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    Diversidade de estilos, atrações surpresa e recorde de público marcam o João Rock 2019

    Crédito: Denilson Santos e Deividi Correa/AGNews
    João Rock, o maior festival de música brasileira foi marcado pelas atrações surpresas e sua diversidade na edição 2019. Logo no começo, já podemos ver isso com a presença de nomes como Rincon Sapiência e Djonga no palco Fortalecendo a Cena, que apóia novos talentos da música em nosso país. Entre no post para ver fotos de todos os shows que cobrimos.




    Com o palco sendo localizado perto da entrada e com o show começando antes dos palcos principais, Rincon se apresentou para um público considerado bom, que dançou pela batida,mas também acompanhou e entendeu as mensagens passagens nas letras do rapper.

    Abrindo o Palco Brasil, que em 2019 foi dedicado ao som de Brasília, Plebe Rude também se apresentou para um ótimo público, os fãs mais assíduos cantavam junto em músicas como Johnny Vai à Guerra. Já em Aida, Philippe Seabra agradeceu a quem acompanha a banda desde o começo. 

    Maior hit da banda, Até Quando Esperar ainda reuniu fãs de diversas faixas etárias, esse foi o momento em que todo o público presente ou próximo do palco cantou, na música escolhida para encerrar o show.



    Se apresentou no final da tarde, Zeca Baleiro viu o sol ir embora, mas também a lua começar a aparecer, enquanto ele mesclava sons autorais, com versões de Jota Quest, Charlie Brown Jr.

    Entre as autorais, músicas como Vapor Barato (gravada com Gal Costa) e Telegrama foram cantadas pelo público que, a pedido de Zeca, também o acompanhou em Por Um Monte de Cerveja, homenageando Celso Blues Boy. Raul também ganhou homenagem com a dobradinha Toca Raul/Que Não Tem Colírio, antes do show acabar por volta das 18h20.

    Com André Frateschi desde 2015, quando fizeram tour de comemoração do disco de estreia da Legião Urbana, a banda agora se apresentou no João Rock, trazendo nostalgia ao cantar (e no caso de Frateschi, interpretar) músicas do disco “Dois” e “Que País é Este?” e também ao mostra para o público imagens de quando Renato Russo estava presente na banda. 


    Na faixa-título  do terceiro disco, André derramou vinho sobre o braço, simulando sangue, e o levou até o público, que respondeu com a letra de Que País É Este? e relembrou os fuzilamento que a polícia deu em um carro de músico no RJ, já Eduardo e Mônica foi cantada por Bonfá, enquanto André também acompanhava com uma gaita e seguiu com Faroeste Caboclo, antes de Frateschi ergueu uma bandeira com a foto da formação original da banda.




    Melhor atração do dia, na minha opinião, Alceu Valença dominou o público  do começo até o final  do show, por conta de sua simpatia, dos diversos "IA-IA-IO-IO" que renderam plaquinhas do estilo NA's nos shows do Paul McCartney.  

    Vestido com chapéu de cangaçeiro, ele tocou hits da sua carreira como Vem Morena, Sonhei de Cara e Coco das Serras, neste último trocando a típica sanfona, pela guitarra. Já em faixas como Táxi Lunar (gravada com Geraldo de Azevedo e Zé Ramalho), La Belle de Jour, Anunciação e Tropicana foram as responsáveis por transformar o João Rock definitivamente em festa nordestina. 


    Antes do show, conversamos com ele sobre o videoclipe de Nas Asas de um Passarinho e a versão eletrônica de Anunciação, que deu hype na música em festas e baladas: "Ali a idéia foi de um cara que faz clipes pelo Brasil todo mundo e que me chamou pra fazer esse em Olinda...

    Sobre Anunciação, ele disse "A editora deve ter aprovado, porém que eu não conheci, eu ouço muito pouco música, eu gosto de compôr... pego o violão, toco, faço a letra e pronto. Eu fui um grande ouvinte de rádio, na minha casa não tinha som porque meu pai não queria que eu fosse artista...Acho  que não deu muito certo, brincamos e ele continuou... Não queria que eu me influenciasse e por isso nunca me acostumei a isso,  mas o rádio entrou na minha formação, sobretudo em minha terra São Bento do Uca (entre o agreste e o Sertão) e depois no Recife do frevo, do maracatu, dos caboclinhos... por aí mesmo.".




    Com Sonora lançado no final de 2018, o show do Capital Inicial foi o último que acompanhamos no Palco Brasil e a novidade foi exibida logo na primeira faixa, Tudo Vai Mudar, presente no primeiro disco de inéditas em seis anos. 

    Durante o show, Não Me Olha Assim também foi executada e cantada pela multidão, mesmo sendo faixa do disco recente. Hits como Quatro Vezes, Você Depois da Meia-noite e Primeiros erros, o público entoava cada parte da letra, com Dinho deixando o microfone aberto para o público, principalmente na última música citada, onde ele pediu por 120 mil mãos levantadas, proporcionando um belíssimo efeito visual.

    Num certo momento, Dinho agradeceu também por estar no festival e por poder dividir o palco com nomes tão pesados na história da música: Além de Plebe Rude e Legião Urbana, depois viriam shows do Natiruts e Raimundos. 



    Se no João Rock 2018 Pitty revelou Te Conecta, primeiro single do disco Matriz (que ainda nem sabíamos se seria ou não um disco), e que foi cantada na época pela primeira vez, ela voltou ao festival para apresentar fazer premieres ao vivo de outras faixas do disco lançado em 2019.



    No repertório, Bicho Solto começa a ser tocada enquanto a banda vai entrando no palco e logo em seguida acompanhamos versões ao vivo de músicas como Noite Inteira e Ninguém É de Ninguém. A escolhida para a premiere ao vivo deste ano foi Motor, mais uma presente em Matriz, tendo uma belíssima performance visual, tanto no jogo de luzes no chão do palco, como no visual das câmeras, durante transmissão.



    Cada vez mais longe do rótulo de roqueira que carregou, principalmente durante seu começo de carreira, em Matriz a artista se afasta cada vez mais disso e este também foi o caso durante o show, trazendo participação de Rael em Te Conecta, do BaianaSystem em Roda (faixa gravada com eles em estúdio) e Larissa Luz, em Sol Quadrado. O show ainda teve espaço para agradar os fãs mais antigos e quem conhece somente os hits, tocando Admirável Chip Novo, Equalize, Me Adora e Máscara.






    Abrindo a festa do rap nos palcos principais, Marcelo D2 voltou ao João Rock um ano depois de apresentar com o Planet Hemp,  para trazer sucessos da carreira solo, além de divulgar seu novo trabalho, intitulado Amar É Para Os Fortes, lançado ano passado.

    "Eles são fascistas, nós somos a resistência", disse D2 antes de cantar Resistência Cultural e não teve jeito, "Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu" foi entoada pelo público do João Rock.

    Mesclando rap, samba e até mesmo funk, D2 levou para o palco seu filho Sain KTT, que mesclou entre backing voz e voz principal, dependendo de parte da música. A mescla do rap com o samba pode ser vista durante o show, nas músicas Desabafo/Deixa Eu Dizer e em Pode Acreditar, que na versão de estúdio conta com Seu Jorge e no show tem sua parte cantada pelo público, apesar de ser num volume menor do que o pedido por D2, que tentou algumas vezes até a parceria com o público finalmente funcionar. A sintonia com o público se manteve em faixas como A Procura da Batida Perfeita, Sangue Bom, Qual É e Mantenha o Respeito, essa última gravada pelo Planet Hemp.

    O show encerrou com homenagem a André Midani, produtor da Phillips, que lançou disco como A Tábua de Esmeralda, lançada por Jorge Ben e que tem a música Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas.




    Pra galera que curte rap/hip-hop, o último show do palco principal foi um prato cheio de atrações consideradas imprevísiveis de dividirem o mesmo palco e fazerem um show conjunto. 

    Emicida e Rael se apresentaram por aproximadamente 2h, com um sendo backing vocal do outro (e vice-versa) ou até mesmo ambos dividindo o posto de vocalistas principais, tendo no repertório faixas que embalaram o público, como Hip-Hop É Foda, Boa Esperança Pantera Negra, Levanta e Anda, Passarinhos (com Rael e o público fazendo o posto da Vanessa da Mata) e Envolvidão, essa última do próprio Rael.



    As cerejas do bolo ainda não tinham acabado: Pitty voltou ao João Rock para cantar para cantar Hoje Cedo com Emicida e, quando todo mundo esperava que o evento estivesse acabado e Mano Brown teria desistido de aparecer,  ele surgiu e prolongou a duração do festival, cantando músicas como Quanto Vale o Show?, Negro Drama e Vida Loka Parte 1, todas essas em parceria com Rael e Emicida, chamado de "Tio Patinhas" por Mano Brown, que agradeceu por ter sido chamado para essa participação e fazer parte de "maior quadrilha do Brasil".



    Djonga e Rincon Sapiência apareceram do palco de revelações, para o palco principal se unindo a Emicida, Rael e Mano Brown, transformaram o João Rock de vez em um João Rap (perdão pelo trocadilho).