COBERTURA - ROCK IN RIO 2026: Um dia de peso, nostalgia e encontros


Foto: @shourico
Texto e fotos dos stands: Caio M Silveira

Depois de um primeiro dia marcado pela intensidade e pelo encerramento apoteótico do Foo Fighters, o Rock in Rio voltou a apostar no rock em sua forma mais pesada. O sábado, 5 de setembro, foi dedicado ao metal misturado ao hardcore, ao emo e às diferentes vertentes que ajudaram a moldar o som de uma geração.

E havia uma expectativa particularmente alta, pois o segundo dia reunia bandas em diferentes momentos de suas carreiras: artistas nacionais que seguem construindo seu espaço, nomes que representam a nova geração do metal e grupos que já carregam décadas de história. Para quem chegou à Cidade do Rock com um único show em mente, havia boas chances de sair dali com novas descobertas. Para quem decidiu encarar a programação completa, a promessa era de uma maratona capaz de atravessar diferentes vertentes do rock.

ATIVAÇÕES Kit Kat Na terceira edição consecutiva no Rock in Rio, o Kit Kat trouxe um estande inspirado no conceito 'Let’s Rock the Break'. A marca apostou em uma iniciativa inédita para facilitar a distribuição de brindes e aprimorar a experiência do público, fazendo agendamentos por meio de um QR Code. O agendamento dava direito a uma experiência de aproximadamente 20 minutos com DJ, break charm, bar e brindes. Entre as opções disponíveis estarão break charms personalizáveis e passes para estandes ou ativações de outras marcas presentes na Cidade do Rock. Na parte externa também encontramos como ativação, uma máquina de garra com diversos brindes exclusivos da marca. Destacamos ainda a estética do estande, com muitas referências ao formato clássico dos chocolates.
Philco Com o conceito “Sinta a Batida” e um estande com formato de caixa de som, a Philco trouxe para o Rock in Rio uma experiência parecida com o clássico Guitar Hero, mas com bumbos de bateria, em que os participantes deveriam sincronizar as batidas conforme as cores de seu instrumento apareciam nas televisões da marca e que formavam um grande telão. As músicas selecionadas eram de artistas do lineup do festival, como Foo Fighters, Black Eyed Peas e Maroon 5. Como brinde, os participantes ganhavam um pin e os vencedores de cada partida giravam a roleta para ter a chance de ganhar uma bag exclusiva ou uma caixa de som personalizada.
Heineken A marca apostou no espaço The Clinker, um lugar de "match" musical com pulseiras tecnológicas que identificam afinidades de gostos entre o público para ajudar pessoas a se encontrarem. Conforme os brindes iam acontecendo na pista, as músicas que os DJs colocavam na pista eram resultados dos matches que aconteciam ali. No fim, duas conexões fortes eram selecionadas para garantir brindes ou experiências da marca. Globoplay A marca apostou em levar o público para mais perto dos shows, fazendo uma arquibancada para que assinantes e o público geral pudessem assistir com conforto o show dos seus artistas favoritos. Para isso, era possível agendar um horário por meio de QR Code e ficar por um tempo determinado na arquibancada. De quebra, você também ganhava um salgadinho e uma bebida por conta da marc

Foto: @marefemiani

Malvada convida Day Limns
Coube à Malvada abrir os trabalhos dos palcos principais. No Sunset, Indira Castilho, Bruna Tsuruda, Rafaela Reoli e Juliana Salgado assumiram a missão de colocar a Cidade do Rock em movimento, e fizeram isso sem pedir licença. O quarteto apresentou um rock feminino vigoroso, sustentado por vocais rasgados, guitarras pesadas e uma conexão que manteve o show pulsando mesmo quando as primeiras gotas de chuva começaram a cair.

O público ainda chegava ao festival, depois de uma manhã tipicamente carioca, de calor e sol, mas a apresentação rapidamente transformou aquela chegada gradual em um começo de dia bastante promissor. A primeira parte do repertório se concentrou no álbum homônimo "Malvada" lançado pela banda em 2025, com faixas como ‘RNR GRL’, ‘Dead Like You’, ‘Fear’ e ‘After’. O momento mais marcante veio com a balada ‘Aventura Favorita’, quando Day Limns apareceu para dividir os vocais com Indira.

Foto: @marefemiani

A participação não pareceu apenas uma intervenção breve, Day entrou completamente integrada à proposta da banda e ainda apresentou músicas de seu próprio repertório, como ‘Kalice’ e ‘Castelo de Areia’. O encontro ganhou ainda mais força quando as artistas se uniram para uma versão pesada de ‘Ovelha Negra’, primeira homenagem do dia a Rita Lee.

No fim, a Malvada retomou o palco sozinha e fechou a apresentação com ‘Down the Walls’ e ‘Bulletproof’, já sob uma chuva que parecia fazer parte do espetáculo. Era apenas o começo, mas a banda cumpriu com autoridade a tarefa de acender o pavio.


Foto: @dopamineblur

Sepultura: uma despedida sem melancolia
Se a Malvada aqueceu o público, o Sepultura tratou de deixar claro que aquele não seria um sábado qualquer. Com a Cidade do Rock cada vez mais cheia diante do Palco Mundo, começava um dos momentos mais importantes desta edição, a última apresentação do Sepultura no Rock in Rio.

A história da banda no festival começou em 1991. Desde então, o grupo se tornou praticamente uma instituição dos dias dedicados ao som pesado. Andreas Kisser, Paulo Jr., Derrick Green e Greyson Nekrutman chegaram ao palco carregando não apenas um repertório, mas uma trajetória que ajudou a colocar o metal brasileiro no mapa internacional.


Foto: @vansbumbeersfoto

E a palavra despedida, felizmente, não significou tristeza. Desde os primeiros acordes, o Sepultura tratou a apresentação como uma celebração. A turnê "Celebrating Life Through Death" ganhou no Rock in Rio uma dimensão especialmente simbólica, revisitando principalmente a fase com Derrick Green nos vocais e apresentando algumas das músicas que marcaram esse período. ‘Choke’, ‘Mind War’ e ‘Corrupted’ apareceram entre os destaques, enquanto as faixas do EP "The Cloud of Unknowing", ‘All Souls Rising’, ‘Beyond the Dream’, ‘Sacred Books’ e ‘The Place’, foram distribuídas pelo repertório.

A resposta veio imediatamente da plateia. Mesmo com a chuva, os primeiros grandes moshs começaram a surgir e a energia do público parecia crescer a cada música. O mais interessante na apresentação foi perceber que o Sepultura não parecia estar fazendo um último show para o Rock in Rio, parecia estar fazendo o show de uma banda que ainda tinha muito a entregar.


Foto: @raphagarcia

Talvez seja justamente essa a melhor forma de se despedir, sem transformar o fim em lamento. O Sepultura deixou a Cidade do Rock com a sensação de que seu legado não precisa de uma última nota para ser encerrado. Ele já está escrito há muito tempo e continuará reverberando entre os fãs.


Foto: @shourico

Black Pantera convida Nervosa
No Sunset, a programação manteve a temperatura elevada com o encontro entre Black Pantera e Nervosa. Charles Gama, Chaene da Gama e Rodrigo “Pancho” Augusto trouxeram a mistura de velocidade, agressividade e crítica social que se tornou uma das marcas do trio mineiro. ‘Horus’, ‘Obsoleto’ e ‘Tradução’ deram o tom inicial de uma apresentação que rapidamente transformou a pista em uma sucessão de rodas.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando Chaene foi ao centro do palco e transformou o próprio baixo em um berimbau improvisado, usando uma baqueta. A cena preparou o terreno para ‘Fogo nos Racistas’, acompanhada por uma explosão de moshes.

Foto: @shourico

Prika Amaral subiu ao palco para cantar ‘Serotonina’ e, logo depois, Helena Kotina, Emmelie Herwegh e Michaela Naydenova se juntaram à apresentação. ‘Ghost Notes’, ‘Slave Machine’ e ‘Endless Ambition’ trouxeram uma dose adicional de velocidade e brutalidade ao Sunset.

O encontro ganhou um outro caminho quando o Black Pantera voltou ao palco para uma versão pesada de ‘Obrigado Não’, de Rita Lee. Era a segunda homenagem à cantora naquele dia e, novamente, a música ganhou uma roupagem interessante e pesada frente à versão original.

Para fechar, Black Pantera e Nervosa se uniram em ‘Revolução é o Caos’, levando o público a mais uma sequência de moshes. O resultado foi um dos encontros mais coerentes do dia, em que duas bandas com personalidades distintas, mas que funcionaram muito bem, encontraram justamente na agressividade um ponto de convergência.

Foto: @marefemiani

MGK: o estranho no meio da tempestade
Quando a noite começou a tomar conta da Cidade do Rock, o Palco Mundo mergulhou no escuro. Alguns segundos depois, uma profusão de luzes apresentou MGK ao público. Talvez nenhum outro artista do dia parecesse tão deslocado dentro daquela programação.

O cenário também não passava despercebido: uma enorme cabeça da Estátua da Liberdade e um pedestal em formato de cigarro compunham uma estética extravagante. O cantor até que se esforçou, mas não encontrou a mesma receptividade na plateia.


Foto: @mangabeira

Embora boa parte do repertório passe pelo pop punk e pelo emo, o show ao vivo ganhou um peso considerável graças à banda que acompanhava MGK. As guitarras e a bateria deram às músicas uma dimensão mais agressiva do que aquela percebida nas versões digitais. ‘I Think I'm OKAY’ conseguiu levantar o público, enquanto ‘bloody valentine’, ‘forget me too’ e ‘lonely’ formaram um dos blocos mais empolgantes da apresentação.

Não era difícil imaginar aquele show funcionando ainda melhor em uma noite dedicada ao pop rock, ao emo ou ao pop punk. Dentro do sábado mais pesado do Rock in Rio, porém, MGK parecia estar em território parcialmente estrangeiro. Ainda assim, seria injusto reduzir sua apresentação a um problema de encaixe.MGK entrou no palco disposto a conquistar aquele público e entregou uma apresentação energética, encerrada por ‘papercuts’, ‘vampire diaries’ e ‘my ex's best ’.



Poppy: quando o metal encontra o inesperado
Se MGK parecia deslocado, Poppy fez justamente o contrário: transformou a mistura de estilos em sua principal arma. No Sunset, a cantora natural de Massachusetts apresentou um espetáculo hipnotizante, pesado e visualmente peculiar. Sua voz passeava entre momentos delicados e sedutores e explosões de guturais que pareciam surgir de outro espetáculo.

A estética também ajudava a construir esse universo. O figurino chamava atenção e a banda mascarada contribuía para uma atmosfera quase teatral. O repertório passou principalmente por "Negative Spaces", de 2024, e "Empty Hands", de 2026. ‘Have You Had Enough?’, ‘The Cost of Giving Up’, ‘Concrete’ e ‘Bruised Sky’ formaram o primeiro bloco.



Mas foi em ‘Scary Mask’ que Poppy mostrou por que é uma artista tão difícil de classificar. A música começa próxima do pop antes de mergulhar em uma explosão pesada, criando o ambiente perfeito para uma sequência de moshes. Na reta final, vieram ‘Public Domain’, ‘Time Will Tell’ e ‘If We're Following the Light’, até chegar a ‘V.A.N.’, parceria com o Bad Omens, que ainda subiria ao mesmo palco naquela noite. ‘New Way Out’ encerrou uma apresentação que funcionou justamente porque não tentou escolher um único caminho.


Foto: @dopamineblur

Bring Me The Horizon: Sykes no comando ouvindo os corações do público pulsarem bem alto
Enquanto Poppy encerrava sua apresentação no Sunset, uma multidão já ocupava cada espaço possível diante do Palco Mundo. Era hora de um dos shows mais esperados da noite, o Bring Me The Horizon. Entre todas as atrações do sábado, talvez nenhuma carregasse uma expectativa tão alta. A banda vinha de um excelente momento de carreira e de uma apresentação marcante em São Paulo no fim de 2024, posteriormente registrada em lançamento para cinemas e plataformas digitais.

Oliver Sykes, Lee Malia, Matt Kean e Matt Nicholls não apenas corresponderam à expectativa, como transformaram o Palco Mundo em um espetáculo audiovisual gigantesco. Desde os primeiros momentos de ‘DArkSide’, Oliver assumiu o controle da plateia. Os telões de fundo que emitiam a uma igreja ajudavam a transformar o show em uma experiência imersiva, quase como se a Cidade do Rock tivesse sido transportada para dentro de um videogame de horror.


Foto: @lali_moss

Mas o grande protagonista continuava sendo o público. Os moshes se espalhavam pela plateia. Sinalizadores iluminavam a multidão. Milhares de pessoas cantavam juntas ‘The House of Wolves’, ‘Happy Song’, ‘Teardrops’, ‘Dehumanized’ e ‘Kingslayer’.

Oliver também fez questão de reforçar sua conexão com o Brasil. Falando português em diversos momentos, brincou com a plateia, pediu moshes, soltou um “merda” no meio das músicas, agradeceu ao público e, para delírio geral, lembrou que já tem “Pix e CPF”. Em ‘Pray for Plagues’, um fã foi convidado ao palco para cantar com a banda e, por alguns minutos, roubou completamente a cena. A participação serviu como um retrato perfeito da relação construída entre o Bring Me The Horizon e seus fãs: intensa, caótica e absolutamente participativa.


Foto: @dopamineblur

Só que o melhor ainda estava por vir. A sequência final reuniu ‘Doomed’, ‘Drown’ e ‘Throne’. Três músicas capazes de transformar nostalgia em catarse. Se você acompanhou a banda desde os anos 2000, era difícil não sentir o peso de estar ali. E, mesmo para quem chegou depois, a força daqueles refrões era impossível de ignorar. Então, para finalizar, veio o hino ‘Can You Feel My Heart’. O Palco Mundo inteiro pareceu cantar junto. O Bring Me The Horizon não precisou de um discurso sobre futuro para deixar sua mensagem. O próprio show dizia tudo: a banda cresceu, mudou, atravessou diferentes fases e encontrou uma maneira de transformar sua história em um espetáculo gigantesco.

Se o Rock in Rio estava procurando um novo nome para ocupar o posto de headliner em futuras edições, o recado foi bastante claro. O Bring Me The Horizon está ali com suas canções e seu público insano, que fez o espetáculo ser grandioso.


Foto: @badomens

Bad Omens: peso e escuridão
Enquanto o Palco Mundo ainda ecoava a catarse do Bring Me The Horizon, o Sunset recebeu o Bad Omens para encerrar sua programação. Noah Sebastian, Joakim “Jolly” Karlsson, Nicholas “Nick” Ruffilo e Nick Folio trouxeram ao festival um espetáculo construído sobre contrastes. A apresentação contou com muito peso e melodia, batidas eletrônicas e guitarras, agressividade e vulnerabilidade.

O repertório revisitou os três álbuns que sustentam a atual fase da banda, "Bad Omens" (2016), "Finding God Before God Finds Me" (2019) e "The Death of Peace of Mind" (2022). ‘Specter’ abriu a apresentação de maneira quase contemplativa, com os vocais profundos de Noah preparando o público para o que viria. ‘Glass Houses’ mudou completamente o clima, acrescentando peso, pirotecnia e moshes.

Ao longo do show, músicas como ‘The Death of Peace of Mind’, ‘Dying to Love’, ‘Nowhere to Go’ e ‘ARTIFICIAL SUICIDE’ mostraram justamente essa capacidade de transitar entre extremos. O grande diferencial do Bad Omens, porém, está na interpretação de Noah Sebastian. Sua voz é o centro emocional da apresentação, conduzindo letras obscuras e introspectivas enquanto a banda cria uma camada sonora que mistura elementos eletrônicos e metal moderno.

Os vídeos exibidos durante o espetáculo ajudaram a transformar o show em uma narrativa. Dividida em cinco fitas, a história acompanhava a relação de um artista com a fama, passando por sentimentos ligados à exposição, à queda, ao desabafo e à cura. ‘Left for Good’, ‘What It Cost’, ‘Like a Villain’, ‘Just Pretend’ e ‘Impose’ mantiveram a plateia envolvida até ‘Dethrone’, escolhida para encerrar a apresentação com uma explosão de energia.

Foi um ótimo show, profundo, sombrio e visualmente bem construído. O único problema talvez tenha sido inevitável, entrar no palco depois do que havia acabado de acontecer no Palco Mundo. Em geral, Bad Omens apresentou um show muito profundo e obscuro dentro da proposta que a banda sempre trouxe em suas composições, de uma forma que agradou muito o público presente, mas ficou ofuscado pela apresentação eletrizante do Bring Me The Horizon anteriormente.


Foto: @alexwoloch

Avenged Sevenfold: nostalgia sob a chuva
Já passava da meia-noite quando a ansiedade tomou conta do Palco Mundo.
Um pequeno atraso aumentou a expectativa de uma multidão que carregava consigo uma combinação poderosa de nostalgia e felicidade: mais uma vez era hora de reencontrar o Avenged Sevenfold. M. Shadows, Synyster Gates, Zacky Vengeance, Johnny Christ e Brooks Wackerman finalmente apareceram no palco e não poderiam ter escolhido uma abertura mais simbólica: ‘Nightmare’. O refrão foi imediatamente devolvido por milhares de vozes.

Era ali que ficava evidente o principal combustível daquela apresentação, a memória afetiva. ‘Afterlife’, uma das primeiras músicas do repertório, aumentou ainda mais a conexão com os fãs. O setlist priorizou os grandes sucessos da carreira, deixando os lançamentos mais recentes em segundo plano. Tecnicamente, o Avenged Sevenfold continua sendo uma máquina extremamente precisa. Os músicos entregaram uma apresentação potente, os solos continuam sendo um espetáculo à parte e a estrutura do show não deixou dúvidas sobre o tamanho da banda.


Foto: @alexwoloch

Mas havia uma diferença importante em relação às apresentações anteriores. Para quem acompanhou o grupo em São Paulo no início do ano ou esteve no Rock in Rio de 2024, faltou aquela sensação de surpresa. O show funcionou muito mais como uma celebração do passado do que como uma demonstração de uma banda querendo apresentar uma nova fase.

‘Goodbye’, ‘Shepherd of Fire’, ‘Buried Alive’, ‘Seize the Day’, ‘The Stage’ e ‘Hail to the King’ atravessaram o repertório, mantendo a plateia conectada. M. Shadows, mesmo sem reproduzir a mesma força vocal de seus primeiros anos de carreira, continua tendo uma presença capaz de comandar milhares de pessoas. Em uma das interações, inclusive, pediu que os fãs deixassem de lado as disputas sobre qual banda seria melhor e lembrou que todos estavam ali pelo mesmo motivo. Em seguida, reclamou que o público poderia estar mais animado e colocou parte da culpa na chuva fina que caía sobre a Cidade do Rock.


Foto: @alexwoloch

A reta final trouxe ‘Nobody’, ‘M.I.A.’, ‘Bat Country’, ‘Unholy Confessions’ e ‘A Little Piece of Heaven’. A ausência de ‘So Far Away’ certamente foi sentida por uma parcela dos fãs, mas não comprometeu um repertório recheado de clássicos. Escolher uma música tão emocional como ‘Cosmic’ para encerrar uma noite daquela dimensão foi uma decisão arrojada. A Cidade do Rock já estava consideravelmente mais vazia, mas quem permaneceu diante do Palco Mundo parecia disposto a ficar até o último segundo. A música trouxe uma atmosfera diferente de tudo que havia acontecido anteriormente. Depois de horas de guitarras, moshes, gritos e refrões cantados em coro, o Avenged Sevenfold terminou a noite olhando para dentro.

Talvez o show não tenha sido o mais impactante da banda no Brasil. Talvez tenha faltado um pouco da imprevisibilidade e da força que marcaram apresentações anteriores. Mas seria injusto medir uma apresentação do Avenged Sevenfold apenas pelo elemento surpresa. Há algo poderoso em reencontrar uma banda que fez parte da trilha sonora de uma geração. Para quem cresceu ouvindo ‘Nightmare’, ‘Afterlife’, ‘Seize the Day’, ‘Bat Country’ ou ‘A Little Piece of Heaven’, estar novamente diante daqueles músicos é também revisitar uma parte da própria história. E, no fim, era exatamente isso que aquela noite parecia querer celebrar.

Foto: @alexwoloch

Uma noite para quem cresceu com o rock
O segundo dia do Rock in Rio terminou como começou: sob chuva, cercado por guitarras e com uma quantidade considerável de memória afetiva espalhada pela Cidade do Rock.Foi uma noite curiosa porque conseguiu falar com diferentes gerações do rock ao mesmo tempo.

O Sepultura representou a história e uma despedida que, em vez de olhar para trás com tristeza, celebrou décadas de legado. O Black Pantera e a Nervosa mostraram que o metal brasileiro continua encontrando novas formas de se expressar. Poppy apresentou um futuro em que os gêneros já não precisam respeitar fronteiras. MGK levou o pop punk e o emo para dentro de uma programação essencialmente pesada. Bad Omens mostrou como o metal moderno pode ser tão atmosférico quanto agressivo.

E então vieram Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold, cada um representando uma relação diferente com o passado. O primeiro mostrou que é possível envelhecer junto com o público sem perder a capacidade de se reinventar. O segundo provou que, mesmo quando a novidade diminui, a força de uma história bem construída permanece. Para quem hoje está na faixa dos 30 a 45 anos ou além, talvez esse tenha sido o grande mérito do dia. Não era apenas uma sequência de shows, era uma espécie de viagem por diferentes momentos da vida.


Foto: @mangabeira

As músicas que foram descobertas na adolescência estavam ali. As bandas que cresceram junto com seus fãs também, ao mesmo tempo que haviam artistas mais novos mostrando que o rock pesado não ficou preso ao passado. Não foi uma noite perfeita, mas talvez perfeição nunca tenha sido o objetivo.

O segundo dia do Rock in Rio 2026 foi, acima de tudo, uma noite sobre pertencimento. Pertencer a uma geração que cresceu com o rock, mas que não precisa ficar presa às mesmas músicas de sempre, lembrar das bandas que moldaram uma época, enquanto abre espaço para descobrir as que vão definir a próxima, porque a força do rock pode até diminuir, mas ela está longe de morrer.

Postar um comentário

0 Comentários
* Please Don't Spam Here. All the Comments are Reviewed by Admin.

Ads Area