ANÁLISE - KAKU: Ancient Seal é diversão garantida para fãs de RPG, puzzle e exploração em mundo aberto, apesar das imperfeições


Tivemos a oportunidade de conferir o jogo KAKU: Ancient Seal, jogo desenvolvido pelo estúdio chinês Bingobell, pela SneakyBox
, publicado pela Microids e disponível para PC, PS5 e Xbox Series desde Outubro.

INTRODUÇÃO E SINOPSE
Num mundo antigo moldado pelos quatro elementos, o equilíbrio foi quebrado após uma calamidade que dispersou as almas elementais e fragmentou o continente em regiões hostis. Para buscar restaurar a harmonia do mundo, controlamos Kaku, um jovem acompanhado de Piggy, seu porquinho voador leal e que, junto com Kaku, explora continentes esquecidos, enfrentar inimigos corrompidos pelos elementos e desvenda segredos por trás da calamidade e de um guardião divino que antes mantinha o equilíbrio.

Abrindo o jogo, somos direcionados para uma tela onde é possível escolher diversas opções de idiomas como chinês, coreano, turco, japonês, inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, entre outros. Após a seleção, somos jogados para uma tela inicial onde podemos alterar algumas configurações básicas de gráficos (iluminação e saturação), eixos dos controles, sensibilidade da câmera, volume e outros itens como dificuldade (fácil, normal ou difícil, podendo ser alterada durante a jogatina), habilitar dicas, modo imersivo (sem mapa e comandos na tela), assistência de mira ou uma configuração recomendada pelos próprios desenvolvedores.

Depois de todas as configurações e iniciarmos um novo jogo, é exibido um vídeo introdutório onde KAKU está caçando uma presa (que depois descobrirmos ser nosso amigo) e, ao mesmo tempo, fugindo de um inimigo, até algo inesperado acontecer e paramos numa caverna.


GAMEPLAY
Dando pausa, já podemos notar que esse é um game com os elementos clássicos de um RPG de ação, tendo árvore de habilidades, atributos (como vida, vigor, defesa, ataque e desgaste), além de ser possível personalizar o capacete, espada, braçadeira e courada (todos eles com itens desbloqueáveis ao longo da jogatina), além de administrarmos os itens de nossa mochila e conferirmos as pedras rúnicas encontradas durante o jogo.




No geral, os comandos do jogo são simples de entender e funcionais, incluindo pulo simples e duplo, ataques com a espada, esquiva e defesa. À medida que avançamos na aventura, novas habilidades e ferramentas vão sendo desbloqueadas, ampliando as possibilidades de combate e exploração. Entre elas está o uso do estilingue, que adiciona opções de ataque à distância e ajuda a diversificar as abordagens durante os confrontos.

Esses recursos permitem que as batalhas se tornem mais dinâmicas, ainda que, com o tempo, alguns combates acabem apresentando certa repetição. Mesmo assim, o jogo exige atenção constante aos padrões de ataque de cada inimigo, incentivando o jogador a observar, reagir e escolher o momento certo para atacar ou se defender. Esse cuidado se torna ainda mais importante nas lutas contra chefes, que elevam o nível de desafio e funcionam como verdadeiros testes de habilidade.


Os confrontos mais importantes obrigam o jogador a dominar as mecânicas aprendidas ao longo da campanha, combinando movimentação, esquiva, defesa e uso inteligente das habilidades desbloqueadas. Ao mesmo tempo, o sistema de upgrades de equipamentos contribui para a sensação de progressão, recompensando quem explora o mapa com mais atenção. Dessa forma, KAKU: Ancient Seal incentiva a exploração constante e permite uma evolução gradual do personagem, tornando o aprendizado das mecânicas parte natural da experiência.

Além dos javalis, pequenos dragões e colmeias, também temos como inimigos chamados Ponpon, uma espécie de homem das cavernas (além do mentor que aparece logo no início) e que missões secundárias responsáveis por proporcionar uma pausa na história principal e desafios adicionais, mas sem contribuir para a narrativa principal. 


Piggy, o porquinho voador, também exerce um papel fundamental na jogabilidade e vai muito além de um simples companheiro carismático. Ele funciona quase como uma ferramenta multifuncional, auxiliando o jogador em diversas situações ao longo da aventura. Com sua ajuda, é possível caminhar sobre a água, acessar áreas de forma mais furtiva, alcançar saltos mais longos e até se teletransportar para uma área específica de criação, o que amplia consideravelmente as possibilidades de exploração do mapa

Não podemos esquecer que existem testes para cada elemento (vento, fogo, água e terra), adicionando uma camada extra de profundidade à jogabilidade, quebrando o ritmo entre combates e exploração. Mesmo oferecendo desafios interessantes, os puzzles mantêm um nível de dificuldade equilibrado, sendo acessíveis e bem pensados, sem cair na frustração excessiva. Isso acaba prolongando a experiência de forma positiva, tornando a jornada mais envolvente e prazerosa.

A narrativa é simples e não é o destaque do jogo, porém mescla uma época interessante com o estilo chinês de contar histórias, além de servir como um background para sua aventura focada na exploração e combate, agradando fãs de RPGs de mundo aberto e de puzzles, sendo bom para quem busca um jogo tranquilo e que diverte, mesmo com suas imperfeições.

MAPA
Quatro elementos e quatro locais diferentes, com cada um deles tem sua característica própria entre vento, fogo, água e terra, permitindo com que exploremos novas áreas, procurando itens escondidos, armas diferentes e até mesmo a possibilidade de anexar runas nelas, dando mais saúde, resistência, entre outros.

Em cada uma dessas regiões, somos apresentados a um novo personagem secundário, que ajuda a expandir o universo do jogo e dá um pouco mais de contexto à narrativa. No entanto, esses personagens acabam tendo um papel limitado, já que não participam dos combates nem influenciam diretamente na gameplay. Além disso, apesar da adição de novos mapas, a variedade de inimigos deixa a desejar. Alguns adversários, como o javali, aparecem em praticamente todas as áreas, o que acaba reduzindo o impacto da diversidade entre os biomas e pode tornar os confrontos mais previsíveis com o passar do tempo.



VISUAL E TRILHA SONORA
Tendo experiência visual agradável, com cenários coloridos e variados, passando por florestas, desertos, áreas congeladas, ruínas ancestrais, águas claras, ambientes em constante evolução, entre outros, contendo paisagens lindas e uma trilha-sonora que se complementa, na atmosfera do jogo, mas a imersão não é tanto por conta do trabalho da dublagem.



CONCLUSÃO
KAKU: Ancient Seal é um jogo que demonstra ambição e boas ideias desde sua proposta inicial, seja por conta de sua temática interessante baseada nos quatro elementos, visual colorido animado e uma jogabilidade que combina ação, puzzles e progressão de personagem, o título consegue entregar uma experiência divertida e consistente para quem aprecia RPGs de ação em mundo aberto.

Apesar disso, o jogo não consegue atingir todo o seu potencial, tendo problemas técnicos pontuais, repetição de inimigos e uma narrativa simples que, unida a sua dublagem, limita o impacto geral da experiência e enfraquece alguns momentos da jornada.

Ainda assim, KAKU: Ancient Seal cumpre bem sua proposta, tendo boa exploração, combates (especialmente contra chefes) proporcionando bons desafios e o uso de Piggy adicionando variedade e criatividade para a gameplay, resultando num jogo que, mesmo com suas imperfeições, consegue entreter e manter o jogador engajado do início ao fim.

No geral, esse é um jogo que merece atenção (principalmente se estiver em promoção ou serviço de assinatura) de quem busca uma aventura leve e acessível, se tornando boa pedida para quem quer que pode competir com jogos AAA, mesmo não sendo um.

A cópia digital do jogo foi disponibilizada para fins de review, feito diretamente do Playstation 5 e ele pode ser adquirido por R$ 127,42 (PS5), R$ 157,54 (Xbox Series), além de ter diversas edições para PC, variando entre R$ 44,39 e R$ 93,22 (Steam). Valores da data em que essa análise foi publicada.

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