Diretamente de Sacramento, Estados Unidos, esse é um projeto que aparece por aqui com um trabalho revelado nas plataformas de streaming recentemente e que iremos falar mais sobre abaixo.
Lançado durante o final de Agosto, "Mi Amada & Other Love Songs" é um álbum que entrega para os ouvintes 13 faixas, cerca de 50min de duração e uma sonoridade que trafega por um amplo leque de vertentes, como o classic/80s/soft rock, R&B, ritmos latino-americanos, pop contemporâneo, texturas eletrônicas, arranjos contemporâneos e muito mais, refletindo uma trajetória que atravessa diferentes gerações de sua família.
Com a história do disco sendo iniciada em 1998, no EME Recording Studio, em Sacramento, na Califórnia, o artista conta que foi inspirado pelo modelo de composição do Brill Building, se propondo a escrever uma música por dia e convidando funcionários de lojas de instrumentos, professores e colegas de trabalho para participar do projeto.
Esse time acabou sendo os guitarristas Robert Radcliff (ele próprio) e Mark Boerner, os baixistas Rob Lemus e Sato, os tecladistas Jimmy Malone, Robert e Nic Radcliff, além do baterista Jon Chingary. Nos vocais, participam Robert, seu filho Nic, sua filha Jasmine Radcliff e Amanda Poppe.
Sendo um trabalho que ficou guardado por anos, o material foi retomado por Nic (seu filho), que utilizou técnicas modernas de produção para aproximar as ideias originais do pai de uma sonoridade mais atual, unindo isso a uma obra inspirada também pelas trilhas sonoras de filmes como Os Aventureiros, Três Dias do Condor e Crown, o Magnífico, com mensagens, melodias e arranjos que buscam imagens e emoções ao ouvinte, culminando numa obra altamente imersiva.
Mesclando progressões inspiradas no violão brasileiro, percussões de influência latino-americana e camadas de sintetizadores na faixa-título de uma maneira apaixonante, repleta de afeto e que nos encanta do início ao fim, o álbum também fala sobre questões sociais e políticas necessárias de serem debatidas hoje, como quando apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio dos Estados Unidos, refletindo a ideia do artista sobre a verdade eas narrativas políticas daquele momento, contrastando com o caráter mais romântico de outras músicas do repertório.
Incluindo uma história bem pessoal, o artista conta que as primeiras gravações tiveram canções feitas com Sato, músico japonês que colaborou com Robert no baixo e na programação manual de batidas eletrônicas antes de retornar ao Japão, com Robert não tendo mais notícias dele e temendo que Sato pudesse ter sido vítima de um terremoto na região onde vivia. Essa parceria está presente em 'World We Never Made'.
Concluindo um projeto de longa duração e trabalhando em família, esse álbum funde composições criadas ao longo de décadas a uma abordagem de produção contemporânea, conecta memória, experimentação sonora e colaboração familiar.
Ouça abaixo:






