O lançamento também dá continuidade à fase de jogos baseados em personagens da Marvel desenvolvidos pela Insomniac Games, iniciada em 2018 com Marvel’s Spider-Man e que teve como seu último lançamento Marvel’s Spider-Man 2, em 2023. Desta vez, porém, o estúdio deixa Nova York e a movimentação característica do Homem-Aranha de lado para apostar em uma experiência mais focada no combate corpo a corpo, na violência e na personalidade de Logan.
A aventura também busca apresentar uma escala diferente daquela vista nos jogos anteriores da Insomniac. Enquanto os títulos de Marvel’s Spider-Man apostavam em uma grande cidade aberta e na liberdade de se movimentar pelos prédios, Marvel’s Wolverine concentra sua experiência em ambientes que permitem explorar melhor a personalidade do personagem, seus relacionamentos e os confrontos que fazem parte de sua jornada.
SINOPSE
Em Marvel’s Wolverine, assumimos o controle de Logan numa jornada que mergulha em diferentes momentos de sua trajetória, colocando sua capacidade de regeneração e suas habilidades de combate no limite. A narrativa abraça a essência do mutante dentro do universo Marvel, mesclando seu temperamento agressivo, a personalidade difícil e um passado marcado por violência e traumas profundos.
A trama se inicia três anos após Logan abandonar a Equipe X. Vivendo de forma discreta e distante dos grandes conflitos, ele tenta reconstruir as memórias do seu passado, com a paz temporária sendo interrompida quando uma organização internacional passa a caçar mutantes, forçando o protagonista a colocar as garras de adamantium para fora mais uma vez.
A partir daí, Wolverine é confrontado por lembranças e dilemas de sua origem, criando um forte contraste entre o homem que busca controle sobre a própria vida e o instinto predatório que habita dentro dele.
Esse conflito se reflete diretamente nas mecânicas do jogo através da Fúria Berserker, a expressão máxima da natureza violenta do herói. Sua resistência física e seu fator de cura também ganham peso nas batalhas, garantindo uma identidade única aos confrontos e transmitindo a sensação real de controlar alguém capaz de suportar ferimentos mortais.
Ao focar nos dilemas pessoais, na relação com aliados marcantes como Jean Grey (que atua como uma importante âncora emocional durante a trama) e na identidade de Logan, a campanha entrega uma história íntima e visceral, ao mesmo tempo em que constrói as bases para expandir o universo do jogo e criar outra cronologia para membros dos X-Men, sob o nome de Team X.
MENU
Logo nas primeiras telas de Wolverine, o jogador encontra uma quantidade bastante ampla de opções para ajustar a experiência antes mesmo de começar a campanha. A seleção de dificuldade oferece três níveis: O Cara, indicado para quem procura uma experiência muito fácil; O Mutante, que funciona como a opção normal; e O Melhor, voltado para quem deseja um desafio muito maior.
Também é possível personalizar diversos aspectos relacionados à jogabilidade e à apresentação. Entre as opções estão a mira fixa no alvo (ativada por padrão), modos de correr (padrão, automático, clicando só uma vez), modos de golpear (padrão, um combo ou diversos combos de uma vez), além da visibilidade de sangue e o desmembramento, além do dano visceral, todos esses últimos habilitados inicialmente. O menu ainda permite alterar os modos de vibração do controle, configurar a assistência de perseguição (desativada por padrão) e ativar ou desativar o motion blur. O tamanho dos textos exibidos na tela também pode ser ajustado, facilitando a leitura durante a aventura.
Na parte de imagem, Marvel's Wolverine oferece ferramentas para realizar a calibração de acordo com o televisor ou monitor utilizado. É possível modificar brilho e contraste, escolher entre os modos de desempenho e fidelidade, além de encontrar recursos como VRR para PS5 Pro, HDR e suporte a 120 Hz. Essas opções permitem equilibrar qualidade visual e desempenho de acordo com a preferência de cada jogador e as características do equipamento.
O áudio também recebe atenção semelhante. Além da possibilidade de utilizar o modo Mono, existe o Modo Meia-Noite, que reduz a diferença entre sons muito altos e muito baixos, uma alternativa interessante para quem joga em horários nos quais é necessário controlar melhor o volume. Há ainda o Modo Stream, que permite ativar músicas não licenciadas durante transmissões ou gravações de gameplay, evitando problemas relacionados aos direitos autorais.
As configurações de legendas completam esse conjunto de ferramentas, acompanhadas por uma seção dedicada à acessibilidade. Nela, encontramos recursos voltados para diferentes necessidades, incluindo opções relacionadas à audição, mobilidade, visão e movimento. A quantidade de ajustes disponíveis permite adaptar elementos importantes da experiência sem obrigar o jogador a seguir uma configuração única.
No geral, o menu mostra um cuidado significativo em oferecer liberdade para personalizar a aventura. Podemos escolher desde o nível de dificuldade e a intensidade da vibração do DualSense, que contribui para a sensação de impacto durante os combates, até aspectos ligados à apresentação visual, desempenho, áudio, legendas e acessibilidade. É um conjunto de possibilidades que ajuda a deixar a experiência mais adequada ao estilo e às necessidades de cada pessoa.
GAMEPLAY
Após as configurações iniciais, a aventura nos transporta cerca de 30 anos no passado, onde vemos um Logan perdido na mata, ainda distante do herói que conhecemos, até ser encontrado e convidado a integrar um grupo de indivíduos com habilidades especiais.
Em seguida, a narrativa salta para os dias atuais, colocando o protagonista no centro de uma nova operação, além de nos apresentar os comandos e as mecânicas no calor da ação, sem deixar sua história de lado, enquanto aprendemos a movimentação básica, esquivas, combates corpo a corpo e o uso das garras de adamantium. Além de apresentar a primeira habilidade especial e um dos vilões da trama, a sequência ensina a alternar entre o confronto direto e uma abordagem furtiva, acostumando o jogador a reagir a diferentes ameaças enquanto a história avança.
Quanto à jogabilidade geral, a Insomniac deixa de lado as acrobacias aéreas e a sensação de "flutuar" pelo cenário vistas em Spider-Man, abrindo espaço para momentos táticos de stealth. Essa adição enriquece a variação de ritmo, ainda que possa não agradar a quem prefere gameplay 100% ativo. Outro fator que quebra o ritmo são as cutscenes: algumas poderiam facilmente ter sido mescladas com QTEs ou botões de ação, em vez de colocarem o jogador inteiramente em modo espectador.
Outro elemento que pode dividir opiniões são os QTEs (Quick Time Events). Durante os testes nos capítulos iniciais, notei que ignorar alguns comandos não gerava punição ao jogador. O mesmo se repetiu na primeira sequência de moto: caso o controle seja deixado de lado, o veículo completa o percurso de forma automática e sem acidentes (ironicamente, o risco de colisão só existe se o jogador tentar pilotar manualmente). O comportamento de algumas QTEs pareceu voltar ao normal durante os testes no terceiro dia de gameplay, mas nos dias seguintes, notei que outras ainda estavam sem nenhum tipo de punição ao errar elas, sendo completadas automaticamente.
Embora esses detalhes não afetem o andamento da narrativa, são pequenas falhas de consistência que distanciam a sensação de desafio. Creio que isso deveria ser um modo configurável de acessibilidade e que terá atualização futura.
Já nas atividades secundárias, um dos grandes acertos é o sistema das Portas dos Pesadelos (com o jogo mostrando para nós onde é ou com o player procurando, de acordo com suas configurações). Embora funcionem como conteúdo opcional, elas são vitais para a narrativa, pois é por meio dessas provações que Logan resgata memórias de seu passado. Conforme o jogador avança, a cabana de Logan ganha esculturas que representam fragmentos recuperados, além de render um troféu e desbloquear o epílogo ao liberar todas as portas.
Além disso, temos coletáveis como as garrafas de Whisky e as Caixas de Ferramentas, que antes eram indicados por barulhos ou rastros de maneira automática e, após a última atualização, agora podem ser configurados.
MECÂNICA DE COMBATENo combate corpo a corpo, a Insomniac conseguiu traduzir com maestria a ferocidade de Wolverine sem recorrer a sistemas reciclados de suas produções anteriores. O foco se volta para o confronto a curta distância, em que cada golpe carrega peso, violência e cadência, nos fazendo sentir que estamos de fato controlando um personagem violento como o Wolverine, agradando fãs do personagem e players casuais ao mesmo tempo.
A dinâmica dos confrontos varia bastante conforme a ameaça. Inimigos comuns caem rapidamente diante de investidas contínuas, mas unidades armadas e de elite exigem alternar entre quebras de postura e posicionamento estratégico para evitar cercos fatais. O próprio cenário se torna uma arma, permitindo arremessar oponentes contra paredes, vigas e quinas de móveis.
O pilar defensivo da jornada está no Aparo (Parry) e na Esquiva Perfeita. Ao executar o parry no tempo exato, Logan usa as garras para rebater investidas e abrir brechas para contra-ataques devastadores, resultando em finalizações cinematográficas (muitas vezes executadas em conjunto com parceiros da Equipe X, como Mystique, Sabretooth e Jean Grey). Dominar essa mecânica é vital para a sobrevivência: uma falha no tempo de reação faz a vida do herói evaporar, enquanto o acerto quebra a guarda do adversário e libera janelas para combos críticos.
Por fim, a Fúria Berserker serve como válvula de escape: conforme a barra de raiva se acumula na tela, sua ativação acelera a regeneração de vida, aumenta a velocidade dos ataques e concede imunidade a atordoamentos leves. Saber exatamente quando acionar cada um desses recursos é algo que separa o jogador casual de quem domina o ritmo selvagem do game.
ÁRVORE DE HABILIDADES
Em vez de ter melhorias como percentuais passivos de vida ou dano, o sistema de evolução foi construído para expandir a agressividade, o repertório de combate e a sobrevivência de Logan de uma forma orgânica, em que cada ponto é convertido em opções táticas na tela, sejam elas técnicas de base, golpes ativos ou personalização de estilo, além dos Níveis de Raiva, que permitem ressuscitar Logan da beira da morte.
A árvore de habilidades é composta por três pilares fundamentais:
Técnicas de Base (Mobilidade e Postura): Habilidades permanentes adquiridas com Pontos de Técnica obtidos ao explorar o mapa, coletar mementos ou trucidar ondas de oponentes. É aqui que o jogador molda a mobilidade e o ritmo da luta. Recursos de aproximação acabam com o pesadelo de ser alvejado por atiradores à distância, permitindo que Logan encurte espaço em alta velocidade e transforme a investida em um ataque fatal. Complementando essa dinâmica, golpes focados em quebra de postura abrem brechas para finalizações violentas que restauram a saúde do herói no calor do confronto.
Golpes Ativos (Técnicas Especiais): Indo além dos movimentos básicos, o jogo oferece um catálogo de habilidades configuráveis, permitindo equipar até quatro técnicas simultâneas para adaptar o combate ao desafio do momento. Quando cercado por uma multidão de ninjas, o Tornado Spin atua como uma tempestade de lâminas que afasta ameaças imediatamente; já contra tropas blindadas, habilidades como o Knee Breaker e o Spiral Strike entram em ação para quebrar a guarda de inimigos pesados ou perfurar as linhas de defesa para focar alvos prioritários.
Personalização de Estilo (Adaptações Passivas): A customização aprofunda-se com vantagens mecânicas encontradas ao completar desafios específicos e explorar o cenário, ajustando a jogabilidade ao perfil de cada jogador. Quem prefere um ritmo defensivo e preciso pode utilizar o Extended Parry para converter defesas perfeitas em cura instantânea. Já os jogadores mais agressivos podem focar em acelerar o acúmulo da barra de raiva e desacelerar seu consumo, mantendo Logan no topo de sua ferocidade por mais tempo.
A fusão desses três pilares conecta-se diretamente aos Níveis de Raiva (Rage Tiers), barra que concede aumentos graduais de velocidade e permite consumir a raiva acumulada para ressuscitar Logan quando ele está prestes a cair. No ápice do Nível 3, o jogador desbloqueia execuções devastadoras, realizando decapitações e desmembramentos fatais em um piscar de olhos.
No fim das contas, a árvore de habilidades de Marvel’s Wolverine funciona como o retrato da adaptação de um predador: o aparo gera raiva, a raiva abre margem para finalizações críticas, e as finalizações garantem a cura necessária para manter Logan na linha de frente.
INIMIGOS
Com uma variedade de inimigos, eles são divididos em fundações de facções, unidades táticas e vilões/chefes de peso, mesclando tecnologia anti-mutante, artes marciais lendárias e rivalidades históricas da Marvel.
1 - Facções e tropas modificadas ciberneticamente
Operam focando no combate armado e contenção, utilizando rifles energéticos de longo alcance, lança-chamas, além de soltar redes/drogas inibidoras do fator de cura de Logan, exigindo ainda mais nossa atenção.
Nos cenários do Japão e em Madripoor, temos o Tentáculo, sendo muito ágeis e perigosos em grupo, dominando esquivas, emboscadas pelas sombras, ataques com katanas energizadas e shurikens, eles fazem com que sejam essenciais esquivas perfeitas e parries no momento certo.
Além disso, temos unidades estratégicas de combate, encorajando os inimigos ao redor a atacar de maneira agressiva e coordenada, obrigando o jogador a caçá-los primeiro usando o modo de rastreamento.
2 - Ameaças pesadas e Maquinários como Robôs
Caçadores de mutantes, definidos como Sentinelas que mudam a dinâmica do jogo, exigindo esquivas de varreduras gigantescas, raio laser e foco em destruição de componentes e cabos expostos.
3 - Chefões
As lutas contra chefes funcionam como verdadeiros testes de reflexo e gerenciamento de atordoamento, exigindo cadência em vez de apenas esmagar botões, com a repetição nos ensinando a quebrar ataques, fazer aparos cirúrgicos e evitar tentativas afobadas, incluindo lutas divididas em múltiplas fases, convertendo o combate num teste brutal de sobrevivência, com uso estratégico do modo Fúria Berserker e outros que obrigam o player a o alvo real e quebrar a postura do chefe nos momentos certos.
MAPA E LOCAIS
A estrutura de níveis em Marvel's Wolverine abandona a ideia do mapa aberto único para apostar num design linear com áreas abertas (mas sem permitir tanta exploração), escolha que permitiu que a Insomniac construísse quatro ecossistemas visuais e funcionais muito distintos ao longo das missões:
1. As Florestas de Telambang
O jogo inicia a jornada em regiões densas e tropicais. O mapa aposta na verticalidade natural de árvores para camuflagem, rios e instalações escondidas, mesclando a vegetação pesada com a estética industrial fria de bases militares.
2. Canadá
Voltando para as raízes de Logan, a região oferece cenários cobertos de neve, vales congelados, instalações rurais, florestas, a isolada cabana de Logan e o Instituto Essex (ponto central da trama, mas que não iremos dar muito spoiler). No geral, esse é um ambiente de atmosfera melancólica, em que a névoa e as tempestades exigem o uso dos sentidos apurados de Wolverine para rastreamento.
3. A Ilha de Madripoor (Lowtown e Hightown)
Local icônico dos quadrinhos da Marvel, Madripoor é divida entre Lowtown e Hightown:
Lowtown:
Hightown:
4. Shinjuku (Japão)
Tóquio proporciona um cenário rico em iluminação e detalhes, tendo os becos coloridos de Kabukicho, casas de arcade, coberturas luxuosas, templos tradicionais, santuários e complexos subterrâneos dominados pelo Tentáculo.
Essa variedade de locais e sua diversidade é responsável por ditar o ritmo do gameplay: Em ambientes fechados (como bares e laboratórios), o design prioriza a destruição de cenários e arremesso de inimigos.
Além disso, tem alguns caminhos visíveis apenas ao ativar o modo de rastreamento de Logan, revelando rotas ocultas, entradas secretas e colecionáveis espalhados por frestas das paredes e contêineres.
DUBLAGEM
A performance vocal e a localização de Marvel’s Wolverine sustentam com maestria o tom maduro, áspero e melancólico escolhido pela Insomniac para a jornada de Logan. O trabalho alcança um equilíbrio entre o drama das cenas cinematográficas e sua jogabilidade, ainda que acompanhado por uma escolha de adaptação que promete dividir o público.
Avaliar a dublagem brasileira de qualquer obra do Wolverine é encarar a sombra inesquecível de Isaac Bardavid, voz que moldou a identidade do personagem no país por gerações. Sabendo dessa responsabilidade, a direção de elenco apostou num caminho próprio em vez de tentar uma imitação forçada. Sob a interpretação de Arthur Machado, o Logan brasileiro ganha uma textura rouca, pesada e perfeitamente alinhada à proposta do game. A localização mantém o alto padrão técnico das produções da PlayStation, entregando excelente sincronia labial e atuações que não perdem a intensidade nem mesmo no caos do combate.
No entanto, há um ponto curioso e passível de debate: a decisão editorial de manter diversos nomes de locais, grupos e personagens no inglês original. Essa diretriz imposta pela própria Marvel para padronizar suas marcas globalmente (apesar de isso não ocorrer nos filmes) faz com que os diálogos em português insiram frequentemente termos como Lowtown, Hightown, Essex Institute, Reavers, Team X, Sabretooth e Mystique.
Para quem consome mídias em inglês ou acompanha a comunidade global, essa escolha facilita a navegação e evita traduções literais truncadas. Por outro lado, para quem cresceu consumindo os quadrinhos, as animações e os filmes dublados no Brasil, o uso dessas expressões estrangeiras no meio das falas gera um estranhamento inicial, tirando um pouco da organicidade dos diálogos.
Apesar dessa concessão aos padrões comerciais da marca, a equipe de dublagem consegue integrar esses termos ao fluxo das falas com naturalidade, entregando a carga emocional necessária para dar humanidade a uma das experiências mais brutais da história do estúdio.
TROFÉUS
Para os caçadores de conquistas e platinas, Marvel’s Wolverine oferece uma lista de 42 troféus (1 Platina, 4 Ouro, 9 Prata e 28 Bronze) desenhada na medida certa pela Insomniac Games. Seguindo a tradição de títulos como Marvel’s Spider-Man, a busca pelos 100% evita o acúmulo desnecessário de grind ou a obrigatoriedade de zerar a campanha em dificuldades punitivas, tornando a experiência fluida e extremamente gratificante do início ao fim.
A maior parte das conquistas vem de forma orgânica à medida que o jogador explora os sistemas centrais do game. O progresso incentiva o domínio das mecânicas de combate (como a execução de parries perfeitos, o uso frequente da Fúria Berserker e as finalizações ambientais), ao mesmo tempo em que premia a exploração com a busca de colecionáveis, mementos do projeto Arma X e a conclusão de missões secundárias nas diferentes regiões do mapa.
Para conquistar a Platina, os 42 troféus do jogo exigem cumprir desafios divididos em três frentes principais:
Domínio de Combate: Dominar os sistemas de luta executando 100 parries perfeitos, mantendo combos de 50x, eliminando grupos de inimigos em uma única ativação da Fúria Berserker e utilizando o cenário para arremessos e finalizações.
Exploração de Mapa (100%): Varrer todas as regiões para coletar todas as garrafas de uísque, mementos do passado de Logan e registros de áudio do programa Arma X com o auxílio dos Sentidos Mutantes.
Desafios e Evolução: Concluir todas as Portas do Pesadelo (Nightmare Doors) com pontuação máxima, desbloquear 5 trajes alternativos, limpar acampamentos de forma 100% furtiva e adquirir todas as habilidades da árvore de evolução.
Sem o pesadelo de troféus perdíveis ou tarefas abusivas, a caçada pela platina funciona como uma extensão natural da aventura, funcionando como uma excelente justificativa para espremer até a última gota de conteúdo do título no PS5.
Até o momento, de 24K jogadores cadastrados no site PSN Profiles, 8K conseguiram a Platina (confira todos os troféus e o que fazer para conquistá-los AQUI).
CONCLUSÃO
Marvel’s Wolverine deixa de lado a navegação de mundo aberto e a leveza de Spider-Man para proporcionar uma experiência visceral, linear e profundamente focada no combate corpo a corpo, sem abrir mão de uma narrativa madura que explora os traumas, a essência e o lado humano de Logan.
Essa busca pelo passado ganha ainda mais peso com as Portas dos Pesadelos, atividades opcionais que expandem a história de forma inteligente e recompensam o jogador com memórias valiosas e até um epílogo para a jornada.
O título se destaca por sua riqueza visual e por sua variedade de ecossistemas (que vão do Canadá congelado às ruas iluminadas de Madripoor e Shinjuku), enquanto alterna entre a pancadaria bruta, sequências táticas de stealth e a exploração conduzida pelo rastreamento mutante.
Essa ambientação ganha força num sistema de combate técnico e impactante, construído sobre o uso inteligente do cenário, parries cirúrgicos, a mecânica da Fúria Berserker e uma árvore de habilidades verdadeiramente orgânica. A gameplay traduz a ferocidade do protagonista ao colocá-lo diante de uma vasta gama de ameaças, que inclui desde ninjas e facções armadas até robôs Sentinelas e chefes desafiadores.
No aspecto técnico, o jogo brilha pelo cuidado com a apresentação visual e sonora. A experiência se beneficia de um tutorial perfeitamente integrado à narrativa, amplos recursos de acessibilidade, ajustes gráficos avançados no PS5 e uma dublagem nacional pesada e expressiva conduzida por Arthur Machado, complementada por uma caçada de troféus fluida e sem exigências abusivas.
Por outro lado, a estrutura de fases mais contida limita a exploração para quem esperava maior liberdade, enquanto a cadência da ação sofre desacelerações pontuais devido ao uso de furtividade e cutscenes repletas de ação, mas sem interação por botões ou QTEs.
Ainda sobre as QTEs, a ausência de punição em algumas que testamos (algo que foi corrigido em uma atualização lançada enquanto produzíamos esta matéria) e o fato de conseguir avançar o trecho de moto mesmo deixando o controle de lado são facilidades que funcionariam melhor como uma opção configurável de acessibilidade, algo que pode ser ajustado em futuras atualizações.
Para finalizar, a decisão da Marvel de manter termos e nomes em inglês na localização (Lowtown, Team X, Sabretooth, Mystique são alguns exemplos) gera frases híbridas que podem soar não naturais para os fãs brasileiros mais saudosistas.
Apesar de pequenos detalhes que podem não agradar a todos (com alguns sendo corrigidos já nas duas primeiras semanas após o lançamento), o jogo tem uma duração que pode ser considerada longa, a depender do ritmo da gameplay. As estatísticas na internet apontam entre 12h para a história principal e 25h para quem busca a Platina, mas creio que esse tempo mínimo considera jogadores que pulam cutscenes e não necessariamente no modo mais difícil (afinal, até o momento em que este texto foi publicado, eu estava com um tempo considerável, morrendo pouquíssimas vezes e explorando sempre que possível).
No fim das contas, a experiência entrega uma proposta mais direta e focada do que as produções anteriores da Insomniac Games. Ao priorizar uma narrativa madura, a boa química entre Logan e Jean Grey e um combate afiado que nos faz de fato sentir no controle do próprio Wolverine, o título certamente agradará tanto jogadores casuais quanto fãs do personagem, ampliando o catálogo exclusivo do PlayStation 5 e cumprindo o papel de ponto de partida para a Equipe X nessa história criada pelo estúdio.





