Durante os dias 20, 21 e 22 de março, o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, recebeu o Lollapalooza Brasil 2026, que reuniu cerca de 285 mil pessoas ao longo dos três dias de festival. Como de costume, tivemos uma forte diversidade musical e grande presença do público, com ingressos esgotados e com uma programação distribuída em 4 palcos. Na sexta-feira (20), o festival começou com shows de Sabrina Carpenter, Doechii, Interpol e Deftones, combinando pop, rap e rock alternativo e trazendo toda a mistura que só o Lolla nos proporciona, já no sábado (21) o festival manteve a intensidade com shows de Chappell Roan, Lewis Capaldi e Skrillex, além de nomes nacionais, consolidando a mistura de estilos e a boa recepção do público. No domingo (22), onde estivemos presentes, o Lolla encerrou a edição com performances de Tyler, The Creator, Lorde, Turnstile e outros artistas de grande nomes, coroando o Lolla 2026 como uma edição considerada histórica tanto pela pluralidade do line-up quanto pelo engajamento do público e pelas experiências oferecidas além dos shows.
Falando de experiências, assim como nos últimos anos, as marcas investiram em experiências disputadas, com filas quilométricas e a gente pode vivenciar um pouquinho dessas experiências.
Kiko Milano
A presença da Kiko Milano no Lollapalooza Brasil 2026, pelo segundo ano, foi investir em uma proposta interativa focada no universo da beleza, com um espaço que proporcionava o retoque de maquiagem feito por profissionais, cenários pensados para fotos e ativações como cabine fotográfica, além da entrega de brindes exclusivos, incluindo o gloss icônico da marca. A ação também marcou presença na área VIP do festival, com uma ação voltada para outro produto, a máscara de cílios e também com a presença de uma cabine de fotos, fortalecendo seu posicionamento como marca oficial de maquiagem e ampliando a conexão com o público por meio de serviços, testes de produtos e incentivo à produção de conteúdo ao longo dos três dias.
Olla
A presença da Olla no Lollapalooza Brasil 2026 trouxe uma proposta interativa e envolvente, com ações iniciadas ainda nas filas por meio de dinâmicas que conectavam o público à marca com entrega de brindes antes mesmo de participar da ativação. No estande, a experiência continuava com atividades apoiadas por tecnologia, que identificavam preferências/perfis e conduziam os visitantes a vivências personalizadas, com distribuição de itens exclusivos, como mini bags de acordo com o perfil da pesquisa, além de preservativos, em uma estratégia que estimulava a participação ativa e o compartilhamento de conteúdo durante todo o evento.
TicTac
A presença da Tic Tac no Lollapalooza Brasil 2026 foi marcada por uma experiência envolvente e participativa, pensada para aproximar a marca do público, com um estande inspirado em sua embalagem icônica e característica com atividades que misturavam música, entretenimento bem vibe nostálgica e entre os principais atrativos estiveram ações como desafios de dança, áreas para montar combinações de sabores do seu tic tac e máquinas que distribuíam brindes exclusivos, além da divulgação do novo Tic Tac Two, evidenciando uma estratégia voltada à interação, teste de produtos e sintonia com a atmosfera descontraída do festival.
Coca-Cola
A participação da Coca-Cola no Lollapalooza Brasil 2026 chamou atenção por oferecer uma experiência imersiva que unia música e tecnologia, assim como nos anos anteriores, com um amplo espaço interativo que servia como ponto de encontro para o público e proporcionava vivências sensoriais, shows de DJs. Dentre os destaques estavam espaços instagramáveis para fotos e vídeos, personalização de brindes e distribuição de bebidas.
Mundo Livre S/A
No Lollapalooza Brasil 2026, a apresentação do Mundo Livre S/A, uma das bandas que começou com o Manguebeat, trouxe uma apresentação com um tom político e de contestação ao palco do Lolla.
A apresentação, de baixo de muito sol, foi intensa e foi aos poucos reunindo o público que chegava no festival. Mesmo após uma versão de Jorge Ben Jor, da música 'Oba, lá vem ela', o público só encaixou com a banda após a música 'Pastilhas Coloridas'.
A apresentação seguiu em um tom enérgico já conhecido em aproximadamente 40 anos de banda.
DJO
A apresentação da banda Djo, projeto musical de Joe Keery, que ficou conhecido por seu papel como Steve em Stranger Things, se mostrou um dos momentos mais aguardados do último dia do festival, com fãs lotando a frente do palco Budweiser e reagindo com muito entusiasmo e leques desde o início da performance.
Combinando elementos de rock psicodélico, indie e synth‑pop, Djo entregou um show que explorou seu repertório mais forte e conexão direta com o público, que cantou e vibrou especialmente com “End of Beginning”, uma das faixas que já havia sido destaque global nas plataformas de streaming e trend principalmente entre os brasileiros.
O artista ficou surpreso com a recepção e energia da plateia, celebrando tanto sua trajetória musical e sempre agradecendo o entusiasmo do público, em uma apresentação que não dependia apenas da fama televisiva, mas da própria música para consolidar seu espaço no cenário dos festivais internacionais.
Addison Rae
A apresentação de Addison Rae no Lollapalooza Brasil 2026 se destacou pelo forte apelo visual e coreográfico, mas também foi alvo de algumas críticas pelo uso perceptível de playback, levando a comparações com versões menos refinadas de performances pop no estilo de Britney Spears, que não fez com que a apresentação perdesse o brilhantismo que a cantora merece, afinal não é todo dia que recebe uma nomeação de artista revelação do grammy.
No palco, a artista investiu em figurinos bem sensuais, coreografias intensas e muita interação com o público, que fez com que o palco parecesse pequeno para tanta gente que tentou acompanhar o show. Tudo isso compensou as limitações vocais ao vivo, além do carisma e presença cênica. Faixas como 'Diet Pepsi' e 'Fame Is a Gun' animaram a plateia, que se manteve engajada mesmo diante das ressalvas sobre a execução técnica.
Ainda assim, o show foi marcado pela boa conexão com os fãs e pela energia contínua, indicando o potencial de Addison Rae como performer e reforçando sua transição de fenômeno digital para uma artista pop em desenvolvimento, embora com muitos pontos a evoluir em apresentações ao vivo.
Turnstile
Havia acabado de anoitecer quando a banda americana Turnstile subiu no Palco Budweiser do Lollapalooza. O quinteto formado pelo vocalista Brendan Yates, os guitarristas Pat McCrory e Meg Mills, o baixista Franz Lyons e o baterista Daniel Fang era esperado por uma legião de fãs que se amontoavam próximos ao palco principal do festival.
A expectativa era grande pela terceira passagem da banda pelo Brasil, principalmente por ser a primeira após o lançamento do álbum "Never Enough", as suas indicações ao Grammy 2026 e recentes aparições marcantes na mídia, como no programa Tiny Desk que rendeu milhões de visualizações nas redes.
O show iniciou com a música título do álbum mais recente, "Never Enough", que mesmo com uma pegada mais lenta e dançante já jogou a energia do público pro alto, inclusive com a aparição dos primeiros sinalizadores e o aquecimento dos primeiros moshes. A partir da segunda música, 'TLC', não teve jeito, o Lolla virou uma roda hardcore punk liderada pelo ânimo e intensidade dos fãs que fizeram a apresentação ser inesquecível. Intercalando músicas com o BPM mais lento flertando com o rock alternativo, como 'I Care' e outras com batida acelerada do hardcore como 'Endless' e 'Don’t Play', o Turnstile não deixava a energia baixar, chegando até o vocalista Brendan Yates convocar a galera a subir no ombro dos amigos para curtir o momento.
Na parte final, com os sucessos 'Mystery', 'Blackout' e 'Birds', o festival pulsou num caos explosivo, mostrando uma conexão catártica entre público e banda que fez o show ser um dos mais marcantes da noite. Mais uma vez, a banda de Baltimore não decepcionou, imprimindo no palco toda sua originalidade e efervescência, deixando um gostinho de quero mais, além da admiração de um público novo, que estava ali para ver outras atrações que destoavam um pouco do estilo da banda, mas que entenderam a proposta do show e se deixaram contagiar pela energia única do Turnstile.
Lorde
Uma das atrações mais aguardadas e comentadas da edição de 2026 era a Lorde. A cantora neozelandesa, que se tornou um verdadeiro ícone de uma geração que cresceu ao seu lado, voltou aos palcos brasileiros trazendo muita expectativa.
Desde os primeiros versos, ficou claro o quanto sua trajetória marcou o público, embalado ao longo dos anos por sucessos como 'Royals', 'Team' e 'Ribs'. O show trouxe parte da "Ultrassound World Tour", turnê que promove seu mais recente álbum, "Virgin". O trabalho carrega uma sonoridade mais madura, introspectiva e emocional. No palco, isso se traduziu em uma performance intensa e envolvente, que equilibrou momentos de energia com uma entrega mais crua e sincera.
Músicas como 'Green Light', 'Supercut' e 'Solar Power' empolgaram a plateia, que respondeu cantando em coro cada verso, criando uma atmosfera coletiva de celebração e pertencimento.
Mas foi nos momentos mais íntimos que o show atingiu sua camada mais profunda. Em canções como 'Liability', o festival pareceu parar por alguns minutos. A multidão se transformou em um mar iluminado por celulares que brilhavam em perfeita sintonia com a melodia da música. Era possível sentir a vulnerabilidade da artista reverberando pelo público.
Para encerrar, 'Ribs' surgiu como o auge inevitável de uma noite memorável. A canção coroou a apresentação com intensidade e emoção. Lorde entregou um show que não apenas correspondeu às expectativas, mas que reafirmou seu lugar como uma das artistas mais autênticas de sua geração.
Katseye
A apresentação do grupo KATSEYE no Lollapalooza Brasil 2026 foi vista como um dos momentos mais marcantes do festival, principalmente pelo uso criativo do espaço e pela forte presença de palco das integrantes.
Mesmo com uma estrutura simples e poucos elementos cenográficos, o grupo conseguiu compensar tudo isso com muita criatividade. Em alguns momentos, o palco foi transformado em passarela, enquanto em outros virou um espaço mais descontraído de interação, destacando a energia jovem da performance.
Com duração de cerca de 50 minutos, o show reuniu vários destaques do repertório. As músicas 'Gabriela' e 'Gnarly' se destacaram, sendo a primeira marcada por visuais e coreografias mais elaboradas, e a segunda por uma apresentação mais intensa e cheia de energia que contagiou o público presente.
Apesar de ser promovido e divulgado como um grupo global, o KATSEYE segue muito da estrutura típica do K-Pop, mesmo sem ser de origem coreana, com coreografias exigentes, pausas ao longo da apresentação e uma estética bem definida.
Por fim, a reação do público foi extremamente positiva, com muita empolgação e participação, a ponto de o grupo já demonstrar potencial de headliner, em outras edições do festival, mesmo ainda estando no início da sua carreira.
Tyler, the Creator
Uma verdadeira procissão se formava ao longo dos pequenos morros do Autódromo de Interlagos, para prestigiar o headliner do último dia de festival, Tyler, The Creator. O rapper norte-americano já vinha construindo sua presença muito antes de subir ao palco, pois logo na entrada principal, um enorme boneco inflável chamava atenção e virava ponto de encontro dos fãs, que enfrentaram filas ao longo de todo o dia apenas para garantir uma foto com a figura que simbolizava o ídolo.
Nem todo mundo havia se acomodado ainda quando a primeira batida ecoou e convidou o público a entrar para a festa de encerramento que Tyler, the Creator tinha preparado para o Lollapalooza. O rapper entregou um show altamente dinâmico e contagiante, com uma estética marcante que combinava com sua identidade artística. Entre luzes, cores e pirotecnia, a apresentação ganhou um ritmo dançante e envolvente, capaz de revitalizar até o público mais cansado depois de um dia inteiro em pé. Ninguém ficou parado. A energia era crescente, pulsante, quase impossível de resistir.
Com seu humor característico e uma presença de palco magnética, o rapper que retornava ao Brasil após 15 anos, conduziu o público por uma jornada pela sua carreira. O início do show mergulhou no universo do álbum "Chromakopia", apresentando sua fase mais recente, antes de abrir espaço para uma sequência de hits que incendiaram a plateia. Faixas como 'Tamale', 'Sugar on My Tongue', 'Who Dat Boy', 'Are We Still Friends' e 'Earfquake' foram recebidas com entusiasmo.
Para fechar a noite e o festival, Tyler, The Creator escolheu uma de suas músicas mais emblemáticas, 'See You Again'. Foi um encerramento vibrante, emocional e memorável. Um final que seus fãs esperam ser um até logo, e que o rapper não fique tanto tempo sem voltar ao país.
O Lollapalooza Brasil 2026 reuniu grandes nomes, novas apostas e um público altamente engajado ao longo dos três dias. Mais do que os shows, o evento mostrou a força das experiências, da diversidade musical e da conexão entre artistas, marcas e fãs.
Com performances intensas de nomes como Lorde, Turnstile e Tyler, The Creator, além de ativações que ampliaram a vivência do público, o festival reforça seu papel como um dos principais eventos culturais do país e deixa o público já ansioso para a próxima edição.




