Em nova entrevista, Paul McCartney compara Taylor Swift à Beatlemania: “Ela tem o mesmo nível de fama mundial”


Durante uma edição especial do programa Tracks of My Years, da BBC Radio 2, Paul McCartney abriu o coração em uma longa conversa com o apresentador Vernon Kay, revisitando as músicas que marcaram sua vida, histórias inéditas dos bastidores dos Beatles e reflexões sobre fama, nostalgia e a música contemporânea.

A entrevista também serviu como espaço para divulgar seu novo álbum, The Boys at Dungeon Lane, descrito por McCartney como um trabalho profundamente nostálgico e conectado às memórias de infância em Liverpool.

O primeiro disco de Paul McCartney
Ao recordar “Be-Bop-A-Lula”, de Gene Vincent, Paul contou que aquele foi o primeiro disco que comprou na vida, ainda adolescente, economizando dinheiro para adquirir o compacto em uma pequena seção musical da loja Currys.

Segundo o músico, o impacto do rock and roll naquele período foi revolucionário:

“O rock and roll simplesmente explodiu tudo. Antes disso, a música parecia muito quadrada.”

McCartney explicou que artistas como Gene Vincent, Chuck Berry, Buddy Holly e Elvis Presley foram fundamentais na formação musical dos Beatles, principalmente pela combinação de composição autoral, presença de palco e identidade sonora.

Hamburgo, os Beatles e o choque cultural
Paul também relembrou a primeira temporada dos Beatles em Hamburgo, período retratado em músicas do novo álbum. Segundo ele, os integrantes ainda eram extremamente inocentes quando chegaram à famosa região da luz vermelha da cidade alemã.

Ele contou, em tom bem-humorado, que o então baterista Pete Best namorava uma dançarina local e frequentemente adormecia na bateria após passar noites acordado.

McCartney definiu aqueles anos como “caóticos e mágicos”, ressaltando o impacto que a experiência teve na evolução musical da banda.

A influência de Chuck Berry e o nascimento do lado “contador de histórias”
Ao falar sobre “Maybellene”, Paul destacou como Chuck Berry influenciou diretamente sua forma de compor letras narrativas.

“Ele era um poeta. Conseguia criar histórias incríveis dentro das músicas.”

McCartney revelou que os primeiros trabalhos dos Beatles ainda eram compostos por canções românticas simples, mas que a ambição do grupo sempre foi atingir o nível criativo de artistas como Chuck Berry e Buddy Holly.

O encontro com Elvis Presley
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi o relato do primeiro encontro entre os Beatles e Elvis Presley.

Paul descreveu Elvis como extremamente carismático, elegante e receptivo, lembrando até detalhes da casa e da presença de Priscilla Presley no encontro.

O músico contou ainda que conversou com Elvis sobre baixos elétricos, já que o Rei do Rock também tocava o instrumento em algumas gravações.

“Voltei para casa pensando: ‘Eu acabei de tocar com Elvis Presley’.”

A amizade entre Beatles e Rolling Stones
McCartney também desmentiu a histórica rivalidade criada pela imprensa entre Beatles e The Rolling Stones.

Segundo ele, existia uma verdadeira camaradagem entre os músicos da cena britânica dos anos 1960. Como exemplo, relembrou quando ele e John Lennon encontraram Mick Jagger e Keith Richards dentro de um táxi em Londres.

Na conversa, Mick comentou que os Stones precisavam urgentemente de um novo single. Paul então ofereceu “I Wanna Be Your Man”, composição de Lennon e McCartney, que acabaria se tornando um dos primeiros sucessos dos Rolling Stones.

Décadas depois, McCartney voltou a trabalhar com a banda ao gravar baixo em um álbum recente produzido por Andrew Watt.

“Cheguei como um músico de sessão, apenas com meu baixo. Mas, por dentro, pensava: ‘Estou tocando com os Stones!’”

Paul McCartney compara fenômeno de Taylor Swift à Beatlemania
Entre os assuntos mais comentados da entrevista, Paul McCartney também falou sobre o impacto global de Taylor Swift e comparou diretamente o fenômeno vivido pela artista ao auge da Beatlemania nos anos 1960.

Segundo ele, existe um paralelo evidente entre a dimensão da fama da cantora e o que os Beatles experimentaram mundialmente:

“Você percebe o paralelo entre a fama, a quantidade de fama e a fama mundial que Taylor Swift tem e a que nós tivemos.”

McCartney afirmou admirar a inteligência artística e a capacidade de composição da cantora:

“Taylor é muito boa. Ela é inteligente.”

O músico também revelou que conhece Taylor pessoalmente e que ela frequentemente participa de encontros organizados por sua esposa, Nancy Shevell, e sua filha, Stella McCartney.

Paul contou que, em uma dessas festas, conversou longamente com Taylor, além de artistas como Billie Eilish, Olivia Rodrigo e Sabrina Carpenter.

“Elas são pessoas muito legais. Eu gosto muito das vozes delas.”

Quando questionado se daria conselhos para Taylor Swift lidar com a pressão da fama mundial, McCartney respondeu que ajudaria caso ela pedisse, embora acredite que a cantora já saiba exatamente como conduzir sua carreira.

“Se ela precisasse de algum conselho, eu daria com prazer. Mas sinceramente? Acho que ela não precisa.”

Paul ainda brincou dizendo que hoje ocupa uma posição parecida com a de um “irmão mais velho” — ou até “avô” — para essa nova geração da música pop.

Prince, Bob Dylan e a música contemporânea
Entre as escolhas musicais da entrevista, Paul também destacou “Kiss”, de Prince, classificando o artista como um “gênio” e um guitarrista extraordinário.

McCartney revelou ainda possuir uma gravação rara de Prince interpretando “The Long and Winding Road”, recebida após a morte do músico.

Ao comentar sobre tendências atuais, Paul afirmou que continua acompanhando novos estilos e artistas, incluindo rap, hip hop e o crescimento das vozes femininas no pop moderno.

Outro nome citado foi Bob Dylan, descrito por McCartney como um compositor complexo e brilhante. Paul lembrou de um encontro recente nos bastidores do festival Desert Trip, em que Dylan o elogiou pessoalmente.

“Ele olhou para mim e disse: ‘Você é uma estrela.’”

Brian Wilson, Pet Sounds e a criação de Sgt. Pepper’s
Outro trecho emocionante da conversa envolveu Brian Wilson e os The Beach Boys.

McCartney afirmou que Pet Sounds impactou profundamente os Beatles e serviu como inspiração direta para Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Segundo ele, “God Only Knows” continua sendo uma das músicas mais emocionantes já compostas.

“Às vezes eu me emociono só de cantar junto.”

Paul também lembrou de uma ocasião em que Brian Wilson lhe apresentou, em primeira mão, a então inédita “Good Vibrations”.

Nostalgia e memórias no novo álbum
Ao falar sobre The Boys at Dungeon Lane, McCartney explicou que muitas músicas nasceram de lembranças pessoais da infância e da família.

Faixas como “Salesman Saint” abordam seus pais durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto outras exploram Liverpool, amizades e memórias afetivas.

“Algumas pessoas não gostam de nostalgia. Eu nunca entendi isso. Se você teve uma infância feliz, essas lembranças são lindas.”

“Imagine” e a lembrança de John Lennon
Encerrando a entrevista, Paul escolheu “Imagine”, de John Lennon, como uma das músicas mais importantes de sua vida.

McCartney disse conseguir visualizar Lennon compondo ao piano e descreveu a canção como “uma visão bonita de como o mundo poderia ser”.

“É um sonho lindo. Talvez impossível, mas lindo.”

Confira entrevista completa abaixo:



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