Tenet: Brilhantemente confuso


Essa semana os cinemas recebem o mais novo e ambicioso longa de Christopher Nolan. O lendário diretor de Batman: Cavaleiro das Trevas, A Origem e Interstellar ataca mais uma vez com sua ousadia cinematográfica não-linear. Toda a experiência de Tenet é no mais puro estilo de Nolan, que a cada longa consegue se desafiar de formas indiscutivelmente mais originais e revolucionárias que o anterior.

Se seus filmes são famosos por não seguirem a linearidade padrão dos roteiros, em Tenet ele leva essa técnica ainda mais longe. Em Tenet Nolan cria suas regras para um universo único nos filmes de ficção. O Protagonista (assim chamado no filme) é um agente de espionagem internacional que embarca em uma missão que desafia tudo o que conhecemos sobre o espaço e o tempo. E falar mais do que isso já seria spoiler.

Mais uma vez, Nolan aborda viagens no tempo que em seus efeitos visuais são simplesmente deslumbrantes, inovadores e bem específico. Entretanto Tenet tropeça em alguns aspectos impossíveis de se ignorar. Em um longa com mais de duas horas de duração, não demora para o espectador ficar confuso e se perder na história, por mais atento que este seja. É aquele tipo de filme que você vai precisar ver mais de uma vez para ligar todos os pontos.

Tenet carece de profundidade em seus personagens e momentos emocionais do filme, tornando a experiência muito fraca nesse sentido. O roteiro até dá grandes oportunidades para as emoções, mas parece que dessa vez Nolan não soube, ou não quis aproveitar tanto. Dessa forma Tenet se revela uma obra fria e sem grandes vínculos com o espectador.

Fica claro que todo o foco e mérito do longa são nos efeitos especiais. O que juntamente com a trilha musical e os efeitos sonoros tornam o filme mais atraente. Mas é justamente esse o grande problema de Tenet. Toda a parte técnica acaba por maquiar um roteiro confuso e demasiadamente longo. Isso por que talvez há em Tenet muitas tramas secundárias desnecessárias e tudo vira uma grande bola de informações não-lineares.

Por fim, é de se apostar que Tenet marque presença nas temporadas de premiações por seus êxitos técnicos. É um bom filme, um entretenimento de qualidade que vale muito à pena ser assistido, mas que dificilmente permaneça no mesmo patamar das obras anteriores de Nolan.