Elio Sant'Anna Elio Sant'Anna Author
Title: Pontapé para revolução musical, "Revolver" completa 50 anos de lançamento
Author: Elio Sant'Anna
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One, Two, Three, Four... Da mesma maneira que começa o primeiro disco dos Beatles também começa o disco que encerrou o ciclo de "y...

One, Two, Three, Four... Da mesma maneira que começa o primeiro disco dos Beatles também começa o disco que encerrou o ciclo de "yeah, yeah, yeah" e iniciou uma revolução musical, não só para banda que, de certa forma, já tinha começado isso no Rubber Soul, "disco irmão" do Revolver, mas para tudo que conhecemos como música hoje no disco que é considerado o mais criativo da história

Lançado há exatos 50 anos, o disco que está na 42ª posição de discos definitivos do rock and roll e marcou de vez em entrada dos garotos de Liverpool no mundo psicodélico, algo que seguiu com Sgt. Pepper, filmes como Magical Mystery Tour, Yellow Submarine, além dos filmes de mesmo nome.



Cansados dos shows que não se ouviam, da histeria dos fãs e da evolução musical que não ocorria nos palcos, o ano de 1966 foi o responsável pelo último show da banda e, junto com ele, cada vez mais conhecimento musical e uma evolução muito significativa como artistas.

Dando mais espaço a voz e as ideias de George Harrison, Taxman é a música que abre o disco e mostra que algo estava acabando naquele momento: Canções sobre mulheres, que foram trocadas por coisas que o rodeavam, como o taxamento do governo de acordo com seu bolso na faixa inicial, as drogas em Got To Get You Into My Life, Eleanor Rigby e a história fictícia de alguém que existiu, o Doctor Robert, quem fornecia LSD para a banda, além de diversas outras músicas que saiam daquele tema que cercava praticamente todas as faixas dos outros 6 discos lançados anteriormente.



Além da mudança de tema, a banda fez desse o disco mais experimental de toda a carreira, passando a usar diversos itens nunca usados anteriormente, principalmente em uma de rock, como efeitos eletrônicos, samples e outras manipulações sonoras brilhantemente executadas numa era tecnologia, como sintetizadores, cítaras e as cordas em Eleanor Rigby e diversos outros fatores que impossibilitaram de aplicar a maioria das músicas do disco ao vivo. O resultado disso tudo é um disco eclético, sofisticado demais para a época e experimental de mais para época, algo que rende o posto de disco mais criativo da banda.

Depois de Taxman, o disco segue com a belíssima orquestrada Eleanor Rigby, que fala sobre a solidão, a melodia e as primeiras palavras de "Eleanor Rigby" surgiram enquanto ele tocava piano. Ao se perguntar que tipo de pessoa ficaria recolhendo arroz em uma igreja depois de um casamento, ele acabou sendo levado à sua protagonista. O resultado é a faixa ser uma das músicas mais regravadas da história, junto com Yesterday, outra feita cantarolada enquanto tocava piano.



Primeira participação de John Lennon entra em I'm Only Sleeping, que une uma harmonia contagiante, com violão, relaxantes coros, riffs invertidos de guitarra e um vocal impecável a uma história de alguém que implora para não o acordarem, não fazerem o ter pressa sem necessidade, enquanto ele olha pro teto, pensa na vida, relaxa e dorme.

Love You To é um divisor de águas no mundo do rock, que passou a ter a subdivisão do rock psicodélico com a inserção da citará, instrumento indiano apresentado por Ravi Shankar para George Harrison, que canta sua segunda participação no disco.



Tendo também espaço para baladas, Paul trouxe ao disco For No One, que nasceu quando passava por desentendimentos com sua namorada Jane Asher e apresentou Here, There and Everywhere, considerada por muitos a melhor balada já feita pelo Sir. essa feita num momento que o casal fazia as pazes. Muito inspirado, Paul McCartney compôs ela na beira da piscina de Lennon, que tinha ela como uma de suas favoritas do disco com um forte refrão, coros bem no estilo Beach Boys, levando em consideração que eles a faziam inspirados no (na época) recém-lançado Pet Sounds. Apesar de simples, o arranjo de vozes feito por George Martin enriquece a música, que acompanha o baixo e violão de Paul, além da bateria de Ringo Starr.

Ringo Starr é o responsável por dar vida a próxima música do disco, composta por Lennon e McCartney, a pessoa mais carismática da banda usa sua inconfundível voz nasal para cantar Yellow Submarine, a música mais carismática do disco, tendo participação de funcionários do estúdio fazendo sonoplastia, uma banda de jazz e diversos amigos como Brian Jones, Patti Harrison que participaram do coro, junto com os membros da banda.



She Said She Said And Your Bird Can Sing são músicas rockers que contam com um belo dueto de Lennon e McCartney e possuíam um ambiente elétrico, que contribuíram para melhor se perceber a destreza e precisão que Harrison exibia na sua guitarra. 

Enquanto na primeira se via um dueto que rendia a melodia da música, na segunda o destaque fica para os belos riffs e a performance vocal descompromissada e divertida de Lennon e McCartney que faz a música ser um dos destaque do disco, mesmo que nunca tenha sido tocada ao vivo.

Gravando o piano numa rotação maior do que a indicada (56 ciclos contra 50 indicados) Good Day Sunshine começa com um piano que vai cada vez mais aumentando seu som, depois seguindo da bateria de Ringo, o baixo de Paul e acordes básicos, porém que marcam a música e mostra o extremo carisma de Paul em sua performance. 


Possivelmente a música menos importante do disco, a veloz rocker Doctor Robert é cantada por Lennon é uma referência clara as drogas, mais especificamente o LSD e isso se une com o fato de "Doctor" ser uma das gírias para os traficantes e mesmo com diversos nomes serem especulados para ser esse doutor da letra, John disse que ele é o próprio, já que nos primeiros dias era o único que carregava as pílulas nas excursões.


Os Beatles eram freqüentemente acusados de colocarem referências às drogas em suas músicas, apesar deles negarem fazê-lo intencionalmente. O disco conta também com She Said, She Said  que também é uma das faixas que falam sobre as drogas, relatando uma conversa com Peter Fonda, durante uma viagem de LSD. Uma das curiosidades dessa música é que os dois únicos beatles que estão falecidos cantar um refrão que diz "I know what is like to be dead" (Eu sei como é estar morto), outra curiosidade é que, apesar de ser autoria Lennon/McCartney, o Paul não participou da gravação da mesma.

Última de George no disco, I Want To Tell You é uma canção que fala sobre a frustração que todos sentimos em relação à tentativa de comunicar certas coisas apenas utilizando as palavras. É certamente uma de suas letras mais densas e ela é tão densa que George não conseguia expressar todos seus sentimentos em acordes e elaborou um acorde diferenciado que pareceu capturar o que ele queria dizer.  Quando George diz na letra  "I don't mind... I could wait forever. I've got time." (Eu não me importo... Eu poderia esperar para sempre) e, enquanto isso, Mccartney insiste batendo a mesma nota no Piano, serve para enfatizar justamente que pode esperar para sempre.



Mostrando a eterna admiração de Paul pelo som da Motown com a notável quantidade de instrumentos de sopro, a clássica Got To Get You Into My Life pode parecer inocente e ser mais uma "Beatle Song" de amor às mulheres, mas na verdade Paul dedicou ela a outro amor: A Maconha.

Encerrando o disco com a primeira música gravada dele, Tomorrow Never Knows é a faixa mais psicodélica da banda e ao lado de Within You, Without You, uma das músicas mais progressivas e experimentais da banda. 



Executada em uma nota só. A letra fala sobre meditação e seu papel em transcender os estados de acordar, dormir e sonhar. Qualquer guru te explica que a mente está constantemente acordada embora você possa "desligar sua mente, relaxar" (turn off your mind, relax), como sugere a primeira frase da letra. O ponto de inspiração veio para Lennon após ler o livro "The Psychedelic Experience", escrito por Timothy Leary.

A bateria de Ringo, que tem um som distinto de tudo que ele havia feito antes, soou daquele modo quando colocou o microfone extremamente próximo do surdo e encheu o bumbo com quatro sweaters de lã, que os quatro beatles tinham usado para uma sessão de fotos dentro do estúdio e deixaram largados em um canto. Ninguém nunca havia abafado o bumbo antes, e o truque, como o som, foi repetido por todo o LP, como também para o álbum seguinte. 


O som que parece vagamente uma gaivota é na verdade uma guitarra distorcida em loop. Outros sons usados são taças de vinho, um relógio gravado em rotação lenta e guitarras com rotação acelerada.


A voz de John foi conseguida através de uma caixa Leslie dentro de um órgão Hammond. Uma caixa Leslie, por definição, é uma caixa acústica com um alto falante giratório, o que dá ao órgão um som "ondulado". A idéia nasceu da sugestão de John querer soar como um monge cantando do alto de uma montanha. 



Faixas (melhores para mim em negrito):

1. Taxman (Harrison) 

2. Eleanor Rigby (Lennon/McCartney) 
3. I'm Only Sleeping (Lennon/McCartney) 
4. Love You To (Harrison) 
5. Here, There and Everywhere (Lennon/McCartney) 

6. Yellow Submarine (Lennon/McCartney) 
7. She Said, She Said (Lennon/McCartney) 
8. Good Day Sunshine (Lennon/McCartney) 
9. And Your Bird Can Sing (Lennon/McCartney) 

10. For No One (Lennon/McCartney) 
11. Doctor Robert (Lennon/McCartney) 
12. I Want to Tell You (Harrison) 
13. Got to Get You Into My Life (Lennon/McCartney) 
14. Tomorrow Never Knows (Lennon/McCartney)

Ouça o disco:





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