Elio Sant'Anna Elio Sant'Anna Author
Title: História de Brian Epstein é contada em quadrinhos
Author: Elio Sant'Anna
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John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. É bastante comum que os fãs saibam de cabeça a clássica formação dos Beatl...


John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. É bastante comum que os fãs saibam de cabeça a clássica formação dos Beatles. Um pouco mais raro é achar aqueles que também conhecem outras pessoas fundamentais na trajetória de uma das bandas de rock mais famosas e importantes de todos os tempos, como Brian Epstein, empresário que tirou os garotos das pequenas casas noturnas de Liverpool para tomarem o mundo. A história de Epstein está retratada em "O Quinto Beatle", graphic novel roteirizada por Vivek Tiwary e ilustrada por Andrew Robinson e Kyle Bakerlançada nesta quinta (30).
Epstein foi o responsável por fazer com que os músicos acreditassem que poderiam ser mais que uma banda local. Para que atingissem esse objetivo, tornou-se uma espécie de mentor dos garotos, cuidando tanto da carreira quanto dos pormenores pessoais de cada um dos integrantes da banda –como a escolha de quais notícias poderiam ou não se tornar públicas– e precisou superar os preconceitos que o cercavam por ser judeu e homossexual, numa época em que ser gay era proibido no Reino Unido. "Sem ele, os Beatles poderiam não ter sido a banda mais popular do mundo. Mais que isso, poderiam nunca ter saído dos pequenos clubes, pois foi Epstein que convenceu as gravadoras a apostarem neles", diz Vivek.
O coautor da obra é também produtor da Broadway, já ganhou diversos Tony Awards, o maior prêmio do teatro nos Estados Unidos e trabalhou com bandas como Green Day. Imerso nesse cenário cultural, Vivek aponta Epstein como nome fundamental para sua formação. "De certa forma, passei 22 anos pesquisando para este livro, mergulhando na vida do produtor dos Beatles, conversando com pessoas, conhecendo os lugares por onde ele passou. Ele é meu mentor profissional", conta. Vivek ainda revela que a maior parte da obra é totalmente baseada na realidade, ainda que tenha ficcionalizado uma situação ou outra, como os detalhes dos diálogos.
Com a preocupação de fazer um trabalho que agradasse não apenas a fãs da banda, mas a qualquer pessoa que se interesse pela história do grupo, o coautor ressalta que procurou humanizar a figura de Epstein, cuja ambição o consumiu a ponto de levá-lo à morte aos 32 anos. Essa trajetória foi transformada em HQ "porque os quadrinhos são mais cinematográficos". "Não conseguiria passar toda a história e nem atingiria a mesma quantidade de pessoas com um livro convencional, uma biografia com duas ou três mil páginas", justifica.

E a escolha já rende desdobramentos. Neste ano, "O Quinto Beatle" foi indicada para duas categorias do prêmio Eisner Award, uma espécie de Oscar dos quadrinhos, e está sendo adaptada para o cinema por Peyton Reed (mesmo diretor de "Separados pelo Casamento").
Um outro quinto Beatle
Mas Brian Epstein não está só no posto de quinto membro do conjunto. Se olharmos para a história, diversas outras  pessoas podem ser vistas como o beatle número 5, sejam  incentivadores que em algum momento foram importantes para os rapazes, sejam outros músicos que tocaram com a banda, tais como Pete Best, baterista que antecedeu Ringo Starr, e Stuart Sutcliffe, o primeiro baixista dos garotos de Liverpool.
Inclusive, a história de  Sutcliffe, que deixou a banda no começo da década de 1960, após se apaixonar por Astrid Kirchherr –a responsável por criar o famoso corte de cabelo dos músicos e a primeira a fotografá-los oficialmente– enquanto estavam em Hamburgo, na Alemanha, procurando por pequenas casas noturnas onde pudessem se apresentar, também já foi transformada em quadrinhos. Trata-se de "Baby's in Black – O Quinto Beatle", de Arne Bellstorf.

"O livro foca na história do encontro da cultura pop britânica com os debates existencialistas dos jovens alemães da época. Tudo isso ritmado pelo trágico romance de Stuart e Astrid. Há muitos livros sobre os Beatles, mas poucos que focam nesse período definidor do perfil da banda", diz Augusto Paim, responsável por traduzir a obra do alemão para o português.
O tradutor também fala de como foi trabalhar em um livro sobre uma banda com uma enorme quantidade de fãs espalhados pelo mundo. "Lembro de ter feito exaustivas consultas sobre detalhes, como a nomenclatura de estabelecimentos que aparecem na história, a descrição de ambientes importantes na trajetória dos Beatles ou o nome correto do corte de cabelo da banda. Em se tratando de Beatles, todo leitor da obra vira um crítico detalhista da tradução. Por isso tentei ser cuidadoso ao extremo".

Fonte: UOL Música

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