Cefa transforma em música todo o CAØS que vivemos e podemos viver em álbum que traz participação de Lucas Silveira


Cinco anos e alguns singles do disco de estreia, Cefa passou por muitas coisas boas. Teve turnês, shows grandes em SP (entre eles o Oxigênio Festival) e conquistaram uma grande quantidade de fãs, mas fãs mesmo, daqueles que acompanham a banda a cada novidade e marcaram presença a cada show feito, dentro do seu possível. Fãs esses que também colaboraram com a Vakinha criada pela banda, para ajudar a esse disco ser gravado, tendo seu nome dos agradecimentos e já podendo ouvir esse discaço que sai para todo mundo dia 16.

Caos é, no sentido figurado e mais popular da palavra, uma confusão de ideias, um amontoado de coisas que se misturam, a desorganização mental e espacial. Caos também é uma palavra que pode resumir muito bem 2020 pelo mundo todo, especialmente no Brasil, onde além de termos uma pandemia, também contamos com baixas em todos os setores possíveis: Político, científico (apesar de toda evolução para descobrir uma vacina logo), econômica, educacional, cultural, de meio-ambiente.

Visionários foram eles, que conseguiram se reunir no único momento possível, durante Janeiro. Único momento pela razão de que desde Março tudo ficou inviável, principalmente para quem trabalha com eventos e trouxeram letras que, se não soubéssemos a data aproximada de gravação, diríamos que foi composta hoje mesmo.

Uma dessas letras é "Impulso", lançada em Junho como primeiro single do álbum e nada coincidente de abrir "Caos". A música abre com riffs pesados, mesmo antes da letra começar e mostrar que nos devemos SE POSICIONAR SIM!! Rock não é só um barulho no ouvido, rock é protesto, rock é político e se em 2020 tu acha que não, entendeu tudo errado! A crítica está lá, em toda letra, cantada como uma forma de desabafo, tudo que acontece e não podemos fazer muito, está sendo gritado pelo mundo. Uma sátira que colocou o rock nos virais do Spotify, mas é a faixa de abertura do disco que deveria estar no ouvido de cada um, por isso vocês podem ouvir abaixo:


A mensagem continua em "Imensidão", que segue a linha da primeira faixa, agora com a bateria como destaque antes de começar o vocal, mais calmo, mas que ao longo da música mostra toda sua versatilidade, entre alternâncias de tons e um jogo perfeito entre a voz e os instrumentos. A faixa faz uma maestria uma mescla entre o hardcore e pop rock, outra faixa que caberia muito bem nas rádios e, nessa era digital, deveria ser figura carimbada nas playlists de streaming.


Em "Céu Nublado" podemos ver logo no começo beats eletrônicos e elementos fortes de sons anos 80 como Pet Shop Boys, no exemplo mais conhecido possível. Também mostra um Caio que agora sai das letras de protesto, para algo mais poético e pessoal, mas que com certeza liga com o sentimento de diversas ouvintes, em algum momento da vida:

"... e a cada passo em falso que eu dou
bebo mais um gole de dor
difícil aceitar que não sou
aquilo que imaginei que ser..."

"Neblina" dá uma sequência ao pensamento artístico da faixa anterior, permanecendo em diálogo com o ouvinte, para o lado de sentimentos:

"... E se eu pudesse arrancar a venda
que há em você, te fazer entender
Que o amor não machuca, ele é a cura
Então porquê, insistir em se machucar?..."


Em "Não Vão Silenciar", faixa que inicia a segunda metade do disco, é baseada em diversos motivos justos indignação e também certamente uma das músicas instrumentalmente mais pesadas do álbum e tomando o posto de "Imensidão", como a de maior versatilidade de vocal, mudando de tons, indo do caos a calmaria vocal facilmente, em questão de milissegundos.

Já em "Distorcendo as Palavras", a música também traz diversas referências de fala de quem governa atualmente e da bíblia, aquela que ele tanto defende, mas na prática faz o oposto. Algo típico de muitos que o colocaram lá. O título já é bem sugestivo também

“...Perdoai nossas ofensas
Mas destrua a quem nos tenha ofendido
Piedade segregada é a nova lei da casa
 Assim, quem erra morre sem céu
E a minoria morre esmagada...”

"Mais um dia (Parte 2)" traz o sentimento genuíno  de quando estamos péssimos, mas guardamos para nós mesmos, por medo de incomodar as pessoas, ou se o que elas vão dizer mais vão nos prejudicar do que ajudar. Se algumas outras faixas de música serviram como um desabafo interpessoal, creio que a personificação real de desabafo no disco seja nessa faixa. O verdadeiro ponto de quando não  aguentamos mais nada e estamos prestes a explodir. 

"...Entender que se esconder do universo
Não faz a dor parar 
Só te leva mais fundo e te afasta de quem poderia te ajudar
poderia escutar alguém por quem vale a pena ficar aqui
Mais um dia..."


Avançando mais pelo disco, chegamos em "Solidão", décima primeira faixa e que traz uma participação muito pedida pelos fãs da banda. Desde a divulgação dos primeiros singles, muito se via nas redes sociais de Lucas Silveira ou até mesmo dentro dos grupos Fresno, para que rolasse esse feat, que finalmente aconteceu. Entrando ao longo da música, Lucas faz um belíssimo dueto com Caio, em sintonia perfeita, é como se ambos já tivessem feito diversas parcerias ao longo dos anos. Quem escutar pela primeira vez, nunca diria que é algo inédito. 

 "...A Solidão é companhia faz a vida ser real..."  

entoa Caio, no ponto alto (vocalmente falando) da música, que logo depois vai decrescendo, até o último acorde de som. 


"Desabafo" encerra o segundo álbum completo de estúdio da Cefa com lançamento marcado para dia 16 de outubro, aborda em 12 faixas todo esse caos estrutural que nos afeta diretamente, tanto como indivíduos quanto sociedade. Baseado nos sentimentos humanos e nos problemas sociais, o trabalho discute em suas letras temas que vão desde pautas sociais como homofobia, preconceito religioso, bullying, relacionamentos abusivos, política, até abordagens mais pessoais e existencialistas como saúde mental. Produzido em janeiro de 2020 em uma chácara no interior do Paraná, o disco explora ao máximo todo o universo sonoro construído ao longo dos oito anos de existência da banda, passeando de forma não-linear entre momentos pesados e agressivos a passagens melancólicas e sentimentais. O álbum ainda conta com a participação de Lucas Silveira (Fresno) em uma das faixas.

OUÇA O ÁLBUM AQUI!!



Assista ao doc do álbum AQUI