5 dicas para artistas independentes

 

Photo by Ana Grave on Unsplash

A pandemia está se aproximando do “fim”. As coisas começam a reabrir, eventos voltando a acontecer e a sede de subir em um palco vem tomando espaço nesse seu coraçãozinho, eu entendo, mas é bem importante se organizar para isso, pois o mercado musical não “oba-oba” não.

Conversei com alguns amigos durante a quarentena – também artistas independentes - e percebi que boa parte deles não dá muita atenção para direitos autorais ou planejamento financeiro. Isso é bem fácil de entender já que ninguém pega a nossa mão e vai mostrando como fazer tudo passo-a-passo, por isso decidi escrever esse artigo com algumas dicas para você que quer começar/está começando ou para quem já está no mercado e vai voltar a fazer seus shows, gravar seus discos etc.

Lembrando que este artigo é colaborativo, então incentivamos você a expressar suas experiências aqui nos comentários. Enfim, vamos às dicas.


1. Segura a emoção, meu anjo.

Não é raro artistas serem ansiosos, mas essa ansiedade pode atrapalhar nosso trabalho nos impedindo de fazer as coisas com calma e nos forçando a tomar decisões ruins para nossa carreira – como gastar uma bolada para gravar um EP ou álbum em um mega estúdio e depois não ter dinheiro para a distribuição e lançamento das músicas, por exemplo.

É extremamente importante saber “o que” e “porque” estamos fazendo e a partir daí a gente começa a trabalhar de forma ordenada e dentro da realidade, então saiba que aprender a planejar e administrar seus recursos é crucial para o desenvolvimento da sua carreira. Busque começar a pensar no longo prazo, não só em gravar e soltar as músicas em plataformas de streaming, mas, tente imaginar como sua música chegará nas pessoas. 

Nada acontece de um dia para outro.


2. Crie o hábito de guardar dinheiro para o "rolê".

Tenha em mente que pelo menos uma vez por mês você precisará dar as caras em algum lugar e fazer isso não é barato, portanto, crie o hábito de sempre guardar pelo menos R$50 todo mês para ir a esses eventos – se puder separar mais que isso, melhor ainda. Lembre do ditado: "Quem não é visto, não é lembrado".

Isso é válido, na verdade, para diversas outras coisas também como investimentos, viagens e objetivos de curto, médio e logo prazo. Pode até parecer papo de “pseudo-empreendedor”, mas a real é que: se você quer muito fazer uma coisa, é necessário ter o mínimo de investimento nisso, pois nem com todo o talento do mundo as coisas acontecem de graça.


3. Vá a shows. Todos os que você puder, principalmente os mais baratos.

Antes de se apresentar em qualquer lugar, você precisa conhecer as possibilidades. Quais são os locais que comportam o teu show? Para descobrir, você precisa ir a shows de outros artistas, estilos, locais, sistemas etc.

Saiba que nessas andanças você encontrará artistas incríveis tocando lugares ruins com péssima infraestrutura e vice-versa, mas conhecer esses contrastes vai te fazer perceber que não há singularidade e provavelmente você fará parte desse contraste.

Não se deslumbre com grandes estruturas e palcos bem iluminados, pois muito provavelmente você começará pelas pequenas casas de shows com equipamentos que nem sempre são os melhores. Por isso eu disse “principalmente os mais baratos”, pois quanto mais ambientado você estiver, melhor.

Além de contribuir para conhecer a cena artística da sua região, isso também vai te ajudar a conhecer as pessoas que estão por trás de todo esse ecossistema, como produtores, promoters, técnicos etc., mas isso nós veremos melhor mais à frente.

 

4. Encontre o seu nicho.

Enquanto você conhece esses lugares, provavelmente terá um rolê no qual se sentirá mais confiante e acolhido. Entenda esse contexto, ele pode ser o seu nicho.

Encontrar um nicho não é “escolher uma panelinha” – embora as panelinhas não sejam coisas tão ruins assim, mas isso é papo para outro post – pois antes de conquistar o mundo, você precisa conquistar o bairro e assim as coisas vão se expandindo. É primordial estabelecer uma raiz forte, não de contatos, mas de amigos que acreditem nas mesmas coisas e se correlacionem com o que você gosta, consome e defende, pois tudo isso é inserido na sua arte de forma consciente e inconsciente, então estar perto dessas pessoas pode ser um passo importante para começar a criar e se conectar com seu público.


5. Faça networking.

Também, ao escolher um nicho você passa a ficar mais próximo das pessoas que vivem disso e podem te ajudar a abrir as primeiras portas. Essas pessoas podem ser produtoras, técnicas, estudantes ou somente amantes da arte mesmo.

O importante é entender como funciona o mecanismo desse ambiente, saber quem são os contratantes, quais são as empresas envolvidas e quem está por trás delas, quais são os artistas que também fazem parte desse nicho etc. Não tenha medo de conhecer essas pessoas, pois são apenas pessoas como você. Mas lembre-se que não é legal se aproximar de ninguém por interesse, então tenha bom senso ao lidar com os indivíduos ao seu redor e não tente se encaixar em lugares onde você não se sente à vontade. Arte também é sinceridade e qualquer coisa forçada se torna uma fraqueza no seu trabalho.

Bom, essas foram algumas das coisas que aprendi ao tocar por aí. Gostaria de compartilhar tais informações pois não tive alguém que me orientasse desse modo quando comecei.

Muitas coisas são na base de tentativa e erro, não há fórmula mágica. Hoje nós temos infinitas facilidades, assim como temos diversos bloqueios também, mas a gente só aprende debatendo e vivendo mesmo. Espero ter ajudado! Talvez eu produza mais artigos sobre planejamento, direitos autorais, e outros temas que nós, artistas do século XXI, precisamos entender minimamente para conduzir nossa carreira.
 

Qualquer coisa, me chama no insta @diazemtranse. Valeu!

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