visualizações. A partir do álbum autoral "Humanamente" (2024) e do EP "AMND" (2025), construiu uma identidade sonora que cruza nu metal, metalcore melódico, trap metal e vertentes híbridas. Todo o repertório é integralmente em português.

A conexão com o público se consolidou ao vivo com a turnê de covers "Minha Playlist de Funk" (2023–2024), que percorreu mais de 40 cidades em 65 apresentações. O encerramento reuniu cerca de 8 mil pessoas no Espaço Unimed, em São Paulo, e inaugurou o catálogo autoral. Agora, a terceira turnê nacional amplia essa escala com shows de duas horas, banda ao vivo e plateias cheias em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Santos.

O EP "AMND" funciona como espinha dorsal da turnê: cinco faixas executadas ao vivo como bloco contínuo, sem lógica de single, guiadas por progressão de tensão do trap metal de "Mea Culpa" ao djent progressivo de "Uroboros". O repertório também abraça clássicos da carreira para criar pontos de conexão com os fãs. "O público já chegou sabendo as músicas e isso muda tudo. O show vira construção coletiva, não só performance", avalia. 

'E Se?' representa mais do que um lançamento: é a faixa que humaniza o projeto e expõe a vulnerabilidade por baixo do peso do rock. O que LVCAS constrói, e que passa a ter chancela de festival, é uma visão do rock como linguagem em disputa, pesada, contemporânea e cantada em português. O projeto cruza múltiplas estéticas sem tratar o gênero como limite, mas como ferramenta. Assim como o rock sempre foi, desde que nasceu incomodando. "O importante é a música funcionar no fone e no palco", conclui o artista.

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