Elio Sant'Anna Elio Sant'Anna Author
Title: Entrevista com André Freitas (produtor Charlie Brown Jr./ Urbana Legion/ Bula Rock)
Author: Elio Sant'Anna
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Nós visitamos o Electro Sound Studio (estúdio de guitarrista Marcão, Ex-CBJr) e falamos com André Freitas, que abriu o local para fazer uma ...
Nós visitamos o Electro Sound Studio (estúdio de guitarrista Marcão, Ex-CBJr) e falamos com André Freitas, que abriu o local para fazer uma entrevista conosco.
O cara participou da produção do último disco do Charlie Brown Jr., é produtor da Bula Rock, do projeto Urbana Legion, entre outros trabalhos.

Saiba como ele começou, seu contato com o Marcão, a produção do La Família 013, Bula Rock, Urbana Legion e muito mais, em ENTREVISTA EXCLUSIVA!!

Quando e como você entrou no mundo musical?

Comecei com 13 anos, tocando violão e tendo aula durante 7 meses e depois aprendendo sozinho. Montei uma banda com 15 anos, com som próprio e alguns covers, para poder tirar uma grana, sempre gostei de fazer umas progressões, e partir disso criar música.
Até chegar na produção comecei com a parte do áudio, que foi quando eu conheci o Marcão (Charlie Brown Jr.) através de um amigo em comum, Começou com uma amizade, de ouvir som junto, trocar som de bandas que um conhecia, mas outro não. 

Por mais que eu já tivesse algum contato com programas de gravação, foi com ele que eu entrei numa situação real. Ele produziu um disco da banda Anjo Dos Becos e na época ele sabia que já mexia um pouco com gravação e me chamou para eu trabalhar na gravação, que foi meu primeiro contato com Macintosh, ProTools e etc. Tinha uma hora que ele falou "André preciso ir no banheiro. aperta 'command' + espaço' para gravar e foi assim que eu comecei.

Ele me falava muito sobre a qualidade dos discos do Paulo Anhaia, que gravou cerca de 80% dos discos do Charlie Brown e outros artistas da época boa do rock, ele passou por quase todas. Com o Marcão conheci ele, e comecei a prestar atenção no trabalho no Paulo, que é  minha primeira referência. 
Eu já ouvia tanto os discos do Charlie Brown e admirava tanto aquele som, aí comecei a ir atrás de outros trabalhos dele, entrei em contato com ele (na época do Orkut ainda) e ele sempre foi muito receptivo, tirando dúvidas, mostrando plugins legais e várias outras informações que eu uso até hoje.

Na prática, o Marcão me ensinou várias coisas que são primordiais para o meu trabalho, coisas padrão que o Marcão falava "faz assim, tal, usa tal plugin", coisas pra deixar o som melhor, isso tudo foi o Marcão que me ensinou.

E quais engenheiros que você leva como influência para o seu trabalho?


Nacional gosto do Paulo Anhaia, Lampadinha, Tadeu, o Adair e o Nando Bassetto, que também é daqui de Santos. Agora internacional, o que eu mais gosto é o Tom Lord-Alge, que é o que mais me surpreende. Cada mixagem que ele faz é uma coisa absurda, uma perfeição para mim. O irmão dele, Chris Lord-Alge é outro também, Rich Costey, Randy Staub, Joe Barresi e também o Andy Wallace (que fez Nirvana, Rage Against The Machine, Slayer, Sepultura). Ouço bastante coisa de cada um deles.

Desses vários trabalhos já realizados, qual foi o mais marcante?


Até então, o da Bula. Foi um processo muito longo de trabalho, ficamos durante um ano dentro do estúdio buscando isso tudo, eu me esforçando para extrair o máximo que poderia de um resultado legal e tirar o som que eu tinha na minha cabeça e trabalhei arduamente para isso.


Do Charlie Brown Jr, há uma versão de animal de "No mundo deserto", música do Erasmo Carlos. 
Foi meu primeiro trabalho com o Charlie Brown, muito especial pra mim. Lembro do processo de trabalho nessa música e sinto muita saudade, aprendi muitas coisas com cada um, sem exceção.

E como foi a produção do La Família 013
Enquanto o Chorão estava vivo eu era o único que trabalhava no estúdio junto com eles. Eles começaram a fazer o disco num estúdio em São Paulo, até a reforma do estúdio do Marcão ficar pronta pra começarem à trabalhar em Santos, onde gravaram até o falecimento do Chorão. A música de rock mais tocada em no Brasil 2013 foi "Meu novo mundo", a versão mixada no Electro Sound Studio por mim, junto com a banda.  Havíamos mixado "Meu novo mundo", "Um dia a gente se encontra" e "Fina arte" e elas foram masterizadas no  Sterling Sound (New York), estúdio que já trabalhou com Bon Jovi, Green Day, Metallica e outros. Duas dessas músicas vazaram na semana que o Chorão faleceu.

Por conta do projeto da A Banca, que estava com ensaios diários, compromissos, entrevistas e shows, não teve agenda para terminarmos o La Família 013 e fazermos também A Banca, foi que demos prioridade para a banda, que estava trabalhando por uma estabilidade. Foi aí que chamamos o Tadeu Patolla, que é o cara que mais conhecia Charlie Brown, viu tudo acontecer e fez um ótimo trabalho com o disco. 

Todo mundo fez o melhor possível para o disco soar daquele jeito e não é à toa que ele foi indicado ao Grammy Latino, ganhou disco de ouro e foi um puta trabalho.


Local de trabalho do produtor André Freitas, o Electric Sound Studio, localizado em Santos


 Falando nesse disco, ele concorreu (junto com O Rappa, Erasmo Carlos, Titãs e Nando Reis) como melhor disco de Rock Brasileiro no Grammy Latino. Qual foi sua reação ao saber da indicação?

É surreal, primeiro, quando ganhou o disco de ouro eu já fiquei "caralho, disco de ouro!!". E com o Grammy o baque foi maior ainda, eu faço o que faço pela emoção que eu tenho, descarrego minhas emoções no trabalho que faço, é muito do "feeling" (sentimento) e ver alcançar algo assim num nível mundial é demais e me dá uma sensação boa, por que eu faço isso com o coração mesmo.

Foi algo inesperado, eu fiquei pensando "caramba, como que acontece isso??". Tudo começou porque eu era fã do Charlie Brown, ai eu me tornei amigo de um guitarrista que eu admirava, comecei a trabalhar com a banda que deu toda influência para o som que eu gosto, é muito louco.

Conseguir tudo a ponto de ser convidado para uma cerimônia, sendo indicado por trabalhar no disco deles é meio surreal, não consigo dimensionar pra você, é bem emocionante e gratificante demais. Eu não fico com o ego inflamado, fico feliz por ter meu nome ligado a uma banda que eu gosto tanto, fico feliz com isso.


 Você ainda está junto com a Urbana Legion, como começou o projeto e qual foi a sensação de estar no show?

Foi emocionante participar disso, foi demais. Porque todo trabalho em estúdio a gente ficava junto, buscando timbres e tal. A banda já faz uma roupagem nova, então exige um cuidado, tem algumas músicas tocando na rádio (Tempo Perdido e Ainda É Cedo). Ficou fácil de entrar no trabalho e somar, eles estão no caminho certo e eu só dou uma tratada no trabalho, foi isso que rolou.

 O convite pra tocar foi porque ocorreu um conflito de agenda  do Marcão, aí facilitou, porque eu já estava no dia a dia da banda e o  Marcão viu que eu podia fazer isso naquele dia (show no Kazebre). Estudei pra caramba as músicas, para fazer o meu melhor, porque a banda só tem gente foda e tem que tocar direito, e foi isso que fiz: Estudar o máximo, pra fazer um som legal.

O Marcão me confiou nisso aí, e fizemos o show no Kazebre, que foi ótimo. Em vários momentos me senti arrepiado, porque o som no palco estava alto, e mesmo assim eu conseguia escutar a galera cantando vários clássicos da Legião. E é emocionante saber que a gente estava proporcionando um momento tão legal para a galera que estava ali, foi demais!!


Com quais artistas você tem trabalhado atualmente?

Terminei a mixagem da nova música de uma banda chamada Vehat, som bem legal. Estou começando a produção do novo EP da Depois da Tempestade, finalizando o CD do Prodígio, que se chama Poesias do Asfalto, mais versões da Urbana Legion, que produzi com o Marcão e estarei mixando semana que vem. No carnaval devo começar o novo CD da Madrenegra, banda de Brasília.

O que você costuma fazer no tempo livre (se é que tem)? 

Sou bem caseiro, mas tento visitar meus amigos, ouço um som... estudo bastante, pesquiso novidades... bandas que não conheço. Tento me ocupar até dar sono!

Muito obrigado pela entrevista, e sucesso nos seus trabalhos!!



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