ANÁLISE - Planet of Lana II: Children of the Leaf aprimora sua fórmula e entrega uma sequência marcante


Recentemente tivemos a oportunidade de conferir Planet of Lana II: Children of the Leaf, jogo desenvolvido pela Wishfully Studios, publicado pela Thunderful Publishing e que está disponível desde o início de Março para PlayStation 4/5, Xbox Series X|S, Xbox One, Nintendo Switch/Switch 2 e PC, além de chegar ao Xbox Game Pass.

INTRODUÇÃO
Mantendo sua essência como um puzzle-platformer 2D com forte apelo cinematográfico, Planet of Lana II: Children of the Leaf dá continuidade direta aos acontecimentos do primeiro título, levando o jogador de volta ao mundo de Lana e seu inseparável companheiro. No entanto, a ameaça agora é diferente: em vez de uma invasão robótica, o perigo surge da própria ambição humana, que passa a explorar tecnologias antigas em busca de poder, criando um novo desequilíbrio naquele universo.

Ambientado anos após os eventos iniciais, o jogo mostra uma evolução clara de seus protagonistas. Lana não é mais a mesma, está mais madura, ágil e segura de si, refletindo tudo o que viveu anteriormente. Seus movimentos são mais precisos, sua postura mais confiante e suas ações carregam um senso maior de propósito. Já Mui também passa por uma evolução significativa: seus poderes telepáticos estão mais desenvolvidos, permitindo não apenas interagir com o ambiente, mas influenciar criaturas e manipular tecnologias de forma mais estratégica, o que impacta diretamente a forma como os puzzles são construídos e resolvidos.

Logo ao iniciar, o jogador se depara com uma interface simples e direta, que reforça a proposta acessível do jogo. É possível seguir imediatamente para a campanha ou explorar as opções de configuração. Entre elas, há uma boa variedade de idiomas disponíveis (incluindo português, polonês, espanhol, tcheco, dinamarquês, húngaro e norueguês) além de ajustes básicos como brilho, volume e intensidade da vibração do controle. Também há opções voltadas para acessibilidade, embora ainda exista a limitação de não permitir o aumento do tamanho das legendas, algo que pode fazer falta para alguns jogadores.

No geral, desde os primeiros momentos, o jogo deixa claro que aposta na continuidade e no refinamento da experiência original, ampliando suas possibilidades sem abrir mão da identidade que conquistou o público.


GAMEPLAY
Entrando no jogo, somos recebidos por uma breve recapitulação dos acontecimentos do primeiro título, algo que funciona tanto para refrescar a memória de quem já jogou quanto para situar novos jogadores. Esse resumo não se limita a recontar a história: ele também planta pequenas sementes sobre o que está por vir, criando uma expectativa para a nova jornada. Em seguida, o primeiro capítulo assume um papel essencial ao introduzir, de forma natural e progressiva, os comandos e mecânicas, desde as ações mais básicas até habilidades mais específicas, como o talento de Mui para ativar e desativar portas e interagir com tecnologias antigas. Tudo é apresentado dentro do próprio fluxo da gameplay, sem tutoriais invasivos ou que quebrem a imersão.

Com foco claro na cooperação entre os personagens, nos puzzles e na furtividade, a sequência eleva o nível de complexidade dos desafios logo nas primeiras interações. O jogo constantemente incentiva o raciocínio e a experimentação, dando espaço para o jogador testar possibilidades e encontrar soluções de forma quase intuitiva, transformando a experiência em algo mais estratégico e envolvente. A variedade maior de interações também contribui para que a jogabilidade nunca pareça repetitiva, mantendo o ritmo sempre interessante.

A movimentação está visivelmente mais refinada. Lana responde com mais precisão aos comandos, o que faz diferença principalmente nos momentos que exigem controle mais delicado. Saltos são mais confiáveis, escaladas acontecem com mais agilidade e as sequências que dependem de timing passam uma sensação muito mais justa. Essa fluidez não só melhora a jogabilidade, como também reforça a imersão, já que tudo parece mais orgânico e natural em comparação ao primeiro jogo.

A parceria entre Lana e Mui continua sendo o coração da experiência, mas agora com um leque bem mais amplo de possibilidades. Mui deixa de ser apenas um suporte pontual e assume um papel ainda mais ativo, podendo influenciar comportamentos, ativar mecanismos à distância, desativar tecnologias e até controlar robôs híbridos em momentos específicos. Já Lana demonstra uma evolução clara: seus movimentos estão mais ágeis, com a adição de pulos na parede, deslizes em corrida e respostas mais rápidas aos comandos. A furtividade também ganha mais relevância, permitindo observar padrões de inimigos com mais calma, usar o cenário a favor e criar distrações. Isso abre espaço para diferentes abordagens, fazendo com que cada situação possa ser resolvida de maneiras variadas.

Os puzzles acompanham essa evolução de forma consistente. Eles estão mais elaborados e menos lineares, muitas vezes exigindo múltiplas etapas para serem resolvidos. Há desafios que pedem a combinação de diferentes habilidades, como manipulação de água, uso da física de objetos e uma coordenação precisa entre Lana e Mui. Essa dinâmica faz com que o jogador alterne constantemente entre os dois. Mesmo com esse aumento na complexidade, o jogo evita exageros: os desafios são estimulantes, mas dificilmente frustrantes, respeitando o ritmo de quem está jogando.

No geral, Planet of Lana II não tenta reinventar sua base, e talvez esse seja seu maior acerto. Em vez disso, ele refina, expande e aprofunda tudo aquilo que já funcionava bem. O resultado é uma experiência mais completa, com maior liberdade, desafios mais inteligentes e uma jogabilidade que evolui de forma consistente, sem perder de vista o que realmente importa: a narrativa emocional e a conexão entre seus protagonistas.


VISUAL
Os ambientes também passaram por uma expansão evidente, trazendo novas áreas que ampliam a sensação de descoberta a cada capítulo. Agora, além dos cenários já conhecidos, o jogo apresenta regiões subaquáticas, florestas mais densas, espaços subterrâneos e outros biomas que não apenas diversificam o visual, mas também influenciam diretamente a forma de jogar. Cada ambiente carrega suas próprias particularidades, com pequenas variações de mecânica e interação que fazem com que a exploração nunca pareça repetitiva.

Mesmo com essa expansão, a identidade artística permanece intacta. A inspiração em animações do Studio Ghibli continua evidente, mas aqui ela é levada um passo além. Há um cuidado maior com profundidade de cenário, camadas mais ricas de vegetação e uma iluminação que atravessa folhas e estruturas naturais de forma sutil, criando uma ambientação quase tátil. Nas áreas aquáticas, por exemplo, os efeitos de transparência, reflexos e partículas elevam o nível de imersão, dando vida a cada detalhe. Tudo isso contribui para reforçar a sensação de um mundo em reconstrução, onde a natureza tenta retomar seu espaço após um colapso.

Essa evolução visual não está apenas nos cenários, mas também na forma como os personagens interagem com eles. As animações estão mais expressivas, transmitindo melhor o peso de cada movimento e reação. Pequenos detalhes, como a forma como Lana se adapta ao terreno ou como o ambiente reage ao vento e à água, ajudam a construir um mundo mais crível e orgânico.

O trabalho de câmera também merece destaque. O jogo sabe exatamente quando se aproximar para intensificar um momento mais íntimo e quando recuar para revelar a grandiosidade do cenário ao redor. Esse controle de enquadramento valoriza tanto a narrativa quanto a exploração, guiando o olhar do jogador sem parecer invasivo.

No conjunto, o resultado é impressionante, há momentos em que o jogo praticamente convida o jogador a parar por alguns segundos, apenas para observar, não por obrigação, mas porque o que está na tela realmente chama atenção. É esse tipo de cuidado que transforma a experiência em algo além da jogabilidade, criando uma obra que se sustenta também pelo impacto visual e pela atmosfera que constrói.



TRILHA SONORA
Funcionando como uma extensão natural da narrativa, a trilha sonora não está ali apenas como pano de fundo, ela participa ativamente da construção da atmosfera. Seguindo a linha já estabelecida por Takeshi Furukawa, a música equilibra delicadeza e intensidade com muita sensibilidade. Há um cuidado perceptível em como cada faixa entra em cena: pianos suaves conduzem momentos mais introspectivos, cordas discretas ampliam a carga emocional e, em trechos específicos, elementos etéreos e até nuances eletrônicas surgem para reforçar tensão ou mistério.

Nada soa exagerado ou fora de lugar. Pelo contrário, cada composição parece pensada para acompanhar exatamente o que está acontecendo na tela, seja em momentos de contemplação, exploração ou descoberta. Esse alinhamento entre som e imagem fortalece o tom emocional do jogo e contribui para uma experiência mais imersiva, quase silenciosa em alguns momentos, mas sempre carregada de significado.

Mais do que uma simples continuação, Planet of Lana II: Children of the Leaf se apresenta como uma evolução natural do original. O jogo aprofunda sua narrativa ao mesmo tempo em que expande seus sistemas de forma consistente, sem perder a identidade que o tornou especial. Ao explorar temas como amadurecimento, laços afetivos e o delicado equilíbrio entre progresso e natureza, o título constrói uma jornada mais madura e sensível, mantendo o foco na conexão entre seus personagens e no impacto emocional de cada etapa dessa nova história.



TROFÉUS
Com 25 troféus (incluindo a platina), eles incluem objetivos como resolver todos os puzzles principais, descobrir áreas secretas, encontrar caminhos alternativos, explorar todos os biomas, usar todas as habilidades de Mui, executar comandos cooperativos perfeitos entre Lana e Mui, resolver puzzles sem erros, finalizar sequências específicas dentro de tempo ou sem falhas, encontrar todos os itens escondidos, evitar detecção em áreas stealth, entre outros. 

Até o momento, 194 jogadores cadastrados no site PSN Profiles conseguiram a Platina, com 349 tendo o jogo (confira todos os troféus e o que fazer para conquistá-los AQUI). 


CONCLUSÃO
No fim das contas, Planet of Lana II: Children of the Leaf entrega exatamente o que uma boa sequência deve oferecer: evolução sem perder a essência. Em vez de apostar em mudanças radicais, o jogo escolhe um caminho mais inteligente, refinando suas mecânicas, ampliando suas possibilidades e aprofundando sua narrativa de forma consistente.

A gameplay se mostra mais fluida e estratégica, os puzzles ganham camadas extras de complexidade sem se tornarem frustrantes, e a parceria entre Lana e Mui atinge um novo nível de importância dentro da experiência. Visualmente, o jogo se destaca com cenários ainda mais ricos e vivos, enquanto a trilha sonora continua sendo um dos pilares emocionais da jornada, reforçando cada momento com sensibilidade.

Mais do que um simples avanço técnico, o título se apoia fortemente em sua atmosfera e em sua mensagem. Ao abordar temas como amadurecimento, conexão e o impacto das escolhas humanas sobre o mundo, ele consegue ir além do entretenimento e entregar algo que permanece com o jogador mesmo após o fim da campanha.

Pode não reinventar o gênero, mas também não precisa. Sua força está justamente na forma como entende o que funcionou no original e constrói algo maior a partir disso. O resultado é uma experiência envolvente e, acima de tudo, marcante, daquelas que convidam o jogador não apenas a avançar, mas a sentir cada passo do caminho.


A cópia digital do jogo foi disponibilizada para fins de review, feito diretamente do Playstation 5 e ele está no PS5 por R$ 91,92, Xbox por R$ 78,36 (ou assinando o Game Pass), Nintendo Switch por R$ 59,96 e Nintendo Switch por R$ 74,95 R$ 59,99 no PC). Valores da data em que essa análise foi publicada.

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