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    Explosão da Beatlemania completa 55 anos


    Trazendo trechos de livros, entrevistas, relatos e partes retiradas dos sites Diário dos Beatles e o Baú do Edú (que sempre foram influencias para nós - links no final -) resolvemos falar um pouco sobre os dias dos Beatles nos EUA, mais especificamente entre 9 e 16 de Fevereiro, quando o ápice da beatlemania foi atingida, a nível mundial

    Conheça um pouco mais a história e assista a trechos dos shows abaixo.



    Em 07 de fevereiro de 1964 , os Beatles sairam da Pan Am Voo 101 no aeroporto recém nomeado de John F.Kennedy (assassinado quase três meses antes). Os EUA, a América, o Mundo e os Beatles nunca mais seriam os mesmos.


    Quando o Voo 101 da Pan Am, transportando os Beatles, aterrissou no Aeroporto Kennedy, em Queens às 1:20 da tarde, eles foram recebidos por 4.000 adolescentes, 200 membros da imprensa e mais de 100 policiais de Nova York. Dois dias depois, esses desmaios e gritos seriam ampliados por um fator de 70 milhões de pessoas, enquanto a banda se apresentou pela primeira vez na América, no palco do Ed Sullivan Show.



    Nunca na história americana havia tantos jovens nessa gritaria (nem com Elvis com Frank Sinatra), exatamente no mesmo momento, uma reação possível, em parte, pelo poder crescente de televisão. 



    "Houve uma grande preocupação sobre a  guerra do Vietnã , o movimento pelos direitos civis, a inflação era alta. Havia uma tensão" , disse Kane, repórter que viajou com os Beatles nos EUA em 1964/65. "Quando os Beatles chegaram em fevereiro começaram a desviar a todos, de tudo isso. "Por seu talento, charme e energia , os meninos fizeram prazer mais uma vez uma parte da conversa pública. Se fosse esse o efeito que teve sobre a consciência de massa, eles tiveram um efeito ainda mais profundo e mais duradouro, efeito em um nível individual. O desempenho da performance do Fab Four capturou a imaginação de jovens tão profundamente, que os ajudou a imaginar vidas completamente diferentes para si mesmos. 

    A maioria das meninas podem ter gritado,mais do que os meninos (e algumas meninas) decidiram naquele momento que eles poderiam tocar e cantar também. Isso foi significativo depois para bandas, bem como grupos amadores - relataram que, depois de 09 de fevereiro de 1964 (dia que eles se apresentaram no Ed Sullivan Show), eles levaram para suas garagens para formar grupos próprios. Há apenas um ato da era "classic rock" que não namorou a inspiração de sua formação de todo esse tempo. 

    A estreia dos Beatles animou toda uma geração de buscar a sua própria voz, seja em músicas que tocavam ou através do reconhecimento da música como uma forma essencial para compreender a si mesmo. Como aqueles dias no início de fevereiro pode ter sido, eles não vieram do nada. O fenômeno dos Beatles foram ganhando força em sua terra natal mais de um ano antes, e já havia feito incursões importantes antes de pousar nos EUA. Na verdade, os seus primeiros esforços nos Estados não foram promissores. Quando "She Loves You", saiu em 16 de setembro de 1963 , nem sequer entrou na Billboard. No entanto, a revista Time fez nota da ascensão da "Beatlemania" na Inglaterra em novembro. No mesmo mês, Ed Sullivan viu por si mesmo o poder que os meninos tinham em casa em uma viagem por lá. 

    Ele pediu para reservar a banda por nada menos que três performances no próximo ano. Ao final de novembro, o empresário dos Beatles Brian Epstein convenceu a Capitol Records a arriscar US $ 250.000 dólares correntes para promover o single " I Wanna Hold Your Hand", baseado no impulso certo que viria a partir dos eventos de Sullivan. 

    Duas semanas depois da Capitol lançar esse single, que vendeu 1 milhão de cópias. No dia 17 de janeiro, foi o disco número 1 nos Estados Unidos, três dias depois do lançamento de seu álbum de estreia nos EUA, "Meet The Beatles".  


    "Eles têm tudo por lá", disse George Harrison, de acordo com a biografia de Philip Norman "Shout".

    "O que eles vão querer de nós?"

    A reação no aeroporto ofereceu apenas uma pitada do que seria os Beatles nos EUA. A multidão que se acotovelou e amontoou em  seu caminho para o terminal inundado de mais pessoas para o aeroporto do que qualquer momento antes.

    Uma conferência de imprensa animada e brincalhona seguiu com a seguinte pergunta:
    "O que você acha de Beethoven?"
    E Ringo Starr, com seu humor inconfundível, responde: "Muito bom, especialmente seus poemas".


    No começo de 1964, a Capitol decidiu fazer valer a pena os direitos que detinha do grupo nos Estados Unidos para coincidir com a primeira excursão da banda à AméricaBrian Epstein foi um dos grandes responsáveis pela data marcante. Indo a Nova York, elaborou com a Capitol uma mídia enorme: foram colocados seis milhões de cartazes pelas ruas dos EUA com mensagens como "Os Beatles Estão Chegando!"; todos os discotecários das rádios receberam discos dos Beatles; e foram distribuídos um milhão de jornais com quatro páginas contando a trajetória do grupo.


    Os Beatles fariam sua primeira apresentação ao vivo na televisão americana no programa de Ed Sullivan, em 9 de fevereiro de 1964. 




    Dia 11, a banda deu o seu primeiro show nos EUA, no Washington Coliseum. O Washington Coliseum era o maior lugar em que já haviam tocado, um antigo ginásio de 18 mil lugares no centro da cidade, que sediava principalmente lutas de boxe e jogos de hóquei sobre o gelo. Brian não os havia preparado para o tamanho do lugar, tampouco havia dito alguma coisa sobre o palco incomum. A estrutura tinha sido mon­tada como para uma luta de boxe, o que significava que tocariam em uma plataforma no meio de um círculo, uma disposição que exigiria a movimentação dos equipamentos a cada poucas músicas.


    Logo que chegaram ao palco, os Beatles souberam que aquela não seria uma apresen­tação qualquer. A atmosfera era elétrica e vagamente perigosa, com um público infla­mado que fazia lembrar lugares como o Wilson Hall, em Garston. Destemidos, eles se acomodaram em um palco do tamanho de um selo postal, com fãs transbordando pelas beiradas.

    Era como uma “corrida de obstáculos” em meio a braços que tentavam agarrá-los e cabos que serpenteavam pelo chão. Ringo se equilibrava precariamente em cima de uma plataforma circular que, sob circunstâncias ideais, deveria ter funcionado como base para a sua bateria. Os amplificadores, empoleirados, ameaçavam tombar sob a menor provocação.





    “Boa-noite, Washington!”, gritou Paul ao microfone, dando tempo para os outros ligarem os instrumentos e tomarem fôlego. Uma equipe de filmagem estava gravando o espetáculo para futura transmissão por canal fechado, e desde os primeiros acordes de “Roll Over Beethoven” a plateia — adoles­centes na maioria ficou ensandecida. Várias dezenas de policiais contornavam o palco, observando a plateia com apreensão, para logo entrar em ação, agarrando fãs que ten­tavam pular sobre o conjunto. “Todos os ingredientes da Beatlemania estão aqui em Wa­shington”, relatou a NME, incluindo, como a publicação notou, “o arremesso de confeitos ‘feijõezinhos’ e jujübas” — não as jujubas macias e moles da terra natal, mas suas primas americanas, mais duras, chamadas de “jelly babies”. “Naquela noite, nós fomos exatamente fuzilados por aquelas malditas coisas”, lembrou George. “Para piorar as coisas, estávamos em um palco aberto para todos os lados, então elas nos atingiam de todas as partes [...] saraivadas de miniprojéteis duros como pedras chovendo sobre a gente”.


    Nem importava que “a acústica fosse horrível” ou que o equipamento tivesse de ser apressadamente ajustado depois de cada música. Nem isso, em nenhum momento, interrompeu a fluidez ou a tensão contagiante que se espalha­vam pelo ginásio. Durante a última música, uma versão fantástica e banhada de suor de “Long Tall Sally”, a plateia manteve-se de pé, gritando descontroladamente em um único e ensandecido urro.
    Depois, os Beatles ficaram atordoados de exaustão e euforia. Ringo, em especial, estava encantado com os fãs. “Eles poderiam ter me rasgado em pedaços e eu não me importaria”, disse nos camarins, encharcado de suor. O show durou apenas 28 minutos.

    Sob a proteção de 362 policiais, sendo que um deles usou balas de revólver como protetores de ouvido, por causa da altura do som. Os 
    Beatles tocaram: "Roll Over Beethoven", "From Me To You, "I Saw Her Standing There', "This Boy", All My Loving", I Wanna Be Your Man”, "Please Please Me”, “Till There was you”, “She Loves You”, “I Want To Hold Your Hand”, “Twist And Shout" Long Tall Sally".
    A segunda aparição dos Beatles no show do Sullivan - em 16 de fevereiro, foi assistida por 74 milhões de pessoas, via TV, o equivalente a 45% da população dos EUA na época, audiencia superada somente em 1969, com a chegada do homem na Lua.  A polícia de Nova York informava que, pela primeira vez em uma noite, não havia feito registro de nenhuma ocorrência enquanto os Beatles se apresentavam.



    Para a “terceira” apresentação (exibida após eles partirem dos EUA) eles gravaram: “Twist And Shout”, “Please Please Me” e “I Want To Hold Your Hand”. O pú­blico que participou da gravação do terceiro show foi diferente do que compareceu à transmissão ao vivo naquela noite, que também contou com a participação de Gordon e Sheila MacRae e The Cab Calloway Orchestra. Os Beatles começaram a tocar às 20h com “All My Loving”, “Till There Was You” e “She Loves You”, em seguida houve uma pausa comer­cial do analgésico Anadin, e outros convidados de Sullivan se apresentaram - Georgia Brown & Oliver Kidds, Frank Gorshin, Tessie 0’Shea. Após outro intervalo comercial, agora dos cigarros Kent, os Beatles fecharam o show com “I Saw Her Standing There” e “I Want To Hold Your Hand”.




    Eles poderiam soar como as gravações."No dia 22 de fevereiro, a banda estava de volta ao Reino Unido , para não voltar para os EUA até agosto. Não importa . Eles já tinham segurado a sua lenda. Durante a semana de 4 de Abril de 1964, os Beatles estavam nas primeiras cinco posições na parada de singles da Billboard.


    A chegada dos Beatles à América fez do palco de Ed Sullivan apenas a largada para uma temporada transformadora de 34 dias que incluíram 32 shows em 24 cidades, gerando um faturamento de US$ 7,5 milhões. A repercussão do impacto causado pela apresentação dos Beatles foi enorme, imensa. Os Beatles definitivamente conquistaram a América. Entusiasmados com o telegrama de Elvis Presley, deram uma entrevista coletiva no Hotel Plazaem NY. A imprensa norte-americana mudou suas impressões sobre eles: O Daily News afirmou que “as performances de Elvis não são nada comparadas à imagem dos Beatles no palco”. As apresentações na TV norte-americana foram lançadas em DVD, deixando evidente o impacto do nível de decibéis que vinha da plateia.

    Essa primeira visita dos Beatles aos Estados Unidos foi um dos momentos fundamentais da história da banda e, mais amplamente, do rock mundial. A importância dessa visita é analisada por diversos ângulos através de muitos fatores, como, por exemplo, o fato de que, desde a década de 1960, os Estados Unidos já eram o maior mercado consumidor de discos do mundo; para Epstein e para o grupo, seria um prestígio começar a ser conhecido e bem vendido por lá, como era e ainda é natural nos dias de hoje.

    Para muitos iovens americanos, esse foi o momento que prenunciou a década de 1960 como a percebemos — uma época de exploração, moderni­dade e aumento da liberdade pessoal. Os Beatles se tornariam a trilha sonora da vida jovem, garantido que os membros da banda, liderariam as atenções e os afetos nos EUA pelo resto de suas carreiras." - Howard Sounes.


    Contém trechos retirados dos sites Diário dos Beatles e O Baú do Edú.