Segundo Ana Blancato, a música foi concebida como um posicionamento diante da misoginia. “Respeita as minas não é uma súplica, é uma ordem! Não vamos ser obedientes ou nos calar para o machismo”, afirma a letrista.
O videoclipe foi roteirizado e dirigido por Rabu Gonzales, que parte de formatos de debates digitais para construir uma narrativa que confronta discursos machistas, especialmente os associados à cultura redpill. “No clipe, porém, o desfecho é bem diferente: o debatedor que tenta diminuir o espaço feminino acaba se dando mal”, explica o diretor. Rabu se utiliza ainda, de referências ao filme de terror e ficção científica ‘A Mulher de 15 Metros’, com elementos do cinema B, para representar a força e a imponência das integrantes da banda. “Em um ambiente historicamente machista como o mercado da música, o clipe coloca o resto da presença masculina onde ela realmente deve estar: servindo de suporte e base para exaltar a importância e o protagonismo feminino”, resume Rabu.
Para a vocalista Glenda Maldita, a discussão proposta pelo videoclipe também se estende à cena independente. “A cena independente não está livre do machismo só porque se diz alternativa e ‘underground’”, afirma. A integrante destaca situações de assédio, deslegitimação e disputa por espaço enfrentadas por mulheres, inclusive em ambientes que se apresentam como livres de preconceitos. “Não queremos ser exceção, atração especial ou a banda feminina da noite. Queremos tocar, produzir, organizar e ocupar esses espaços sem ter nossa capacidade questionada por sermos mulheres.”
O lançamento do videoclipe de “Respeita as Mina” acontece em outubro, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, e também chama atenção para a trajetória de Ana Blancato, que enfrenta a doença. A letrista relaciona a luta contra o machismo à experiência com o câncer: “A força da mulher vem de todos os lados, de dentro de casa, da maca, da luta e do rojão. Nós estamos em diversas lutas todos os dias e perseveramos. Principalmente por nós, pelas nossas e pelas que virão... Uma por todas e todas por uma! Vencendo o câncer do machismo e o de mama!”
Glenda ressalta que a pauta da saúde feminina não deve ficar restrita ao mês de outubro. “Nosso videoclipe fala sobre poder, autonomia e respeito em uma sociedade que ainda tenta controlar nossos corpos, nossas escolhas e nossos espaços. Não queremos romantizar a força feminina como se fosse obrigação das mulheres aguentar tudo.” Para ela, o lançamento amplia a discussão, mas a luta por respeito deve permanecer durante todo o ano.
Atualmente, a 808 Punks é formada por André Paumgartten (voz, programação e theremin), Glenda Maldita (voz), Prixxx (voz), Xandee Farias (guitarra), Formigão (baixo) e JotaErre (bateria). A banda tem levado sua mistura de punk e funk aos palcos no Brasil e no exterior. Recentemente, o grupo fez sua primeira turnê pela Alemanha, experiência que André descreve como marcante, especialmente pela recepção em uma ocupação punk gerida por mulheres. A banda também já se apresentou em São Paulo e no Uruguai, onde retorna em novembro, e tem planos de tocar na Argentina no próximo ano. “Em dezembro vamos fechar o ano com a nossa festa 808 Party no Imperator, no Rio, com a MC Carol”, revela o vocalista. “Estamos doidos pra rodar o Brasil todo”, completa.






