ANÁLISE - Ereban: Shadow Legacy: Mesclando puzzles, plataformas e furtividade nas sombras, jogo está chegando ao PS5 e Xbox Series


Recentemente tivemos a oportunidade de conferir Ereban: Shadow Legacy, jogo desenvolvido pela Baby Robot Games, publicado pela Selecta Play e que está disponível desde Abril/24 para PC, chegando para PS5 e Xbox Series no próximo dia 16.

INTRODUÇÃO
Sendo um jogo que mistura furtividade, puzzles e plataforma, acompanhamos a jornada de Ayana, apresentada como a última descendente de uma raça esquecida pelo tempo. Sua história começa de forma abrupta: após um acidente envolvendo uma estação espacial pertencente à corporação Helios, ela acaba isolada em um planeta desconhecido. A partir daí, o que inicialmente parece apenas uma luta pela sobrevivência rapidamente se transforma em uma busca mais profunda por respostas sobre seu passado e os verdadeiros interesses dessa misteriosa organização.

Ao longo da jornada, Ayana precisa lidar com ambientes hostis e inimigos ligados à Helios, utilizando uma combinação de habilidades especiais e recursos tecnológicos. Seus poderes de sombra são essenciais para se mover sem ser detectada, criar oportunidades de infiltração e escapar de situações de risco, enquanto dispositivos tecnológicos ampliam suas possibilidades estratégicas. O jogador pode escolher entre evitar confrontos, agir de forma furtiva ou partir para a eliminação direta dos inimigos.

Logo no menu, o jogo já apresenta um cuidado interessante com a experiência do jogador, com o player sendo convidado a ajustar o brilho da tela para melhor adaptação visual, escolher um slot de salvamento (embora o título conte com autosave) e configurar diversos aspectos conforme a preferência pessoal. Entre as opções disponíveis estão a seleção de idioma (com suporte a inglês, espanhol, alemão, polonês, catalão, francês, entre outros, mas sem português), ativação de dicas durante o jogo, legendas com personalização de fundo, controle de volume, ajustes de câmera e configurações de controle.

Além disso, é possível definir o nível de dificuldade logo de início, com opções que vão do fácil ao difícil, o que ajuda a moldar a experiência tanto para quem busca algo mais acessível quanto para jogadores que preferem um desafio mais exigente. Esse conjunto de opções iniciais mostra uma preocupação em deixar o jogador confortável desde os primeiros minutos, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para a jogatina no geral.


GAMEPLAY
Ao iniciar a campanha, o jogo apresenta um vídeo introdutório que estabelece o tom da narrativa e contextualiza a situação de Ayana. Não é uma abertura longa, mas cumpre bem o papel de situar o jogador antes de colocá-lo diretamente em ação. Assim que o controle é liberado, somos levados ao primeiro mapa, onde avançamos por um ambiente ainda controlado até encontrar um grande telão. É ali que acontece o primeiro contato com uma inteligência artificial, responsável por orientar o jogador sobre os desafios que virão pela frente. Essas “provas” funcionam como uma espécie de introdução prática às mecânicas e marcam oficialmente o início do capítulo 1 de um total de oito disponíveis ao longo do jogo.

Sobre os modos de jogo, ele conta com uma furtividade fluida (algo que é perfeito para mim, que durante essa gameplay, estava nos capítulos finais de Aragami), mesclando elementos básicos de furtividade, como se esconder nas sombras e atrás de qualquer cobertura que encontrar (o carro-chefe do jogo), escalar paredes, enganar inimigos ou derrotá-los para ter mais liberdade para navegar em uma área. Além disso, um dos grandes destaques está na habilidade de se transformar em um orbe, que permite se deslocar de maneira silenciosa por praticamente qualquer superfície. Essa mecânica não só amplia as possibilidades de exploração como também adiciona uma camada estratégica interessante, incentivando o jogador a pensar o cenário de forma mais tridimensional.

O resultado é uma experiência que evolui a cada capítulo, muito impulsionada pela forma como o jogo trabalha luz e sombra. A iluminação, extremamente bem construída, não só contribui para a ambientação como também reforça diretamente a jogabilidade, tornando cada avanço uma combinação de observação, timing e experimentação.

Ainda dentro das possibilidades de gameplay, o jogo também oferece uma boa variedade de dispositivos que ajudam a expandir as estratégias durante as fases. Entre eles, estão ferramentas como sonar, scanner ocular, mina explosiva e granada de distração, cada uma com funções bem definidas dentro da proposta furtiva. O interessante é que todos esses recursos podem ser aprimorados em até três níveis, o que não só aumenta sua eficiência, mas também abre novas formas de abordagem conforme o jogador avança.

Na prática, esses dispositivos vão muito além de simples “auxílios”. O sonar, por exemplo, pode ser usado para identificar movimentações e antecipar ameaças, enquanto o scanner ajuda a marcar inimigos ou destacar elementos importantes do cenário. Já a granada de distração cria oportunidades valiosas para reposicionamento e a mina explosiva funciona tanto como defesa quanto como uma forma mais direta de lidar com situações complicadas. Em alguns casos, as habilidades permitem até manipular os inimigos de formas mais criativas, como atraí-los para áreas específicas ou deixá-los vulneráveis nas sombras.

Esse conjunto de ferramentas contribui bastante para quebrar a repetição que poderia surgir em um jogo focado em furtividade. Em vez de seguir sempre o mesmo padrão, o jogador é incentivado a testar combinações, adaptar sua abordagem e encontrar soluções próprias para cada situação. Isso torna a experiência mais dinâmica e menos previsível, mantendo o interesse mesmo após várias horas de jogo.

Ainda assim, mesmo com tantas opções à disposição, o jogo deixa claro que a furtividade continua sendo o caminho mais seguro. Permanecer nas sombras e agir de forma silenciosa é, na maioria das vezes, a melhor escolha. Isso porque, ao ser detectado, a margem para erro é mínima: um sensor visual alerta imediatamente a presença do personagem, piscando em vermelho, e geralmente não há espaço para recuperação, resultando no “game over” quase imediato, exigindo atenção total do jogador, valorizando cada movimento bem executado.


MAPA
Cada nível é construído com uma variedade interessante de elementos, como edifícios, árvores e estruturas que projetam sombras de forma bem definida, criando caminhos naturais para quem sabe observá-los com atenção. Ao mesmo tempo, esses espaços são ocupados por inimigos equipados com lanternas, que funcionam quase como obstáculos móveis, iluminando áreas estratégicas e dificultando a progressão. Não há um minimapa guiando o jogador, tudo é baseado na leitura do cenário, o que torna a navegação mais orgânica e, ao mesmo tempo, mais desafiadora.

Essa combinação transforma cada capítulo em uma sequência constante de pequenos puzzles. Não se trata apenas de avançar, mas de entender o ambiente, identificar padrões de luz e sombra e encontrar a melhor forma de se mover sem ser detectado. Soma-se a isso a variedade de inimigos, cada um exigindo abordagens diferentes, e o resultado é uma progressão que mistura raciocínio, timing e precisão, mantendo a experiência envolvente do início ao fim.



Mesmo com todas as possibilidades apresentadas na jogabilidade, a exploração em si acaba ficando em segundo plano. O jogo segue uma estrutura bastante linear e, quando há algum incentivo para sair do trajeto padrão, ele geralmente está ligado à coleta de recursos utilizados para aprimorar habilidades ou à descoberta de documentos que expandem a narrativa. Esses registros ajudam a aprofundar o universo e entender melhor os acontecimentos, mas, em termos de gameplay, não chegam a transformar significativamente a experiência.

Isso faz com que a sensação de descoberta seja mais limitada, especialmente para quem gosta de explorar cenários com maior liberdade. Ainda assim, essa escolha também mantém o foco bem direcionado na proposta central do jogo, que prioriza desafios de furtividade e puzzles bem construídos, em vez de um mundo aberto ou altamente expansivo.


INIMIGOS

Resumindo a variedade de inimigos, o jogo trabalha com alguns tipos de robôs que, mesmo não sendo numerosos, cumprem bem o papel de diversificar os desafios. Há o modelo mais padrão, que segue padrões básicos de patrulha e já exige atenção do jogador; um segundo tipo equipado com luz UV, que adiciona uma camada extra de dificuldade ao impedir a aproximação mesmo nas sombras; e, por fim, um inimigo armado, que eleva significativamente a tensão e exige um planejamento mais cuidadoso.

Esse último, em especial, muda bastante a dinâmica, forçando o jogador a pensar melhor antes de agir e a analisar rotas com mais precisão. A presença desses diferentes tipos faz com que cada encontro tenha um pequeno fator estratégico, evitando que a progressão se torne automática e mantendo o desafio constante ao longo das fases.


VISUAL
Ereban: Shadow Legacy aposta em um estilo bastante característico, que mistura um visual estilizado com uma identidade sci-fi bem marcada e abordagem próxima do cel-shading, deixando cenários e personagens um aspecto quase cartunesco, mas sem afetar sua narrativa.

Tendo as formas de luz e sombra são trabalhadas, com contrastes entre áreas iluminadas e escuras é sendo bem definidas, ajudando na ambientação e leitura da gameplay. Em vários momentos, é possível identificar com clareza onde é seguro se mover apenas pela forma como a iluminação é construída, algo essencial para um jogo focado em furtividade. 

Os cenários também contribuem bastante para a imersão, indo desde locais como cidades abandonadas até instalações industriais massivas e estruturas futuristas inseridas em templos antigos, além d
os cenários mostrarem sinais do que aconteceu naquele mundo.

Tendo um visual estilizado e cheio de identidade, deixando de lado o realismo para focar em uma direção de arte coerente com sua proposta. O uso de luz e sombra é o grande destaque, funcionando tanto para a ambientação quanto para a gameplay, tornando a navegação mais intuitiva. Com cenários variados e bem construídos, além de elementos visuais que guiam o jogador de forma natural, o jogo entrega um conjunto visual eficiente, imersivo e alinhado com sua proposta de furtividade.

Para facilitar a jogatina, temos elementos visuais como cores e efeitos para orientar o jogador, com brilhos, marcações no cenário e guias naturais, evitando a necessidade de interfaces invasivas. No geral, o jogoi conta com um visual que não busca realismo, mas sim identidade, com estética e jogabilidade caminham lado a lado.



TROFÉUS

Com 27 troféus (incluindo a platina), eles incluem objetivos como concluir capítulos sem ser detectado, eliminar todos os inimigos ou não neutralizar ninguém, desbloquear todas as habilidades, melhoria de equipamentos e gadgets, obter rank máximo (S) em todas as fases, completar desafios em dificuldades mais altas e executar ações específicas com habilidades de sombra, como desbloquear diferentes finais (baseados no sistema moral existente ao longo da campanha), entre outros. 

Até o momento, 2 jogadores cadastrados no site PSN Profiles conseguiram a Platina, com 16 tenham o jogo (confira todos os troféus e o que fazer para conquistá-los AQUI). 



CONCLUSÃO
Ereban: Shadow Legacy se destaca como uma experiência sólida dentro do gênero stealth, especialmente para quem valoriza mecânicas bem construídas e uma jogabilidade baseada em estratégia, paciência e precisão. A combinação entre furtividade, puzzles e elementos de plataforma funciona bem, sendo potencializada pelo uso inteligente de luz e sombra, que não só define a identidade do jogo como também sustenta toda a sua proposta.

Apesar disso, o título apresenta algumas limitações que podem impactar parte do público, como a estrutura linear e a exploração mais restrita, além de uma narrativa que, embora interessante, não se aprofunda tanto quanto poderia. Ainda assim, esses pontos não chegam a comprometer a experiência central da gameplay.

No fim, Ereban é um jogo que sabe exatamente o que quer ser e entrega isso com competência. Pode não reinventar o gênero, mas oferece uma jornada bem executada, com identidade própria, sendo perfeito para quem se concentra na experiência furtiva e não se importa com os detalhes.

A cópia digital do jogo foi disponibilizada para fins de review, feito diretamente do Playstation 5 e ele está como lista de desejos PS5, R$ 88,95 em pré-venda no Xbox e R$ 59,99 (PC). Valores da data em que essa análise foi publicada.

Postar um comentário

0 Comentários
* Please Don't Spam Here. All the Comments are Reviewed by Admin.

Ads Area