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    Resenha: Lords Of Chaos (2019)

    O tão aguardado – ou não – filme sobre a banda Mayhem finalmente saiu, e já pode ser visto no Youtube e outras plataformas, com legenda em português. Dirigido por Jonas Akerlund, um sueco vencedor do Grammy e conhecido por clipes como “Ray of Light”, de Madonna, e “Paparazzi”, de Lady Gaga, o filme trata da cena controversa, que é o black metal norueguês, que envolve polêmicas e histórias pesadas e trágicas, que até hoje são difíceis de saber o que realmente aconteceu nos primórdios da cena. Como é mostrado no ínicio do filme: “Baseado em fatos reais…ou mentiras”. De forma resumida, é um estilo sombrio, cru e agressivo que incorpora em suas letras temas como satanismo, anticristianismo e paganismo, sendo considerado usualmente o gênero musical mais extremo.
    O Black Metal norueguês já foi retratado em vários documentários. “Lords of Chaos” não é um documentário, é um longa baseado no livro de mesmo nome, escrito por Michael Moynihan e Didrik Søderlind para contar sobre a série de crimes ocorridos no país, envolvendo bandas como Mayhem, Burzum e Emperor. Embora o filme tenha um tom adolescente – algo que realmente era, uma cena adolescente com jovens que acreditavam em auto promoção através de atos bárbaros – , é uma boa diversão para quem quer conhecer um pouco sobre as polêmicas macabras que envolvem a banda Mayhem e a cena Black Metal, de forma simples e com boas cenas de terror.
    Cartaz alternativo do filme
    Existem diversos pontos de vista e percepções para a história, nesta versão, quem assistir o filme vai acreditar que Euronymous era o rapaz bom que só queria sucesso e promover sua banda enquanto Varg acreditava que tudo era uma forma de protesto, era o jovem solitário que queria participar da cena e induziu os jovens a realizarem atos criminosos, visto que tudo virou uma competição de quem fazia atos mais macabros. Tendo em vista que o filme foca nos personagens Euronymous, Varg Vikernes e Dead. A relação pessoal entre eles, em principal a relação entre Euronymous e Dead e a vida normal de um adolescente com depressão e suas peculiaridades –  envolvendo o lado sentimental, onde Euronymous pensa constantemente na morte do amigo e se sente assombrado por ele. E a amizade que virou disputa e acabou de forma trágica entre Euronymous e Varg – Euronyous nunca foi simpatizante de Varg, eram apenas de parceiros de banda e tudo virou uma disputa onde não sabe os motivos que realmente levou Varg a realizar o assassinato de Euronymous. Ao que se sabe, isso de amizade sentimental é apenas a parte fantasiosa do filme, na realidade, Euronymous não era muito amigável.
    Dead e Euronymous
    Segundo o diretor, eles estiveram em contato com os familiares dos personagens que morreram e são retratados no filme, para tentar garantir um roteiro correto. Diante dessa declaração, imagino que por esse motivo, o filme transmite a ideia de bom moço para Euronymous, em momentos do filme, ele se mostra arrependido, emotivo pela morte do amigo Dead, apaixonado pela namorada e tentando levar uma vida normal. O filme traz claramente licenças poéticas para dar toques de violência, humor e até romance na trama, pois foi produzido para o grande público. “Eu acho que as pessoas esperavam que eu faça um filme muito obscuro, mas meu foco era nos personagens e no relacionamento entre eles, a parte emocional do que aconteceu, o que sinto que é muito importante”, disse Akerlund, à “Rolling Stone”.
    Um fato é que Euronymous era um jovem de família bem sucedida, ele tinha uma casa alugada para ensaios, e seu pai montou a loja de discos e a gravadora. Teve tudo que queria para montar sua banda e por em prática suas estratégias para torna-la famosa. Para quem acompanhou mais a fundo a história da banda , Euronymous não era tão são – ou fez tudo que fez para simples promoção da banda. Até porque, encontrar o corpo de um amigo de banda, que tinha se suicidado, tirar uma foto do cadáver e colocar a imagem grotesca na capa de um bootleg da banda, não é algo que uma pessoa normal faria.
    Apesar de tudo, o filme cumpriu sua proposta de mostrar a cena Black Metal e os acontecimentos macabros mais conhecidos. A ideia nunca foi de ser uma retratação fiel de tudo que aconteceu, assim como diversos filmes que contam histórias de bandas, sempre há um mix de fantasia e drama. Muitos fãs fiéis podem ter criticado o filme, assim como fez os músicos envolvidos – Necrobutcher, baixista que estava na cena durante todo este tempo e que segue no Mayhem, não gostou nada do filme, disse que a história está longe da realidade vivida pelos jovens naquela época – mas o trabalho final foi bem recebido pela maioria da crítica e é uma maneira de mostrar um pouco desse estilo musical, fazendo com que o público pesquise mais sobre as bandas envolvidas para ter uma ideia formada. As cenas do filme são muito bem feitas, e as interpretações dos atores também é boa. Vale muito a pena reservar 2 horas da sua vida para apreciar essa arte.
    A história real que temos sobre um dos acontecimentos mais polêmicos é contada por um lado só, o do Varg, que deu várias entrevistas sobre o ocorrido  e foi condenado a 21 anos de prisão (pena máxima na Noruega), pelo assassinato de Euronymous e também por acusações de queima de igrejas. Na prisão, dedicou alguns anos ao Burzum, lançando dois álbuns somente com sons ambiente, o “Dauði Baldrs” e o “Hliðskjálf”. Varg deixou a cadeia após cumprir pena por quase 16 anos. Foi libertado em regime de liberdade condicional em maio de 2009 e voltou a ser preso junto com sua esposa em 2013, na França, acusado de planejar um massacre. Foi libertado mas ambos ainda estão sob investigação. Atualmente Varg tem um canal no youtube onde continua com declarações polêmicas e recentemente fez diversas críticas ao filme “Lords of Chaos”.
    Varg Vikernes e o ator que o interpreta, Emory Cohe
    A Loja que pertenceu ao Euronymous existe até hoje em Oslo, na Noruega com o nome Neseblod Records onde existe diversos itens especiais da cena Black Metal, entre itens raros e autografados. Abaixo da loja, tem o chamado Museu do Black Metal, local com itens que pertenceram ao Euronymous, e o local onde acontecia as reuniões do Inner Circle, o grupo ideológico-musical, formado por integrantes do Mayhem, Burzum, Emperror e outros, que é mostrado no filme. Infelizmente, a maior parte do acervo é online e pode ser conferido no site blackmetalmuseum.no.
    Frente da Loja Neseblod
    Os membros restantes da banda Mayhem, Hellhammer (bateria) e Necrobutcher (baixo), juntaram-se ao vocalista Maniac e ao guitarrista Blasphemer e reativaram o Mayhem dois anos após o ocorrido. Atualmente a banda é composta por Hellhammer, Necrobutcher, Attila Csihar (vocal), Teloch e Ghul (guitarras). E segue gravando álbuns e realizando turnês, a última passagem da banda no Brasil foi em Junho de 2018.

    Lords Of Chaos
    Gênero: Drama , Mistério e Suspense
    Dirigido por: Jonas Åkerlund
    Estreia Mundial: 8 de fevereiro de 2019
    Tempo de execução: 112 minutos
    Estúdio: 20th Century Fox