5 dicas para gravar sua primeira música

 

Photo by Caught In Joy on Unsplash

Gravar uma música, EP ou até mesmo um álbum é o sonho de muitos artistas, mas gravar a primeira música muitas vezes parece ser um objetivo super inacessível e ridiculamente caro, ainda mais quando não se tem uma referência para saber por onde começar, porém essa complexidade vem se diluindo com o passar do tempo e os desafios agora são outros.

Resolvi juntar aqui mais 5 dicas para gravar sua música. É quase uma continuação do post da semana passada (5 dicas para artistas independentes) mas mesmo que você não tenha lido essa matéria conseguirá acompanhar normalmente.

Lembrando que este artigo é colaborativo, então incentivamos você a expressar suas experiências aqui nos comentários. Enfim, vamos às dicas.

 

1. Tenha um plano

Antes de gravar uma música faça duas perguntas a si mesmo(a): “O que eu vou fazer quando essa música estiver pronta?” e “Qual é meu objetivo com isso?”. Acredite, essas duas perguntas vão evitar que você gaste muito dinheiro à toa.

Um erro comum entre os músicos de primeira viajem é investir um dinheiro alto na gravação de um trabalho sem ter um plano para ele na crença de que somente a boa qualidade musical será responsável por estourar o projeto, mas quando disponibilizam essa música nas plataformas de streaming, descobrem que sua arte não chega nas pessoas da forma que deveria chegar. 

Por que isso acontece? Bom, existem vários fatores entre algoritmos e comportamento de consumo do público, mas o ponto é: se houvesse um plano prévio de distribuição e trabalho em cima da música, os resultados seriam bem diferentes.

Então tenha em mente que antes de investir em uma gravação, você precisa saber como pretende trabalhar essa música depois e para isso é bem importante ter um objetivo claro (nichos, lugares que pretende ir, perfil de público que deseja alcançar etc.).

 

2. Evite grandes estúdios

Sei que isso pode parecer estranho, mas mesmo que você tenha muito dinheiro para investir ainda recomendo que comece pelos estúdios mais simples - ou até mesmo home studios -, construa sua identidade musical e vá escalando para os grandes e renomados estúdios gradativamente, pois é necessário que você saiba defender sua arte e ceder na medida certa para que seu projeto continue sendo SEU e tendo a sua cara sem deixar de  aproveitar da experiência dos produtores envolvidos. Isso a gente só aprende com o tempo mesmo.

Você não precisa começar de cima, pois uma das coisas que fortalece os laços do artista com seu público é justamente a trajetória e comemorar com cada vitória com seus fãs.

Ao se aproximar de produtoras e produtores que conhecem o seu nicho você consegue uma parceria mais assertiva em questões de sonoridade, pois mesmo que você chegue com o briefing perfeito e com as referências definidas ainda terá um pouco do tato da pessoa que está produzindo esse trabalho com você, e se for uma pessoa que não compreende suas ideias isso vai seguir você por um bom tempo, até gravar e lançar um novo trabalho.

Então a dica é essa: valorize o trabalho dos produtores independentes, assim todo mundo cresce junto.

 

3. Faça pesquisas e parcerias

Isso aqui é basicão, já falei sobre o poder das parcerias no post da semana passada e reforço que as parcerias são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer projeto artístico, inclusive os que não são vinculados diretamente à música.

Existem diversas pessoas dispostas a produzir a sua música, umas com mais portfólio que outras. Você pode buscar indicações de outros músicos, conversar com as pessoas próximas a sua cena musical e até mesmo com aquele amigo/amiga que está começando a produzir agora.

Para o primeiro projeto é muito importante que o produtor acredite nele (projeto) tanto quanto você, assim sua música ganha força e as chances de ter um bom resultado aumentam, portanto, não recomendo que grave com o primeiro que aparecer. Pesquise, veja com quem suas ideias combinam mais, avalie os custos, processos, tire todas as dúvidas e só feche com alguém quando tiver certeza.

 

4. NÃO aposte todas as suas fichas

Acho que você já sabe disso e certamente não vai abandonar o emprego que coloca comida na sua mesa todos os meses para viver de música de uma hora para outra, mas não é esse o ponto que quero abordar aqui.

Vamos imaginar o seguinte cenário: Você passou um tempo juntando dinheiro para gravar um EP com sua banda e finalmente conseguirá entrar em estúdio. Tu vais usar 100% dessa verba na gravação? A resposta é: não

Lembra do primeiro tópico em que eu disse “tenha um plano”? Vamos reforçar isso aqui.

Se prepare para as etapas que vem após as gravações, pois ainda é necessário pensar em assessoria de imprensa, distribuição em plataformas de streaming – existem distribuidoras que prestam esse serviço de forma “gratuita” ficando com uma % da receita de streaming, mas isso é assunto para ser discutido com mais calma – clipes, produção de conteúdo online, estrutura e transporte para shows, fabricação de merch, patrocínio de posts em redes sociais, ensaios etc.

Não estou dizendo isso para desanimar, mas, sim, para te ajudar a elencar suas prioridades e ver o que é possível dentro da sua realidade financeira. Tudo isso te ajuda a conduzir o seu trabalho com mais eficiência e aproveitar melhor seus recursos, então economize onde der e sempre busque deixar uma graninha guardada para girar com essas demandas e para casos de emergências também.

 

5. Estúdio de gravação não é lugar de criação

Certifique-se de que sua música está pronta para ser gravada, não deixe nada para criar no estúdio pois isso atrasa todo o processo. É, sim, normal alguns arranjos serem criados, desenvolvido e melhorados durante as gravações, algumas ideias surgem no meio do caminho, mas são coisas pontuais e não se deve deixar para criar tudo lá dentro.

Diversos estúdios e produtores cobram por hora então é melhor criar em casa ou até mesmo nos ensaios para otimizar o seu tempo e o tempo de produção, que dependendo do caso, se muitas coisas tiverem de ser criadas ainda, pode sair bem mais caro do que o previsto .

Por enquanto é isso, tentei sintetizar os pontos que acredito serem mais importantes sem entrar em especificações técnicas e focando mais em questões estratégicas. Claro que esse é um tema que dá muito pano pra manga, mas a gente pode falar mais sobre isso futuramente.

Agora diz aí, você já tem músicas gravadas? Pretende gravar algo?

Comenta aqui suas experiências e vamos trocar essa ideia.

 

Qualquer coisa, me chama no insta @diazemtranse. Valeu!

Postar um comentário

0 Comentários
* Please Don't Spam Here. All the Comments are Reviewed by Admin.