Recentemente tivemos a oportunidade de conferir Super Meat Boy 3D, jogo desenvolvido pela Team Meat e publicado pela Headup Games, lançado no último dia de Março para Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.
INTRODUÇÃO
Sendo um plataforma 3D de alta dificuldade, ele chega 15 anos depois, agora levando o clássico plataforma de precisão para o formato 3D, com mais de 130 fases brutais e rápidas, enfrentando armadilhas mortais, serras e chefes, mantendo a jogabilidade ágil e o rastro de sangue, ampliando sua exploração de jogabilidade.
Ao abrir o jogo, temos as opções de iniciar a gameplay, modo cinema (com vídeos que são desbloqueados durante a jogatina), configurações como idioma (português, francês, italiano, polonês, holandês, dinamarquês, sueco, norueguês, finlandês, turco, alemão, espanhol, inglês, entre outros, com a escolha padrão sendo a que estiver em seu console/região), modo speedrun dedicado, áudio, elementos de acessibilidade, sensibilidade da movimentação, entre outros.
GAMEPLAY
A jogabilidade de Super Meat Boy 3D permanece extremamente fiel ao que consagrou a franquia, com precisão, velocidade e tentativa e erro sendo os pilares centrais da experiência. Desde os primeiros níveis, o jogo mostra que não há espaço para descuidos, com serras, lasers, minas, espinhos, ácido e uma variedade constante de armadilhas testando os reflexos e habilidades de timing do jogador a cada segundo (seja pulando entre as paredes, ejetado por molas, desafiando a gravidade, se teleportando, entre outros), exigindo um controle praticamente perfeito.
As fases, em teoria, são curtas, mas a dificuldade elevada faz com que cada uma delas se estenda muito mais do que parece. A repetição constante de tentativa e erro se torna parte da jogatina, ampliando o tempo de gameplay e mostrando por que a série é conhecida como uma das mais punitivas dentro dos jogos de plataforma e até mesmo no cenário geral dos games.
Além da habilidade mecânica de quem está no comando, o jogo exige paciência, estratégia e memória, tendo que, em muitos momentos, decorar padrões, antecipar armadilhas e entender o timing exato do que fazer para superar os obstáculos.
Como recursos, temos movimentos como sprint, saltos entre paredes/paredes, molas que ejetam o personagem, chão que se desfazem, corrida aérea e até variações mais técnicas (como o uso contínuo de saltos em parede), sendo esses alguns dos modos fundamentais para avançar a gameplay.
A PERSPECTIVA 3D
A grande mudança em Super Meat Boy 3D está, naturalmente, na sua transição para o ambiente tridimensional, trazendo percepção de profundidade, distância, leitura de espaço, posicionamento, entre outros, sendo necessário calcular todos esses elementos para conseguir prosseguir.
Isso acontece porque, muitas vezes, o ângulo da câmera não favorece o jogador, forçando "tentativa e erro", nos fazendo morrer, quebrando o ritmo e deixando mais explícita a sensação de mortes injustas.
Apesar dessas limitações, o jogo também apresenta fases que utilizam muito bem o 3D, criando desafios que seriam impossíveis no formato original. O problema é que nem sempre essa clareza visual acompanha o design.
Sendo assim, a perspectiva 3D, amplia as possibilidades e adiciona complexidade, mas ao mesmo tempo exige uma adaptação maior do jogador, não entregando sempre a mesma precisão, mas também não sendo algo que faça o jogador não curtir o jogo do início ao fim (mesmo que essa parte pudesse ser mais lapidada, permitindo com que o player a controlasse).
NÍVEIS EXTRAS E COLETÁVEIS
Por ser um jogo de extrema precisão, é mais indicado jogar com o D-Pad, principalmente nos momentos em que escalamos paredes, algo que pode ocorrer em muitas das mais de 150 fases espalhadas em 10 mundos, se você conseguir passar pelo menos metade delas, já será um grande feito (incluindo suas versões "sombrias", que são desbloqueadas batendo o recorde das fases e fases extras dentro de outras fases, aumentando a jogatina e elevando ainda mais a dificuldade do jogo).
Além da progressão principal, o jogo também incentiva bastante a exploração, tendo as bandagens escondidas pelos cenários e que, ao encontrar todas, desbloqueamos novos personagens, com cada um deles possuindo habilidades diferentes, adicionando uma camada extra de profundidade.
Esses coletáveis e os níveis extras podem aumentar consideravelmente o tempo de jogo, principalmente para quem busca completar tudo, pois não se trata apenas de terminar as fases, mas de dominá-las, explorar fases alternativas e diferentes estratégias.
MODO SPEEDRUN
Com toda a exigência de concentração da gameplay e os recursos citados anteriormente, vemos que o jogo também conversa diretamente com o público de speedrun. O design das fases, somado à precisão dos controles, cria um terreno se torna perfeito para quem gosta de buscar o tempo perfeito. Não por acaso, há um modo dedicado para isso, destacando que, apesar da dificuldade extrema, tudo ali foi pensado para ser dominado com prática e insistência.
VISUAL
Tendo um belíssimo estilo de arte, cheio de cores vibrantes e cenários detalhados, o jogo mostra sua identidade, mesclando uma estética suave com os rastros de sangue, morte instantânea e a violência exagerada, mas sem chocar ninguém, mesmo que seja uma criança, resultando num charme único e que mantém a essência da saga, mas agora em alta qualidade e no mundo 3D.
Em comparação ao clássico 2D, temos uma nova roupagem, com modelos mais definidos e uma direção de arte que flerta com algo próximo de claymation (animação de massinhas), mas de uma forma que ainda preserva o aspecto visceral da série, como citado anteriormente.
Até o momento, cerca de 4 jogadores cadastrados no site PSN Profiles conseguiram a Platina, mesmo que 355 tenham o jogo (confira todos os troféus e o que fazer para conquistá-los AQUI).
CONCLUSÃO
Super Meat Boy 3D consegue algo que poucos jogos tentam: manter intacta a essência de um clássico extremamente preciso enquanto arrisca uma mudança significativa para o 3D. A base continua sendo frenética, punitiva e viciante, entregando exatamente o tipo de desafio que os fãs esperam. Cada fase é um teste de habilidade, paciência e memória, recompensando quem insiste e aprende com os próprios erros (e bota erro nisso).
A transição para o 3D, apesar de ousada e cheia de boas ideias, não é perfeita. Em alguns momentos, a câmera e a percepção de profundidade acabam mais atrapalhando do que ajudando, gerando situações que passam uma sensação de injustiça e que seria resolvido se a câmera fosse controlada pelo player. Mas, no geral, funciona, apresentando um potencial interessante e trazendo novas possibilidades ao gameplay que não existiriam no formato original.
O pacote como um todo é reforçado pela grande quantidade de fases, modos extras, coletáveis e um claro foco em rejogabilidade, especialmente para quem gosta de desafios mais extremos ou se dedica ao speedrun. O visual também cumpre bem seu papel, atualizando a identidade da franquia sem perder seu charme característico.
Por fim, Super Meat Boy 3D se posiciona como uma evolução corajosa e que acerta mais do que erra, proporcionando uma experiência intensa, viciante e EXTREMAMENTE desafiadora.
A cópia digital do jogo foi disponibilizada para fins de review, feito diretamente do Playstation 5 e ele pode ser adquirido por R$ 142,50 no PS5, R$ 121,95 no Xbox (incluido no Gamepass), R$ 73,99 (Switch 2) e R$ 66,95 (PC). Valores da data em que essa análise foi publicada.





