COBERTURA: Energia e música brasileira são o grande fenômeno do Rock in Rio Lisboa

Após todo o caos causado pela pandemia da COVID-19, a vida parece estar voltando ao normal, e também, um dos maiores prazeres de amantes de música: os festivais. Com o Rock in Rio Lisboa não foi diferente, entre tantas atrações de peso como Post Malone, Jason Derulo, Duran Duran e A-ha,  a Cidade do Rock em Lisboa reabriu suas portas no sábado (25) e domingo (26), do jeitinho que os brasileiros - e alguns portugueses -mais gostam: repleta de nomes brasileiros se apresentando em cada um dos espaços do festival. Durante os quatro dias, o festival recebeu 7,5 milhões de espectadores - contando o público presente no festival e os que acompanharam através do Tik Tok, rádios e canais de TV. 

(Anitta no Palco Mundo - Foto: Jéssica Marinho)

O Rock in Rio foi criado para dar voz a uma geração e promover experiências únicas e inovadoras. Em 1985, o evento foi responsável por colocar o Brasil na rota de shows internacionais, como todos já sabem. Mas ainda assim nos deparamos com os desavisados - ou ignorantes mesmo - que esbravejam nas redes sociais de que um festival que leva o nome "Rock" não deveria levar artistas do pop e derivados, um fenômeno que não existe só no Brasil. O publicitário Roberto Medina, criador do festival, diz que Rock in Rio virou uma marca, não uma designação do repertório. Todos sabemos que o festival nunca foi só de rock. Desde a primeira edição, em 1985, artistas com repertório alheio ao gênero são escalados como por exemplo Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Baby Consuelo e Pepeu Gomes, Elba Ramalho, Alceu Valença, entre outros. 

O segundo final de semana marcou história de várias maneiras, principalmente ao que se trata das atrações brasileiras e seu público. A começar pelo fenômeno mundial Anitta, no Palco Mundo que incomodou portugueses e brasileiros fazendo história e cravando seu nome, mais uma vez, na música. Depois de Ivete Sangalo dominar o primeiro fim de semana do festival, Anitta conquistou a maior audiência do canal SIC Radical em 2022, segundo divulgado pela imprensa portuguesa. A artista tocou no último dia do festival, o único que teve os ingressos esgotados, totalizando 80 mil pessoas na Cidade do Rock, além de bater recorde de visualização, onde foi o ponto alto dos dois fins de semana do Rock in Rio Lisboa 2022 na TV de Portugal - e após o sucesso, o show foi reprisado em TV aberta em Portugal. Os brasileiros também não deixaram de estar junto nesse recorde, pois o show de Anitta foi o show mais assistido no Tik Tok no Brasil. 


(Anitta no Palco Mundo - Foto: Jéssica Marinho)

Mas nem só de Anitta foi feito o Rock in Rio Lisboa, que recebeu outros nomes brasileiros que fizeram história. No domingo, mesmo dia de Anitta, o palco Galp Music Valley recebeu Rebecca, que de 
uma funkeira em ascensão está se tornando um dos grandes nomes do pop brasileiro. "Isso aqui é Brasil", gritou Rebecca no início do show, que estava lotado de fãs e alguns curiosos que queriam presenciar de perto o grande baile funk que a artista transformou aquele palco.  Este foi o primeiro show internacional em um festival e a artista fez questão de dividir sua conquista com o público "Uma equipe com 28 pessoas e o investimento de R$ 250 mil". E acompanhada de suas dançarinas que ajudaram a dar mais força a apresentação, seguiu o show com hits e a participação de Ralph, um dos cantores mais famosos da Angola e que já participou como jurado do The Voice em Portugal, que subiu ao palco para apresentar pela primeira vez a música que fez com a artista, "Só Por uma Canção". Rebecca fez o público cantar e dançar todos os passinhos, curtindo a festa brasileira em Lisboa. Mais tarde, Rebecca subiu no Palco Mundo para um feat com a Anitta


(Rebecca no Palco Galp Music Valley - Foto: Jéssica Marinho)

O
 palco Galp Music Valley também recebeu na primeira semana outra grande artista, a IZA, que fez uma apresentação maravilhosa e na segunda semana, no sábado (25), Ney Matogrosso encontrou os fãs portugueses e brasileiros após uma grande espera, e o cantor de 80 anos entregou um show performático e potente, como de costume. O show "Bloco na Rua" já é um ato antigo, mas ninguém se importa, todos cantaram e ovacionaram o icônico Ney que arrasou em sua apresentação que estava cheia de fãs e de sua energia brasileira, com um repertório que conta com versões de hits de artistas como Sérgio Sampaio, Rita Lee, Cazuza, entre outros. Ney Matogrosso foi um dos artistas atacados por metaleiros na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, e felizmente, seguiu em outras edições mostrando o motivo de ser considerado um dos maiores artistas brasileiros. Como todos os shows contaram com um protesto, Ney não ficaria de fora e cantou “Ponta do lápis”, de Eliezer Setton, reverenciando a comunidade indígena com projeções em um telão - sendo um momento emocionante. 


(Ney Matogrosso no Palco Galp Music Valley - Foto: Jéssica Marinho)

E por falar em protesto, isso é algo que brasileiro faz bem, e devido ao momento político, econômico e social que o Brasil está passando, não faltou protesto por parte dos artistas e do público presente, que saudava o ex-presidente Lula e aos gritos exige "Fora Bolsonaro". O Rock Your Street foi o grande palco de atos políticos, recebendo Francisco, El Hombre no sábado (25), que foi
 formada em 2013, e mesmo com os irmãos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte serem de origem mexicana, são naturalizados brasileiros e foram indicados para o Grammy Latino em 2017, pela música “Triste, Louca ou Má”, interpretada em língua portuguesa. Além dos grandes hits, a banda fez a estreia da música  "Arranca a Cabeça do Rei", "Essa é dedicada a todo mundo no Brasil que vai nesse ano, através do voto, arrancar a cabeça do rei", falou o baterista Sebastián Piracés-Ugarte. Em um show totalmente energético e politizado, a banda reuniu um grande público que criou a famosa "roda punk", além de dançar um axé diferenciado criado pela banda. A banda toda estava de vermelho, e entre uma canção em outra, agradecia o público e incentivava a votar consciente. 


(Francisco, El Hombre no Palco Rock Your Street - Foto: Jéssica Marinho)

Já no domingo (26), foi a vez de 
 Johnny Hooker, já famoso  pelas suas performances e por sua apresentação no Rock in Rio 2017 junto de Liniker com música a "Flutua", que foi marcada por um beijo entre os dois artistas. Em Lisboa, o artistas pernambucano também deixou sua marca, emocionado por estar pela segunda vez no Rock in Rio, e pela primeira, na edição de Lisboa. Com um figurino inspirado em Madonna, o show de Hooker foi marcado pela incrível performance e entrega do artista em cada uma de suas canções, o momento emocionante em que apresenta sua mãe ao público e declara seu grande amor a ela, e o ato político, que ao final do show, levanta uma toalha com a foto do Lula, ovaciona a liberdade e canta "Flutua". "Tudo que esse governo sabe fazer é matar. Extinguiram o Ministério da Cultura, aparelharam todas as fundações de cultura, de música e de artes visuais. Estão minando tudo isso", comentou Johnny Hooker em entrevista ao site Hedflow, e durante o show também foi possível ver a sua frustração e a sede de mudar a situação do país através do voto. 

Todo o público presente no Rock in Rio Lisboa também deu um show, em sua maioria brasileiros, durante a apresentação de cada artista vindo do Brasil. A energia brasileira é algo invejado pelo mundo todo, e durante o festival foi aconchegante estar em meio a essa energia, encontrar nosso povo em festa, se divertindo e pedindo um voto consciente para mudar os rumos do Brasil e voltar a ter um país mais democrático e acolhedor. 

(Johnny Hooker no Palco Rock Your Street - Foto: Jéssica Marinho)

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