Sobre política e música com Rodrigo Lima (Dead Fish)

Um dia antes, do Locomotiva Festival e um pouco menos de um mês do Oxigênio Festival, entrevistamos o Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish (uma das atrações principais do dois festivais), que conversou com a gente sobre esses dois shows, o que os mantêm  na estrada, cenário político e mais em ENTREVISTA EXCLUSIVA.


Vocês já estão na estrada há mais de 25 anos, passaram por diversas formações, tanto da banda quanto das mídias que foram lançados seus trabalhos. O que os mantêm na estrada, continuando a fazer música, principalmente numa década que não foi tão favorecida para o rock, com fechamento de casas como a Clash, Inferno Club e o Hangar 110?


A gente ainda gosta muito do que faz, mesmo a gente se sentindo velho em muitos momentos e vendo que o rock não corresponde mais ao que vislumbramos quando começamos em 1991, que era contestar e ser uma resposta a toda cagada estabelecida que vivíamos e ainda vivemos. O rock envelheceu mal, essa não é uma constatação minha, é de muitos dos meus amigos e boa parte envolvida com música. Mesmo assim ainda é importante pra gente estar na estrada e subir no palco e fazer o que fazemos, ainda é instigante, ainda, eu pelo menos, sinto tesão de enfrentar uma plateia de molecada. 

Recentemente vocês lançaram o "XXV Ao Vivo em SP", comemorando o marco de 25 anos da banda. De lá pra cá já vieram shows, festivais, entre outros. Já estão trabalhando com novas letras, músicas e disco para ser lançado em breve?



Sim, estamos na fase da demo já ha algum tempo, bastante tempo, mas estamos escrevendo um álbum novo sim. 

Ano passado vocês tocaram em duas noites no Oxigênio Hardcore e vão repetir a dose por uma noite mês que vem. O que acharam de ter participado de um festival com tantas bandas do mesmo segmento, com dois palcos e atividades "extra-palco" ano passado e da diversidade de estilos que terão na edição de Setembro?



Eu gosto desse festivais que tenham variedades de bandas, o Oxigênio foca no hardcore mas existem muitos outros gêneros dentro dele. Gosto de ver principalmente as bandas dos caras mais novos, fico de longe, não cosigo mais estar no moshpit ali. 

E sobre o Locomotiva Festival que acontece semana que vem em Piracicaba, para vocês qual a importância de levar eventos de grande porte/banda para o interior e com que olhos viram o cancelamento do Circadélica (se é que chegaram a acompanhar)?


Os festivais em todos os lugares são mega importantes, junta as pessoas de estilos diferentes, a molecada aparece, faz muita diferença na vida local, tudo isso soma pra que fests maiores aconteçam.
 O Circadélica é um dos meus preferidos, uma semana ou duas antes do fest encontramos o Mário num show no Asteroid e ele estava mega animado. Fiquei sabendo imediatamente quando deu a merda toda, não consegui falar com o Mário desde então. É um absurdo o que rolou, muito coisa da situação política que vivemos hoje, é um festival relevante que faz a diferença pra molecada e isso incomoda esse desgraçados que estão comandando SP desde sempre. Ai eles inventam esse monte de merda pra foder quem faz algo que não seja fazer esse discurisinho fascista ridículo que esta rolando por ai. No meu entender o Circadélica incomodou e os caras deram um jeito de foder tudo.  

Muita gente pode falar que música não tem a ver com política, mas obviamente tem, principalmente o rock. Nessa circunstância, como vêem todo o cenário político atual? Tem algum político que pode facilitar ou piorar a cena? Podemos ver uma luz no fim do túnel ou isso é um sonho?


Comer é um ato político, tudo é política e música e arte mais ainda. Estou nessa exatamente por ser um ato político também. Quem fala ao contrário está mal intencionado. 

Estamos vivendo uma reação das elites arcaicas, oligarcas e plutocratas no mundo inteiro, no Brasil ainda mais porque esses caras nunca foram realmente "incomodados" aqui como em outros lugares. O Brasil é mega mal resolvido política e historicamente, então o banho de cocô parece e é maior. A gente mal resolveu a ditadura militar, tem a escravidão mega mal resolvida. É muito lixo jogado debaixo do tapete, sabe? Muita coisa pra se resolver pra ontem que podia ter sido resolvida em 3o ou 40 anos. 

Só que sempre existe um lado positivo em tudo, agora você sabe quem são seus ex amiguinhos filhos de umas putas fascistas e eu pessoalmente espero que você não tenha mais nenhuma relação com eles e que descubra gente muito mais legal e inteligente fora do seu circulo, sua bolha de qualquer coisa. Isso é mega importante, estamos achando gente legal de verdade agora e não aquelas pessoas que pareciam estar próximas por motivos de terem estudado com você ou serem seu parente. Estamos formando amizades agora por afinidade e isso é demais, renderá frutos num futuro próximo, espero. 

No meu ponto de vista essa também é a última crise histérica do capitalismo assim como conhecemos ele, é nítido que algo esta acontecendo pra o mundo estar chacoalhando tanto. Algo vai acontecer de bom, talvez nós sejamos arrastados  pelas cagadas que bancos, elites e a mídia oligarca da sulsulamérica fazem pra se manterem no poder.  Talvez tenhamos que fazer um esforço pra um resultado que provavelmente não veremos, talvez nossos filhos e netos consigam usufruir de um mundo menos liberal cretino e fascista e obviamente melhor. Isso exige esforço e começa aqui e agora a mudança. Em menos de 30 anos o capitalismo como o temos hoje estará arruinado, acabado e as pessoas vivendo muito melhor num sistema muito mais justo e menos imperfeito.

Esqueci de falar do político que pode mudar a cena, são muito a esquerda. Boulos, Manuela, mas por motivos pragmáticos quem pode mudar pra ontem isso é o Lula. Não voto fazem 16 anos, estou pronto pra votar nele ou em quem ele indicar. 

Deixem um recado para os leitores do site e fãs da banda


Obrigado pela oportunidade de falar pra vocês, foi um prazer. 

Até já! Que o festival seja colossal. 


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