O cantor e compositor Hyldon lança seu 17º álbum de inéditas com características que fogem da noção humana do tempo. Desde o formato de sua gravação até a estratégia de lançamento, tudo se funde entre o novo e velho, o conhecido e o inédito. Depois de ganhar o mundo no formato de singles, o álbum Festa na Aldeia se torna atemporal já nessa data, 14 de agosto (sexta-feira), em que chega completo ao streaming via ONErpm.
Vamos começar pela capa: é uma obra de arte de Marcio Bertoli, que trabalhou à moda antiga e fez no formato físico para depois registrar no digital. O estilo é naif e faz referência a um rito de comemoração do povo Tupinambá após a captura do inimigo. Depois de uma vivência da tribo com o capturado, ele é devorado num ritual antropofágico numa grande festa para que o indígena adquira a força do inimigo.
Já entre as faixas, tem um pouco de tudo: de composições guardadas desde a década de 1970 (“Aconteceu em Geribá”) até músicas feitas mais recentemente (“Um Lindo Dia”), Hyldon não deixa de lado sua especialidade: as baladas – mesmo que não exatamente românticas (“Desamor” e “O Pierrot, a Lua e o Mar”). A soul music suingada e cheia de metais também tem espaço (“A Onça”). Há tempo, ainda, para uma mistura que o próprio Hyldon apelidou de “blues sertanejo” (“Fã do Sanduíche”). A faixa que dá nome ao disco relembra as origens indígenas do compositor e é cantada em português e tupi.
“Vida Maneira” é a faixa que abre o álbum e foi escolhida para ser a inédita dessa leva de lançamentos. A música surgiu para fazer parte do repertório de Wanderléa, quando a cantora precisava de novos rumos após o fim da Jovem Guarda. Hyldon, que era guitarrista de sua banda, colaborou com duas composições e “Vida Maneira” foi uma delas. O compositor grava a faixa pela primeira vez.
Já com o clima do disco em mente, Hyldon resolveu gravá-lo todo de maneira analógica, em fita de duas polegadas. Nada de digital. E isso dá a deixa para o formato de vinil, que será lançado em breve com tardes de autógrafo no Rio de Janeiro e em São Paulo. A formação da banda escolhida por Hyldon também é diferente, para combinar com esse clima, com muitos teclados (Rhodes, Hammond e sintetizadores), sopros e percussão. Um lance mais “jazzy”, mas sem perder o suingue e a pegada própria do seu som.





