Elio Sant'Anna Elio Sant'Anna Author
Title: CENAS DA VIDA DE UMA LENDA QUE NÃO PODE FICAR PARADA! PARTE 1
Author: Elio Sant'Anna
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Se você estiver curioso sobre como é a Beatlemania em 2013.. Se você tem alguma dúvida sobre o que Paul McCartney representa, veja s...

Se você estiver curioso sobre como é a Beatlemania em 2013..
Se você tem alguma dúvida sobre o que Paul McCartney representa, veja seu show grátis nas ruas de Los Angeles. Repare na quantidade de pessoas se apertando para vê-lo, horas antes de ele subir no palco. Olhe mais para cima e veja pessoas nas janelas dos prédios, e até alguns pequenos aviões circulando pelo local. Serão 10.000 pessoas gritando juntas nesta noite.

A apresentação de McCartney, na frente do El Capitan Theater, vai coroar a estreia da temporada do programa Jimmy Kimmel Live!. McCartney está aqui para promover seu 24° álbum pós-Beatles, o New. Quando o programa informou que ia usar o Hollywood Boulevard para sua première, sua ideia era levar Justin Timberlake para se apresentar, mas os oficiais rejeitaram o pedido. Quando a produção fez o pedido novamente, desta vez com Paul McCartney como atração, o “não” se tornou um “sim”. Mas algumas coisas ainda precisam ser resolvidas, como os fogos de artifício, já que nunca se sabe Paul irá ou não usá-los.

Passou das 15h e Paul sai de um carro acompanhado por alguns seguranças, liderados por seu guarda-costas Mike. McCartney está usando uma camisa e sua calça jeans skinny com mais brio que qualquer homem de 71 anos. Tem um porte físico elegante, proveniente de décadas de vegetarianismo, Yoga e exercícios que ele faz mesmo enquanto está em turnês. Os fãs começam a rodeá-lo, o seu visual e o fato de ser tão ativo escondem sua idade enquanto ele toca uma guitarra invisível para alegrar os fãs.

Ele serpenteia pelos corredores, passa por uma sala onde sacolas com seu nome transbordam sanduiches de tofu. Nos seus shows, todos os empregados podem comer cheeseburguers com bacon se quiserem, desde que o façam em outro lugar. Ele pega uma escadaria até o nível da rua e sobe no palco ouvindo os gritos da multidão. “Ele dá um momento especial para todo mundo”, diz Chris Holmes, DJ de McCartney nas turnês. “Quando estamos na estrada, ele vai até o cara que está trabalhando no palco e dança com ele, e pelo resto da vida este sujeito poderá dizer: ‘Eu dancei com Paul McCartney’. Paul McCartney é assim mesmo, não é algo que ele faz apenas diante das câmeras.”

No palco, a banda toca Matchbox, um cover que Paul toca desde 1962. Há algumas semanas, ele pegou um resfriado e ficou preocupado com sua voz, mas ele consumiu bastante vitamina C e usou um remédio para garganta indicado por Little Richard há algumas décadas. “Você pega um pote de água fervente e coloca óleo de Olbas dentro” – ele se curva e finge colocar uma toalha molhada na cabeça – “E Sniiffff....gaahhhh! Parece que isso tira sua cabeça do lugar”. McCartney completa: “Eu vi ele fazendo isto em Hamburgo. Ele se levantou muito bem, olhou para o espelho e disse: ‘Richard, você é lindo!’”. Hoje a voz de Paul continua forte, seu uivo ainda é surpreendentemente afinado. Mas ele ainda se preocupa com o dia em que sua voz não será mais a mesma. “Bom, isso ainda não aconteceu”, diz McCartney, “Recentemente me encontrei com Billy Joel e ele me perguntou se ainda cantava no mesmo tom. Respondi que sim e ele disse que precisou baixar meio tom de suas músicas para continuar cantando”.

Depois de tocar “Save Us”, o ritmo mudou e ficou muito mais monstruoso que o normal. “O perigo de tocar quando está tudo tão alto e louco é que você fica se enganando. Você acha que está tudo muito bom, mas isso ficará uma porcaria quando for mostrado na TV”. Paul se vira e chama o baterista: “Abe, vamos fazer algo apenas com a bateria e o baixo, só pra garantir que não vamos distorcer isso tudo”. Eles começam a tocar e Paul parece ter se esquecido de como é tocar em um palco pequeno: “Estou mais perto do meu amplificador do que costumo ficar”.

A banda de McCartney é profissional e experiente, mas ainda assim o enxerga como um líder exigente. “Não podem existir erros quando se trabalha com Paul McCartney”, diz Barry Marshall, promotor das turnês de Paul desde 1989. “Você até pode cometer um erro, mas depois tem que levantar as mãos, olhar nos olhos de Paul e dizer: ‘Eu ferrei com tudo!’. Depois nunca mais cometa o mesmo erro”.

McCartney toca “Drive My Car” e o público enlouquece. “Obrigado, pequena mas barulhenta plateia! Obrigado, cidadãos aleatórios!”

Depois de ter dado suas anotações à equipe – spoiler: nada de pirotecnia hoje à noite – McCartney olha ao redor do estúdio de Kimmel, em seguida, pede algumas modificações técnicas. “Eles estão trazendo mais algumas luzes”, diz John Hammel, o técnico de guitarra de McCartney, as vezes motorista e assistente pessoal. “Para os jovens, uma sombra aqui é legal. Mas para os mais velhos como nós, un-unh. A gravidade domina!”

Um produtor do programa logo chega com um script para McCartney aprovar: o programa pede para ele aparecer um pouquinho no monólogo inicial. Uma proposta original, mencionando a história do “Paul Is Dead” (Paul está morto), tinha McCartney assumindo que os boatos eram verídicos e que ele era na verdade um impostor chamado Gary. Ao invés disso, McCartney concordou em fazer algo mais simples, em que ele ajuda o auxiliar de Kimmel, Guillermo, a responder às perguntas de um quiz com os nomes das músicas dos Beatles. O diálogo de McCartney foi cortado. De meia dúzia de falas ele ficou com apenas uma palavra “Para facilitar para o senhor”, o produtor diz. “Não vai precisar de muitos ensaios para isso!” replica McCartney.

Os roteiristas também querem que McCartney se junte a Kimmel no telhado, para observarem a multidão embaixo do prédio, para eles gravarem uma pré-abertura. McCartney é um jogo, consciente de que isso só vai contribuir para a sensação de uma noite de extrema importância. “Só me guie”, ele fala para o produtor.

O produtor de segmento chamado Ken se aproxima. “Eu vou fazer a pré-entrevista com você. Apenas uma conversa para você saber o que o Jimmy vai trazer”, ele diz. McCartney fecha os olhos e franze os lábios. “Uh, ou não, se você preferir não ter a conversa” Ken continua. “Melhor não” McCartney diz. “Eu prefiro não saber o que vem pela frente.”

Com a aproximação do horário do show, McCartney desaparece no camarim. Sua rotina de aquecimento inclui o truque da água fervente e o gargarejo com a água salgada. Nancy Shevell, sua esposa há dois anos, chega. Uma morena elegante portando uma bolsa feita por Stella McCartney, filha de Paul. Muito do New consiste em músicas românticas, incluindo a saltitante “Save Us”, que é sobre “O aspecto salvador de ter uma boa mulher”, diz McCartney. Quando o show começa, os dois permanecem juntos em um dos dois grandes sofás dentro do camarim, assistindo o monólogo de Kimmel em um grande monitor. Todos os outros estão em pé, atrás deles. McCartney desliza a mão nas costas de Shevell, apoiando-se na parte inferior da sua coluna vertebral, rindo de algumas piadas de Kimmel sobre os prêmios Emmy. Quando McCartney recebe o chamado para ir para a entrevista, Shevell diz “Eu te amo babycake.” “Eu te amo” ele responde. (Alguns minutos depois, quando o programa vai para os comerciais com um estranho sintetizador de arpejos, Shevell, executiva nova-iorquina do ramo dos transportes, grita “Temporary Secretary!”, identificando corretamente a faixa número dois do álbum lançado em 1980, “McCartney II”.)

Antes de McCartney entrar no palco, sua maquiadora, Lauren, ajusta sua franja e aplica um spray na parte de trás de sua cabeça. Ao contrário de Kimmel, McCartney é fino ao sair pela tangente (ele se sai de uma piada sexual logo no início), descrevendo os perigos de derramar lágrimas durante as performances ao vivo de “Let it Be”. Quando ele retorna ao camarim, ele é recebido com vaias pela sua equipe.

“Hora de beber” ele grita.

Todos aplaudem novamente.

New começou a ganhar forma há alguns anos, com McCartney esboçando ideias no Hog Hill Mill, estúdio que ele tem no interior da Inglaterra, 20 minutos de carro da fazenda orgânica que ele chama de casa em uma parte do ano. O trabalho começou a ficar sério quando McCartney decidiu fazer testes para encontrar um produtor. Em sua carreira, às vezes McCartney quis trabalhar com outras pessoas, em outras ele não queria nada além de estar em um quarto sozinho, organizando suas ideias – ele fez “McCartney” e “McCartney II” por conta própria, o último foi enquanto ele estava escondido em uma fazenda na Escócia, tendo uma fonte infinita de sintetizadores e outra de maconha.

“Escrever originalmente era algo meu, porque eu não tinha ninguém.” diz McCartney. “Era eu, sentado na pequena casa onde morei quando era criança. Então eu conheci John e ele estava fazendo a mesma coisa, então agora nós éramos colaboradores, e praticamente tudo o que veio em seguida, com os Beatles, não fazia sentido escrever sozinho – ótimo. Mas depois que tudo isso passou, depois que os Beatles tiveram sucesso, nós não ficávamos no mesmo quarto de hotel o tempo todo. Ele ficava em um lugar, eu em outro, e estávamos separados novamente. Então eu realmente conhecia os dois jeitos, no que diz respeito a compor, e os dois eram bons.”

Para New, ele estava muito social. Sua primeira parada foi no estúdio de Paul Epworth em Londres, o jovem produtor e escritor melhor conhecido por seu trabalho em “21” da cantora Adele, que McCartney, assim como outros milhões, adora. McCartney chegou de mãos vazias. “Eu estava tipo, ‘Ok, o que eu vou fazer aqui?’


TRADUÇÃO: Daniel Generalli e Patricia Galvão

Fonte: Paul Get Back to SP

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