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    Resenha do filme "BumbleBee"


                                                              Dir: Travis Knight

    Transformers foi o típico filme vítima do nonsense. A saga dos robôs iniciada por Michael Bay em 2007 prometia, mas a cada filme cumpria menos e menos. Mudanças no elenco e portanto no roteiro afetaram demais o que já estava bagunçado. Bay insistiu tanto na franquia que os dois últimos longas foram um fracasso de bilheteria e crítica. Seria muito difícil que algo bom poderia surgir desde então.

    E não é que surgiru? A franquia conseguiu alcançar um novo patamar ainda que contenha alguns clichês e muitas soluções fáceis. Dessa vez, vindo da direção do animador americano Travis Knight que contém em seu currículo o maravilhoso Kubo e as Cordas Mágicas (2016). As diferenças entre ele e Michael Bay são logo de cara óbvias e indiscutivelmente mais habilidoso na direção. Ambientado em 1987, o longa foca exclusivamente na origem de BumbleBee, o Transformers mais carismático e querido dos fãs.

    A protagonista Charlie começa no ápice de um estereótipo. Em um emprego ruim, sem amigos, sem dinheiro e com uma família disfuncional ela sente um grande luto pela recente perda do pai com quem era muito próxima. Ao completar 18 anos de idade seu tio, dono de uma oficina a presenteia com um fusca amarelo. O que começa com algo entediante e manjado, aos poucos se transforma numa bonita história.

    É praticamente um filme para toda a família. Ainda que seja tudo conveniente demais, mas funciona, pois, diferentemente de Michael Bay, a versão de Knight da saga foca com carinho e humanidade, mas também cheio de energia e ação a origem de Bee e desmilitariza o foco da ação. Em BumbleBee os militares além de serem mais secundários, estão tão despreparados para a aventura quanto a jovem Charlie.

    Aqui somos apresentados à toda humanidade, e sensibilidade de BumbleBee. Um robô da resistência que, fugindo dos Decepticons, veio parar no planeta Terra onde num último suspiro perde sua voz e sua memória. Mais tarde, quando Charlie o encontra, Bee tem que reaprender tudo do zero. E aí temos uma bela história focada na amizade que nos faz querer ter o nosso próprio BumbleBee. A história também cativa justamente por trazer um protagonista tão inocente e desnorteado que primeiro deve aprender o básico antes de ir para a luta. Não são duas horas de explosões e pancadarias metálicas a esmo.

    Entretanto falar de um filme de Transformer não é nenhum luxo. Alguns personagens secundários são quase irrelevantes para o desenvolvimento da trama. Soluções fáceis por demais e decisões ridículas dos personagens acontecem aos montes e piadas no timing errado. Além disso, o desenvolvimento da trama é lento e desnecessário em muitos momentos tornando a experiência maçante. Há uma linha tênue entre o filme não ter pressa de acontecer para humanizar Bee e não ter pressa por tentar fazer um drama que claramente não é o objetivo ou mensagem a ser passada.

    Mesmo com muitos defeitos em sua trajetória, Knight de fato fez um milagre com uma franquia que já havia afundado há anos e deixa um final ambíguo não deixando claro se algo mais está por vir, ou se foi apenas um filme de origem que funcionou por ter dois protagonistas com uma química inegável. De qualquer maneira, foi Transformer na medida certa, no tom certo, do jeito certo. Acompanhar a primeira aventura de Bumblee na Terra é tão divertido que até arrisco-me a dizer que esperaria ansiosamente pelo seu retorno.