Aos 80 anos de Freddie Mercury, Rodrigo Fernandes reflete sobre legado do artista: “Eu não tentei ser o Freddie”


Ex-integrante do Queen Experience, cantor fala sobre a influência do vocalista em sua formação e o desafio de preservar a essência das músicas sem recorrer à imitação.

Freddie Mercury teria completado 80 anos no último dia 5 de setembro. Mesmo após décadas de sua partida, o vocalista do Queen permanece como uma das principais referências para cantores e performers de diferentes gerações. Sua extensão vocal, a versatilidade do repertório e a maneira como dominava o palco ajudaram a construir um legado que ainda influencia artistas ao redor do mundo. 

Entre eles está Rodrigo Fernandes. Cantor e performer brasileiro com apresentações realizadas em mais de 30 países, Rodrigo integrou o Queen Experience e viveu, nos palcos, o desafio de interpretar músicas eternizadas pela banda sem abrir mão da própria identidade. 

Para ele, a maior influência de Freddie não está apenas na voz, mas na intensidade com que o artista se entregava a cada interpretação. “A principal influência do Freddie na minha vida é a entrega e a visceralidade com que ele fazia tudo. Tanto nas músicas mais pesadas quanto nas mais singelas, ele tinha uma versatilidade enorme. Se eu fosse fazer um paralelo (com todo o respeito, porque ele é uma lenda), seria exatamente essa versatilidade. Eu consigo ser o cara que canta uma música singela e, ao mesmo tempo, o cara que entrega com muita potência e visceralidade”, afirma Rodrigo. 

A passagem pelo Queen Experience também representou um período decisivo para o desenvolvimento de sua presença cênica. Além das exigências vocais do repertório, o projeto fez com que Rodrigo explorasse com maior profundidade elementos como movimentação, dança, interpretação e domínio de palco. 

“O Queen Experience me mostrou que eu tinha ainda mais capacidade de performar, dançar e me movimentar do que eu achava. No começo, foi um desafio, mas, depois de uns 40 dias performando pelo menos duas vezes por semana, isso se tornou natural. Hoje, emprego tudo o que aprendi em tudo que faço. Foi um degrau gigantesco na minha carreira”, recorda. 

Identidade acima da imitação 

Interpretar Freddie Mercury envolve uma dificuldade particular: o vocalista não se tornou reconhecido somente pelo alcance de sua voz, mas também por um conjunto muito próprio de expressões, gestos e escolhas cênicas. Para Rodrigo, tentar reproduzir integralmente essas características seria um caminho limitado e, sobretudo, impossível. 

Ele reconhece que seu timbre natural é bastante diferente do de Freddie, o que exigiu estudo e adaptação vocal durante sua participação no espetáculo. “Entre os intérpretes do Freddie, eu sou provavelmente um dos que têm o timbre naturalmente mais distante do dele. Muitos possuem um timbre muito similar, e o timbre é como a digital da voz. Eu precisava manipular bastante a minha para chegar a um resultado próximo”, explica. 

Por outro lado, Rodrigo encontrou na extensão vocal, na potência e na presença de palco os elementos necessários para construir sua própria leitura das canções do Queen. “A minha vantagem era conseguir cantar todas as notas dos álbuns nos tons originais em que foram gravadas. Minha movimentação também era muito semelhante. O que as pessoas sempre comentavam, nas inúmeras mensagens que eu recebia, era exatamente a entrega, a potência e a presença de palco. Não era somente a voz, mas a união de tudo o que envolve uma performance”, completa. 

Mais do que reproduzir características externas, o cantor buscou compreender a energia das composições e transportá-la ao palco a partir de suas próprias referências. “Acho que foi esse caminho que me permitiu preservar a essência do Queen sem cair na imitação: eu não tentei ser o Freddie, o que é impossível. Trouxe o que tenho de mais genuíno para dentro daquelas músicas”, ressalta. 

Atualmente, Rodrigo reúne parte dessa experiência no Luxury Rock Experience, projeto audiovisual e espetáculo dedicado aos grandes clássicos do rock internacional. No repertório, o artista revisita obras de nomes como Queen, Bon Jovi, Guns N’ Roses, Bryan Adams, Aerosmith, Journey e Led Zeppelin, mantendo o respeito às versões originais, mas incorporando sua identidade vocal e cênica. Gravado em São Paulo, o projeto já apresentou ao público as releituras de “Always”, “Summer of ’69” e “Patience”. 

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