RESENHA: Paul McCartney - Egypt Station



Com data de lançamento marcada para o próximo dia 7, nós tivemos acesso ao Egypt Station, próximo disco de Paul McCartney e que já conta com três músicas lançadas.

Passando por um total de 16 faixas, o disco conceitual foi feito para ser ouvido de ponta-a-ponta, como se estivéssemos fazendo uma viagem e cada música fosse uma estação/local/cidade diferente, tendo faixas de abertura, encerramento, além de todas as outras que compõem o disco.


Se New, último trabalho de Paul McCartney, pode ser considerado um resumo de sua carreira, passando por sons que remetem a músicas compostas por ele desde os anos 60 até os anos 2000. Egypt Station mostra toda a versatilidade de Paul, que tenta se manter Pop e buscando estilos da atualidade, como no duplo-sentido de Fuh You, trabalhada com o produtor do One Republic e que pode facilmente entrar em playlists de rádios pop, junto de artistas mais novos, atingindo outro público.


Faixas já lançadas, como I Don't know/Come On To Me trazem estilos totalmente diferente da música citada anteriormente e, sendo lançadas como 'single double A' (dois lados A), elas se contrapõem uma a outra. Enquanto I Don't Know começa com piano, num instrumental que já traz uma tranquilidade para a mente de quem ouve (a ideia de música e exatamente essa, falando sobre momentos difíceis, problemas e passando tudo isso para uma música), Come on to Me tem em seus primeiros segundos riffs de guitarra, numa pegada agitada e que com certeza encaixaria nas partes mais rockeiras de seu show, isso deve ser feito na turnê Freshen Up, que começará em breve e já está sendo feito em seus shows 'surpresas' que rolaram até o  momento.


Depois da faixa rockeira, Happy With You traz para o ouvinte um momento mais acústico, mostrando um cenário comum em muitos discos de Paul McCartney: Uma canção oferecida para uma mulher que o ajudou a crescer. "Tem um período em sua vida, e na vida de algumas pessoas, em que elas não estão sendo tão produtivas ou disciplinadas quanto serão um dia", disse Paul McCartney sobre essa canção. 


Bastante criticado durante o lançamento de New pelos fãs mais velhos, que o acompanharam nos anos 60/70, por conta de toda a ampliação musical de Paul McCartney em faixas como New ou no clipe de Appreciate, essa crítica dos mais velhos deverá estar presente em Egypt Station pelos mesmos motivos (como já aconteceu em Fuh You) e Who Cares pode ser pensado que é sobre isso, mas na verdade fala sobre bullying, valentões e o que pode ocasionar isso, com Paul passando conselhos para seus fãs, na forma da letra de música. A faixa que tem uma introdução psicodélica e caberia perfeitamente num disco como o Revolver, também traz uma pegada rockeira, mesclando partes instrumentais de violão e guitarra.

Alguns podem considerar uma música sobre amizade com outra pessoa, mas, para Paul, Confidante fala sobre o amor, o amor que ele sempre teve pelo violão, o "amigo" confidente, que McCartney contava e ainda conta todos os seus segredos, transformando em música, poesia e acalmando não só sua mente, como a mente e corpo de quem escuta suas músicas, ao longo de 5 décadas. Na minha mente, já imaginei um clipe para essa música, talvez nos moldes de Early Days (do disco NEW).

Muitas músicas de Paul nos anos 90 tinham o tema de paz, como Peace in the Neighbourhood e (de certa forma) Looking For Changes. Esse tema volta com People Want Peace, que toque de piano durante o coro da música, além de dedilhados de violão, batidas fortes de bumbo e um instrumento que não identifiquei ser violino ou violoncelo, além de um coro de vozes entoando "People Want Peace". Sobre ela, Paul McCartney disse: "As pessoas querem paz ou apenas gostam de lutar?’. E ele olhou para mim e disse: ‘não, algumas pessoas querem paz. São os políticos e os líderes que entram em guerras, não as pessoas'".

Feita para Nancy, Hand in Hand foi feita no começo da relação dos dois. Além da banda, a música (que é iniciada pelo piano e tem ele como instrumento principal) traz duas mulheres tocando violoncelo e um solo de flauta.  Já Dominoes fala sobre como as coisas podem estar indo bem e do nada desmoronar, como quando infileiram um dominó atrás de outro e todos eles caem numa sequência. A música é iniciada com um belíssimo dedilhado, que vai acompanhando a letra, e tendo seu instrumental crescente, entrando bateria e outros instrumentos ao longo dela, trazendo uma perfeita entre instrumentos e voz (até mesmo num momento mais psicodélica da faixa), típicas de um Sir., Sir. Paul McCartney.

Gravada no KLB Studios, em São Paulo (como consta no folheto do CD), Back in Brazil é com certeza a música mais esperada pelos brasileiros e mais invejada pelos países vizinhos, somente pelo título dela. Barulhos de pássaros iniciam a música, que traz piano numa pegada meio samba (com ideia elaborada dentro de um hotel em SP), um solo de instrumentos de assopro e uma tentativa de ritmo brasileiro dentro da música, deixando ela dançante.

Do It Now traz uma baladas com belíssimos arranjos e backing vocals, já Ceasar Rock abre a sequência mais rockeira do disco,  voltando aos truques de estúdio utilizados no disco Revolver, trazendo muitos experimentos, seja na entonação da voz, instrumentos, combinação dos dois, sintetizadores, entre outros.

Despite Repeated Warnings é a faixa mais longas do disco, com sete minutos de duração e trazendo uma alteração de estilos dentro da mesma música, como foi feito com maestria em Band on the Run. Trazendo uma balada por dois minutos, que logo depois transforma em música mais acelerada e energética, podendo ser encaixada com alguma outra música no show, em um formato de medley... Dois minutos depois de mudar totalmente, a música tem mais uma alteração, com solos de piano e transformando para um estilo que encaixaria perfeitamente no disco Give My Regards To Broad Street.

Fazendo o que ele faz de melhor e foi provado em músicas como Golden Slumbers/Carry That Weight/The End, a música escolhida para encerrar Egypt Station na verdade são três: Hunt You Down (numa espécie de Blues), Naked e C-Link, onde Paul McCartney se entrega de corpo e alma tocando guitarra, enquanto uma orquestra segura uma mesma nota (C), o acompanhando.






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