Elio Sant'Anna Elio Sant'Anna Author
Title: Conheça 15 discos nacionais lançados em 2016
Author: Elio Sant'Anna
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Textos por Elio Sant'Anna, Millena Kreutzfeld e Camila Licciardi Se 2014 foi o ano de diversas bandas voltarem ao estúdio e 2015 o a...
Textos por Elio Sant'Anna, Millena Kreutzfeld e Camila Licciardi

Se 2014 foi o ano de diversas bandas voltarem ao estúdio e 2015 o ano de novas bandas surgirem, 2016 foi o que artistas beberam da mais variada fonte brasileira e explorou novas sonoridades dentro dos estúdios, derrubando barreiras e estereótipos no quesito de se definirem e se prenderem a um estilo só.



Clarice Falcão - Problema Meu

Um deles é Problema Meu, segundo disco de estúdio da Clarice Falcão, que deixou de lado o violão e se dedicou a produções mais elaboradas, passando pela fonte de estilos como o rock, eletrônico e indie. 


O disco traz bem mais instrumentos, tendo mais uso de teclados, sopro, percussão, sintetizadores e guitarras. De forma mais lírica, o conteúdo das letras também muda drasticamente, Se em Monomania as letras mostravam uma garota apaixonada, com narrativas fofas, agora o disco mostra uma mulher decepcionado com o relacionamento e vingativa.



Medulla - Deus E O Átomo

O primeiro disco da banda em 10 anos regados de compactos e a compilação MVMT (2015) veio para consolidar a banda como uma das mais importantes do país.


Se o show é para mim o melhor nacional que vi no ano, o disco com certeza é um dos melhores também (vale lembrar que essa lista não é um um "TOP", em ordem de posição), com participação de artistas como Síntese, Marcelo D2, Martin (Pitty) e Teco Martins (Rancore).


Com produção de Pedro Ramos (Supercombo), o disco é dividido em duas partes, planejadas especificamente para ser um lado A e B, onde no lado B ficariam as músicas mais estranhas, algo revelado por Keops.





Apesar dessa lista não ser feita em ordem, Fresno e Medulla fizeram para mim os melhores discos do ano e, com certeza quem me conhece, não achou que esse dia iria chegar, mas A Sinfonia Em Tudo Que Há chegou e o dia veio junto.

Quatro anos se passaram entre esse lançamento e o último disco da Fresno, com esses quatro anos vieram mais experiências e muito amadurecimento. 

O disco faz jus ao nome com orquestras intercaladas, arranjos e melodias preparados com todo o carinho e cuidado possível, inserindo também todo o som característico da banda, aliado a participação de nomes como Lucas Lima nas cordas da faixa-título e Caetano Veloso em Hoje Eu Sou Trovão.



Rats é mais uma prova da variedade sonora presente em nossa, trazendo na capa uma arte punk e marinheira, mas com um muito animado, trazendo influências irlandesas, escocesas e até mesmo celtas, trazendo esse estilo, com acordeon e outros instrumentos para o rock, com músicas que poderiam facilmente estar num desenho animado, como O Velho E O Cão, faixa de abertura do disco.



Três anos se passaram desde o lançamento de Diante do Inferno e nesses três anos vieram muitos shows, turnês, single novo e realizações de vida, principalmente no segundo semestre.

Mostrando um hard rock em português numa qualidade que poucos conseguem fazer, a Sioux 66 mostrou evolução não só na música em si, como na ideia da arte, que é um recorte do Custer's Last Stand, de Edgar Samuel Paxson. Já no som, vemos uma atitude, amadurecimento e qualidade verdadeira, trazendo diversidade a um som que não se prende só no hard rock, como em Libertad, O Homem que Nunca Mudou, a balada Pra Sempre e o cover hard rock de O Calibre, do Paralamas do Sucesso, tudo isso sem deixar de lado as influências nacionais e internacionais.

O disco traz a produção de Henrique Baboom, mixagem de Brendan Duffey e, se ainda acham que estou exagerando, um dia depois do lançamento do disco eles abriram show do Aerosmith (convidado pela própria banda, leia resenha aqui) e dois meses para o Papa Roach (também convidado por eles, leia resenha aqui).

Não se prendendo a rótulos, nem por parte do vocalista ou dos outros integrantes, a banda consegue atrair público também de outras vertentes, seja pelo conteúdo das letras, da voz ou pela qualidade do instrumental.



O Terno - Melhor Do Que Parece

Terno, uma das melhores bandas nacionais da atualidade, atingiu seu ápice e amadurecimento com Melhor Do Que Parece.
Se antes eles já mostravam que sabiam fazer um rock nostálgico e criativo, como em 66, por exemplo, com este disco, eles mostraram que sabem fazer bem mais que isso. Letras, arranjos com metais, mistura com MPB, soul music, Tim Bernardes cantando melhor do que nunca. O Terno finalmente chegou onde deveria estar: no topo, e justificando todo o hype em torno deles.


Trem Fantasma - Lapso
Lançado pelo Selo 180 e considerado um dos melhores discos de estreia de Curitiba, Trem Fantasma chegou ao mundo com o pé direito. Produzido por Beto Bruno e Sanjai Cardoso, Lapso apresenta 9 músicas, a viagem certa, inspiração em Paulo Leminski e a participação de Pedro Pelotas e Charly Coombes.


FingerFingerrr - MAR O duo paulista já está na estrada há algum tempo e somente em julho deste ano que o primeiro disco deles foi lançado pelo selo Rosa Flamingo.
MAR, conta com faixas em português e inglês, participações femininas e muitos sintetizadores. Punk rock, hardcore, eletropop, energia, muita distorção e criatividade são as marcas registradas desse disco.

Odradek - Sun Seeker Lançado em julho desse ano, o split entre Odradek e Sphaeras - banda de Singapura -, Sun Seeker foi um disco feito na medida certa na fritação e psicodelia.
Pra quem não conhece, Odradek é um trio de Piracicaba/SP e os gêneros que mais influenciam os três rapazes é o math-rock, pós-rock, progressivo e experimental, gêneros que a Sphaeras está acostumada. O disco apresenta 3 faixas de cada banda e duas feitas em parceria entre eles.

Cachorro Grande - Electromod Esqueça tudo o que você conhece de Cachorro Grande por aqui. Sendo o segundo disco da parceria Cachorro Grande & Edu K, Electromod fez os 5 gaúchos deixarem o rock engravatado de lado e colocarem sintetizadores, bases eletrônicas e uma nova sonoridade para o grupo. Apesar de todas as mudanças, guitarra e bateria estão mais presentes do que nunca. Pode ser estranho a princípio, mas depois electromod faz jus ao que veio: psicodelia, Screamadelica, 48:13, Kraftwerk e tantas outras referências.
Cachorro Grande pode ser mais do que "Você Não Sabe O Que Perdeu" e isso é ótimo.



Sabotage - Sabotage
Depois de longos anos de espera, o disco póstumo do rapper Sabotage finalmente saiu. "Sabotage" é composto de 11 faixas, e tem colaboração de nomes como Tropkillaz, BNegão, Céu, Dexter, DJ Nuts, DJ Cia, Mr. Bomba e o rapper Shyheim, do coletivo de rap norte-americano Wu-Tan Clan. A direção musical do álbum é de Tejo Damasceno, Rica Amabis e Daniel Ganjaman.
Em parceria com o Spotify, o disco foi lançado durante uma transmissão ao vivo por meio de redes sociais, refletindo a forma do Sabotage de ser, sempre afrente de seu tempo. Mesmo sendo escritas e gravadas há mais de dez anos, as letras refletem a realidade das quebradas de atualmente.
Um disco atemporal, uma pedra bruta que foi deixada nas mãos de nomes incríveis, que tiveram a missão de lapidar com todo cuidado, carinho e respeito, sem deixar com que a essência do rapper Sabotage fosse perdida ou deixada de lado. Isso faz desse disco, um dos mais marcantes dos últimos anos.


Miami Tiger - Amblose
Miami Tiger, foi formado no ano de 2015, passou por diversas transformações até adquirir a formação solida de hoje.
O EP "Amblose", tem letras fortes, impactantes, e um som bruto que contrasta com a voz doce e delicada da vocalista Carox. O disco teve seu lançamento em 15 de agosto, foi gravado e mixado no Estúdio Costella, produzido por Alexandre Zampieri e Gabriel Zander. Contou com a participação especial do Rodrigo Lima, vocalista da banda Dead Fish na música "Ali".
Recentemente lançaram o videoclipe da música "Meu Lugar", que tem como tema liberdade da mulher, cheia de frases de empoderamento feminino, faz uma crítica direta a relacionamentos abusivos o despeito que as mulheres sofrem diariamente.




BaianaSystem - Duas Cidades
BaianaSystem mostra a diversidade que é a música brasileira. É uma mistura de axé, reggae, eletrônico, hip hop e até mesmo guitarrada, por conta dessa pluralidade sonora acabou agradando diversos públicos. As faixas são repletas de provocações e críticas sociais, mas sem deixar a festividade de lado. Uma banda, com qualidade, expressividade, alma e essência brasileira, sem medo de deixar isso bem claro em cada uma de suas músicas no álbum "Duas Cidades".



Metá Metá - MM3
Metá Metá introduz no disco MM3 uma mistura de jazz contemporâneo, ritmos africanos e uma delicada influência punk, compondo uma sonoridade mais sombria, essa que foi tão mostrada no disco anterior "MetaL MetaL", essa mistura unida com a voz forte e intensa de Juçara Marçal. O álbum foi concebido em apenas 3 dias no Estúdio Red Bull, em São Paulo.



The Baggios - Brutown
O duo sergipano tem como grande referência sonora grupos setentistas, em se álbum "Brutown" tem letras cantadas em português, e aborda como tema os tempos sombrios e extremamente violentos que vivemos, atingido assuntos como a tragédia da cidade de Mariana em Minas Gerais, e o massacre no Bataclan em Paris.



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