Após 11 temporadas, mais de 1.800 episódios e uma trajetória que redefiniu o humor político e os talk shows modernos da televisão americana, Stephen Colbert comandou nesta quinta-feira (21) o episódio final do The Late Show with Stephen Colbert, encerrando oficialmente uma era da TV norte-americana.
Transmitido diretamente do icônico Ed Sullivan Theater, o programa reuniu convidados históricos, participações-surpresa, números musicais, homenagens emocionantes e referências à longa história do late night americano. As informações dessa matéria foram reunidas a partir de reportagens publicadas pelo The Washington Post, Los Angeles Times, CBS News e Page Six.
Uma despedida marcada pela emoção
Logo na abertura, Colbert foi recebido por uma longa ovação da plateia. Antes mesmo do programa começar oficialmente, o apresentador agradeceu sua equipe e definiu o programa como “The Joy Machine”, apelido utilizado internamente pela produção nos últimos meses.
Durante o discurso, o humorista falou sobre a conexão construída com os bastidores do programa ao longo de mais de uma década, ressaltando o carinho pela equipe e pelo público que o acompanhou desde 2015, quando assumiu o lugar de David Letterman no comando do clássico “Late Show”.
O encerramento não marcou apenas a saída de Colbert, mas também o fim definitivo da franquia “The Late Show”, iniciada em 1993 por David Letterman. A CBS anunciou anteriormente que o cancelamento aconteceu por motivos financeiros, diante da crise do formato late night na televisão aberta americana.
Mesmo assim, a decisão acabou cercada por especulações políticas, especialmente após comentários críticos de Colbert envolvendo Donald Trump e a fusão bilionária entre Paramount e Skydance. O apresentador chegou a fazer piadas sutis sobre a situação durante seus últimos episódios.
Participações especiais tomaram conta do programa
O episódio final reuniu uma sequência de participações inesperadas e as esquetes características do humor de Colbert.
Bryan Cranston apareceu tentando se tornar “o último convidado” da história do programa, seguido por Paul Rudd, que surgiu carregando um presente de aposentadoria formado por “seis bananas”, embora uma delas já tivesse sido comida no caminho. Tim Meadows também entrou na brincadeira, reivindicando espaço na despedida. Em meio às interrupções, Colbert comentou notícias absurdas do dia, incluindo buracos que surgiram em Nova York, um calendário de “padres sexy” na Itália e até um robô dançarino chinês, misturando sátira política, nonsense e humor autodepreciativo em um dos monólogos mais caóticos da história recente do programa.
Entre outros nomes que apareceram ao longo da despedida estiveram:
Jon Stewart
Jimmy Fallon
Jimmy Kimmel
Seth Meyers
John Oliver
Bryan Cranston
Ryan Reynolds
Tig Notaro
Neil deGrasse Tyson
Num outro momento, o apresentador fez comentários satíricos sobre uma decisão judicial envolvendo destilação caseira de bebidas, o lançamento da maior garrafa de Dr Pepper do mundo no Texas, processos ligados à clássica trilha sonora de “Peanuts” e até itens vintage de propaganda farmacêutica que viraram tendência entre colecionadores.
Em meio às piadas, Colbert interrompeu o programa ao perceber que a banda estava justamente tocando a música de “Peanuts” citada nos processos judiciais, criando um dos momentos mais absurdos da noite. O apresentador ainda ironizou o próprio estilo de humor ao definir seu trabalho como uma mistura de notícias, caos e “gratidão insubmersível” construída ao lado da equipe do programa.
As aparições aconteceram em meio a quadros caóticos, referências metalinguísticas e até uma sequência surreal envolvendo um “buraco interdimensional”, simbolizando o fim do programa e o “desaparecimento” do late night tradicional.
Paul McCartney foi o último convidado da história do programa
O momento mais marcante da noite aconteceu com a entrada surpresa de Paul McCartney, anunciado como o último convidado da história do programa.
A escolha carregou enorme simbolismo: o Ed Sullivan Theater foi justamente o palco da histórica estreia dos The Beatles na televisão americana, em 1964, durante o “The Ed Sullivan Show”. A performance mudou a cultura pop mundial e ajudou a impulsionar a Beatlemania nos Estados Unidos.
Mais de seis décadas depois, McCartney retornou ao mesmo palco para encerrar oficialmente outra instituição da televisão americana.
Durante a entrevista, Colbert destacou justamente essa conexão histórica, definindo a presença do músico como “o fechamento perfeito de um ciclo”. Na entrevista, McCartney relembrou aquele momento histórico e falou sobre a energia da Beatlemania nos anos 60.
O músico também presenteou o apresentador com uma fotografia autografada dos Beatles. O apresentador demonstrou forte emoção ao receber o presente, dizendo que cresceu admirando a banda e que ter Paul no encerramento do programa representava um sonho pessoal realizado.
O “buraco interdimensional” virou metáfora para o fim do programa
Um dos momentos mais surreais do episódio final de “The Late Show with Stephen Colbert” aconteceu logo após a entrada de Paul McCartney no palco. A entrevista foi abruptamente interrompida por uma suposta falha técnica que rapidamente evoluiu para uma gigantesca esquete metalinguística envolvendo um “buraco interdimensional” surgindo dentro do Ed Sullivan Theater. Enquanto a produção tentava “resolver” o problema, Colbert aparecia nos bbastidores,desesperado com o caos tomando conta da transmissão ao vivo.
Neil deGrasse Tyson explicou o “colapso do late night”
A situação absurda ganhou contornos ainda mais cômicos com a chegada de Neil deGrasse Tyson, que tentou explicar cientificamente o fenômeno como uma “ponte de Einstein-Rosen”, capaz de destruir o espaço-tempo da televisão noturna. Segundo a piada, o problema teria sido causado pelo fato de um programa ser simultaneamente líder de audiência e cancelado, criando uma ruptura impossível dentro do universo do entretenimento. A sequência satirizou diretamente o cancelamento do programa pela CBS e as discussões sobre o futuro do formato late night na TV americana.
Jon Stewart transformou o caos em discurso emocional
No meio da crise fictícia, Jon Stewart surgiu para aconselhar Colbert, transformando a esquete em um momento inesperadamente emocional. Stewart afirmou que o “buraco” era uma metáfora inevitável para o encerramento do programa e incentivou o amigo a enfrentar o fim com humor, da mesma maneira que lidou com momentos difíceis ao longo da carreira. A cena misturou piadas nonsense, comentários sobre o cancelamento e uma despedida sincera entre os dois apresentadores, encerrada com Colbert dizendo “eu te amo” antes de Stewart desaparecer no suposto portal dimensional.

Jimmy Fallon, Seth Meyers e Jimmy Kimmel entraram na despedida
A sequência ainda trouxe participações de Jimmy Fallon, Seth Meyers e Jimmy Kimmel, que apareceram para apoiar Colbert enquanto o “buraco” ameaçava consumir todo o universo do late night. Em tom de sátira, os apresentadores brincaram que aquele destino poderia eventualmente atingir todos os talk shows americanos. A cena também fez referências a momentos virais da cultura pop, eleições, pandemia e debates absurdos da internet, mantendo o humor caótico que marcou a despedida do programa.
Após toda a confusão, Colbert retornou ao palco, tentando agir como se nada tivesse acontecido, inventando uma desculpa absurda sobre um guaxinim que teria destruído os cabos elétricos do teatro. No entanto, ao perceber que Paul McCartney havia desaparecido durante o caos dimensional, o apresentador entrou em pânico novamente antes de encerrar o bloco de maneira completamente improvisada. A sequência acabou se tornando um dos trechos mais comentados da despedida por misturar humor metalinguístico, ficção científica absurda e referências emocionais ao fim definitivo de uma era da televisão americana.
“Hello, Goodbye” encerrou a história do programa
No encerramento, McCartney liderou uma performance emocionante de “Hello, Goodbye”, acompanhado por Colbert, integrantes da banda do programa, convidados especiais, familiares e membros da produção.
O número ainda contou com participações de Elvis Costello e Jon Batiste, antigo líder da banda do programa.
Enquanto o som ecoava pelo palco, Paul McCartney foi o responsável por apagar as luzes do prédio, com ele sendo implodido e indo parar dentro de um globo de neve, encerrando a trajetória do programa após 33 anos da franquia “The Late Show” e 11 temporadas sob comando de Colbert.
Episódio teve clima de evento histórico
O programa final ultrapassou o tempo tradicional da atração e foi tratado nos bastidores como um dos eventos televisivos mais importantes do ano. Após a gravação, a produção realizou uma festa privada em Nova York sem presença da imprensa, reunindo diversos artistas e convidados ligados à trajetória do programa.
Entre os presentes estavam Paul McCartney, Jon Batiste, Drew Barrymore, Tiffany Haddish e outros nomes ligados à história recente do “Late Show”.
O legado de Stephen Colbert
Encerrando oficialmente sua passagem pela CBS, Stephen Colbert deixa um dos períodos mais influentes da história recente do late night americano.
Desde sua estreia em 2015, o apresentador transformou o programa em uma mistura de sátira política, entrevistas, música e humor absurdo, conquistando prêmios, enorme repercussão cultural e uma base fiel de espectadores.
A despedida marcou não apenas o fim de um programa, mas também o encerramento de uma das últimas grandes eras da televisão noturna tradicional nos Estados Unidos.





