Visitamos a primeira edição do Festival MEO Kalorama

Fotos: Jéssica Marinho
Texto: Guilherme Zorato

Aconteceu entre os dias 1 a 3 de setembro a primeira edição do festival MEO Kalorama em Lisboa, no Parque da Bela Vista, mesmo local em que acontece as edições do Rock in Rio na cidade.

Com um line-up de tirar o fôlego, passaram pelos três palcos do festival grandes nomes como Arctic Monkeys, Nick Cave and The Bad Seeds, Kraftwerk, Chemical Brothers, Years & Years, Disclosure, James Blake, Chet Faker, Marina Sena e muito mais. Além de um espaço repleto de ambientes para convivência como bares e lounges, o festival também teve a participação de atividades artísticas como um mural coletivo, uma galeria de artes e o design do palco principal, que foi inspirado em um dos trabalhos do artista português AkaCorleone.



Na quinta-feira (1), primeiro dia do festival, chegamos no final da apresentação de James Blake e já sentimos a vibe contagiante do festival. Em seguida fomos para o palco Colina onde ficamos para o concerto do grupo colombiano Bomba Estéreo, que surpreendeu com a alta energia do show, aumentando ainda mais as expectativas para a apresentação em 3D feita pelos alemães da banda Kraftwerk. O show, como esperado, foi emocionante. Em uma live que passeia pelos hits da banda, a apresentação se iniciou com a faixa "Numbers" e incluiu hits como "Computer World", "The Man-Machine", "Autobhan", "Computer Love", "Tour de France" e "Te Robots". Para fechar o show, a faixa escolhida foi "Music Non Stop".

Tanto pela energia surreal do show quanto pelo respeito que temos com os alemães do Kraftwerk, é muito difícil emendar outro concerto com os dele, mas a curadoria do festival foi muito bem pensada e logo em seguida colocou no palco principal a dupla Chemical Brothers, que já é conhecida pela alta qualidade musical e visual de suas apresentações. Entre os hits que fazem todos cantarem como "Block Rockin' Beats" e "Hey Boy Hey Girl", a dupla também tocou faixas mais recentes como "Eve Of Destruction", a primeira track de No Geography (2019) último álbum de estúdio dos Chemical Brothers.


Para finalizar o primeiro dia de festival fomos até o palco Futura onde assistimos ao show de (e nos apaixonaos por) Marina Sena. Com voz doce e muita timidez, a cantora brasileira arrancou sorrisos de todos os que estavam presentes.



Cantora brasileira Marina Sena



A dupla de DJs The Chemical Brothers


No segundo dia de festival, apesar de muitas atrações incríveis em todo o recinto, assistimos a três shows do palco Colina: Jessie Ware, Róisín Murphy e Bonobo. Muito bem recebidos pelo público, os shows conseguiram manter o alto nível do dia anterior, que contou com um alinhamento impressionante. Este talvez tenha sido o dia mais "chic" do festival, muito provavelmente como resultado da maravilhosa apresentação feita pela irlandesa Róisín Murphy. Com hits de sua carreira solo e também covers da banda Moloko, fomos todos transportados para um show de moda. A última banda a se apresentar na sexta-feira (2) foi Bonobo, que surpreendeu pela alta energia do show, muito mais animado que os álbuns de estúdio do grupo, que tem uma pegada mais atmosférica e ambiental. Confesso que neste show minha mente estava preparada para relaxar, mas o corpo quando ouviu a potência dos sons graves, não parou de dançar nem por um minuto.


A cantora Jessie Ware



A cantora Róisín Murphy

No sábado (3), último dia de festival, chegamos por volta das 20h e foi preciso fazer uma dura escolha: perder o concerto de Meute para ver Peaches. O concerto não foi apenas uma apresentação de toda a sua carreira, mas uma aula sobre punk, electroclash, transgressão e equalidade de gênero. Em uma celebração dos 20 anos do disco "The Teaches of Peaches", o concerto de aproximadamente uma hora contou com covers da faixa "Sex (I'm A)", de Berlin, e "It's All Coming Back to Me Now", de Pandora's Box. Sem surpresas, o hit que levou a multidão à loucura foi "Fuck the Pain Away", deixada para o final da apresentação.



A artista Peaches


Sem tempo para respirar, assim que
Peaches finalizou o show as luzes do palco principal acenderam e o recinto do festival de repente se transforma em um ambiente ortodoxo. Nick Cave and The Bad Seeds começam o show. Em quase duas horas de performance, Nick Cave permaneceu com o maior contato possível com o público, cantando não do palco onde se encontravam os demais músicos, mas ao fim de uma escada que levava o músico ao braços de quem conseguiu um lugar na grade.
A proximidade com o público não foi apenas física, mas emocional em muitos níveis. Ao tocar a música "O Children", Nick a dedicou para uma fã chamada Paula, que fazia aniversário no mesmo dia. Que momento!



O cantor Nick Cave

Já sem força nas pernas, emocional abalado após ver tantos artistas maravilhosos em um intervalo de tempo tão curto, vimos as apresentações de Chet Faker e Disclosure, finalizando assim a primeira edição de um festival que ao final nos fez questionar se estávamos presentes ou em um sonho, afinal não é sempre que temos a chance de ser parte de um encontro tão potente e transformador. Que seja a primeira de muitas edições na capital portuguesa. 



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