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    Dinheiro sujo da Telexfree bancou show de Paul McCartney no ES

    Paul McCartney durante show no ES. Foto: Edson Chagas
    Depoimentos e documentos mostram que os responsáveis pela Telexfree, a maior piramide financeira do mundo (e que faliu mês passado, devendo R$ 2 bilhões) lavaram dinheiro, bancando um show de Paul McCartney no ES, em 2014.  Quem revelou mais detalhes sobre isso foi A Gazeta, em matéria divulgada começo do mês. Leia matéria completa no G1.

    O show no ES só aconteceu por conta da crise Argentina, que tirou o show de Buenos Aires e, graças a Telexfree, foi para o Espírito Santo.

    As descobertas foram baseadas em documentos públicos e entrevistas que comprovam a ligação da empresa com o show, além de investigações no MPF. A Gazeta apura isso de 2014, cinco anos se passaram até ter consistência suficiente para a publicação da notícia. Quem fechou o patrocínio com a Telexfree foi Flávio Salles, dono da ‘Capixaba Eventos’, empresa que contratou o show junto à Planmusic, responsável por todas as vindas de Paul McCartney ao Brasil e que se fundiu com a T4F em 2016.


    “Eu precisava de investidor para shows com valores expressivos, e procurei por eles. No meu entendimento, o dinheiro tinha saído da conta deles ”, afirmou Flávio Salles à reportagem d'A Gazeta. Antes mesmo, a Telexfree já estava sob a mira do Ministério Público. 


    Os responsáveis
    O cachê de Paul foi pago por Renato Alves, um dos principais líderes da Telexfree. A informação é do advogado Rafael Lima, que representa Alves, Wanzeler e Costa. “Ele quis fazer um investimento particular”, diz, ao negar irregularidades, como lavagem de dinheiro. Ocorre que, segundo o produtor Flávio Salles, as tratativas do show foram feitas com os donos da Telexfree na residência de Costa, na Praia da Costa, em Vila Velha.
    Salles diz desconhecer quem pagou o ex-Beatle. “Eu passei a conta para eles (Wanzeler e Costa). No meu entendimento, o dinheiro tinha saído da conta deles”, explica Salles sobre o cachê do artista, acrescentando que os demais custos do show foram cobertos pela receita da venda dos ingressos.


    Foram pagos aproximadamente R$ 8 milhões somente de cachê. Ao todo, estima-se que ao menos R$ 15 milhões tenham sido empregados para concretizar a festa. Os números oficiais não são divulgados.

    Renato Alves, de São Paulo, é apontado pelo MPF como um dos principais laranjas de Costa e Wanzeler. Em ações penais, ele é acusado de ocultar e de lavar dinheiro para os chefões.

    Alves não é a única ligação entre o show e a Telexfree. Outro elo é Cleber Renê Rizério Rocha, ex-funcionário de Wanzeler. Por exigência dos chefões da pirâmide, ele foi transformado em sócio de Flávio Salles na Capixaba Eventos. Foi essa empresa que assinou contrato para a vinda do Paul McCartney com a Planmusic, produtora brasileira da turnê.

    Conforme a reportagem, em 2017, Rocha foi preso nos EUA e acabou entregando tudo. Ela possuía uma mala com US$ 2,2 milhões, cerca de R$ 9 milhões hoje.
    Em outro lugar que ele apontou, o equivalente a R$ 70 milhões (US$ 17 milhões) foi encontrado escondido debaixo de um colchão. A fortuna pertencia aos sócios da Telexfree.

    Rocha se tornou dono da empresa, apesar na teoria o dono ser Flávio Salles
    Rocha não tinha expertise em produções artísticas nem desempenhou papel relevante no negócio. Tornou-se dono de 99% da empresa, mas para o público e para o mercado, Flávio Salles, que tinha 1% da firma, era o único proprietário. “Na negociação com o investidor aconteceu essa colocação de uma pessoa na sociedade que, se sentar aqui, eu nem sei quem é (...) Eu aceitei”, disse Salles.

    As mudanças no quadro societário da Capixaba Eventos foram assinadas pelo mesmo contador da Telexfree, João Cláudio Pereira. “O Cleber foi no escritório com o Carlos, o Wanzeler e o Flávio… e fizeram a empresa”, contou Pereira, que ainda confirmou que a Capixaba Eventos viabilizou a vinda de Paul McCartney.


    Ingressos encalhados e cortesias como possível Caixa 2
    Boa parte dos ingressos para o show de Paul McCartney ficou empacada e a organização resolveu aumentar a oferta para estudantes — que teriam desconto — e distribuir entradas como cortesia. Isto gerou suspeita para a Promotoria Cível de Cariacica que passou a considerar suposta sonegação e lavagem de dinheiro. 
    Isso porque a previsão de receita era de R$ 12 milhões e as vendas alcançaram apenas R$ 3,2 milhões, referentes a 23.704 ingressos. O problema é que o público esperado era de 33 mil pessoas.
    A cortesia “pode ser usada para mascarar a receita com as vendas dos bilhetes, produzindo uma espécie de caixa 2 e blindando parte da arrecadação real das garras do Fisco”.



    Niemeyer, produtor dos shows no Brasil, surpreso
    Nem mesmo Luiz Oscar Niemeyer, responsável por todos os shows de Paul McCartney no Brasil, sabia disso até o MPF intervir. Ele disse que tem apreço por Salles e que se houve participação da Telexfree, foi através da empresa dele. “Não tivemos nenhum tipo de contato com ninguém dessa empresa aí”, afirmou Niemeyer.

    “É a primeira vez que ouço falar sobre esse assunto. Estou surpreso”, afirmou o empresário que desde 2016 é diretor da Time For Fun, considerada a maior do mercado de entretenimento e shows ao vivo da América do Sul.
    Niemeyer explicou que todas as suas tratativas para confirmar Paul no Espírito Santo foram com o empresário Flávio Salles, produtor local do show. Ele confirmou que a Capixaba Eventos, empresa na qual os cabeças da Telexfree inseriram um homem de confiança, formalizou um contrato físico com a Planmusic.




    O esquema da Telexfree foi muito além de ser apenas uma pirâmide financeira. São apontadas fraudes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro, manipulação de câmbio e venda de contratos coletivos de investimentos.